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Irã afirma ter abatido caça dos EUA; Washington mobiliza resgate de tripulantes

Um avião de combate dos Estados Unidos foi derrubado no Irã, onde operações estão em andamento nesta sexta-feira (03/04) para localizar o piloto, segundo a imprensa norte-americana e iraniana. O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) não comentou o incidente.

A afiliada da televisão estatal iraniana em Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste, divulgou imagens do que seriam os destroços da aeronave. A polícia anunciou uma recompensa para quem entregar seus ocupantes. Um membro da tripulação do avião foi resgatado pelas forças norte-americanas, informou nesta sexta-feira a emissora CBS, citando dois responsáveis.

Mais cedo, a agência de notícias Fars confirmou que uma operação “para encontrar os pilotos” estava em andamento.

“Se vocês capturarem vivos o piloto ou os pilotos inimigos e os entregarem à polícia e às forças armadas, receberão uma recompensa generosa”, disse um apresentador de imprensa local.

Esta é a primeira vez que a queda de uma aeronave norte-americana em solo iraniano vem a público desde o início da ofensiva dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro. Para analistas, o episódio indica que a República Islâmica ainda dispõe de capacidades antiaéreas, apesar de semanas de intensos bombardeios.

Um avião de combate dos Estados Unidos foi derrubado no Irã, onde operações estão em andamento para localizar os tripulantes
Reprodução/Tasnim

Troca de ameaças

O incidente ocorre após um novo dia de trocas de ameaças entre o Irã e os Estados Unidos e de ataques contra o território iraniano. Teerã voltou a lançar mísseis contra Israel e contra monarquias do Golfo aliadas dos EUA, em resposta às ofensivas e às ameaças de Donald Trump de destruir a infraestrutura civil iraniana.

O Exército israelense não detalhou os alvos atingidos, mas a rádio militar mencionou danos em uma estação ferroviária de Tel Aviv. Segundo a imprensa iraniana, a Guarda Revolucionária – o Exército ideológico da República Islâmica – atacou Tel Aviv e a estância de Eilat, no sul.

Os alertas que orientam israelenses a buscar abrigos em caso de ataque tornaram-se mais precisos graças ao uso de ferramentas de inteligência artificial. “O alerta é ultralocalizado”, explica Sarah Chemla, 32, moradora de Tel Aviv, que só acorda os filhos quando o bairro dela é especificamente ameaçado.

Infraestruturas civis são atingidas

Nos Emirados Árabes Unidos, país do Golfo visado pelo Irã, 12 pessoas – nepalesas e indianas – ficaram feridas após a interceptação de um ataque em Abu Dhabi, onde um complexo de gás foi fechado por causa de um incêndio.

No Kuwait, um ataque de drones contra uma refinaria provocou incêndios, e uma usina elétrica e de dessalinização foi atingida. O Exército iraniano afirmou que seus alvos eram locais americanos, israelenses e em “países anfitriões e aliados dos Estados Unidos”.

A ofensiva respondia às ameaças do presidente norte-americano, que havia prometido destruir a infraestrutura iraniana, declarando em sua rede Truth Social: “As pontes serão as próximas, depois as usinas elétricas!”.

Na quinta-feira (02/04), bombardeios dos EUA e de Israel destruíram uma ponte em construção perto de Teerã e danificaram o Instituto Pasteur iraniano. Israel afirmou ter destruído “70% da capacidade de produção de aço” do Irã.

Desde quinta, as duas maiores siderúrgicas do país estão paradas. Trump havia anunciado na quarta (01/04) que pretendia realizar “duas a três semanas” de bombardeios intensos para “mandar o Irã de volta à Idade da Pedra”, caso Teerã não aceitasse uma solução negociada.

Estreito de Ormuz

A quase total paralisação do Estreito de Ormuz provocou disparada nos preços do petróleo e de outras mercadorias, alimentando o temor de uma crise inflacionária global. O Irã advertiu que o estreito permanecerá fechado a países considerados hostis.

Mesmo assim, um porta-contêiner do grupo francês CMA CGM atravessou o estreito na quinta-feira. É a primeira travessia conhecida de um grande grupo europeu desde o bloqueio.

Países do Golfo pediram ao Conselho de Segurança da ONU que autorizasse a liberação do estreito pela força. Uma votação prevista para esta sexta sobre o projeto de resolução foi adiada por falta de consenso. Teerã, por sua vez, alertou a ONU contra qualquer “ação provocadora”.

O presidente norte-americano Donald Trump, que tem feito declarações contraditórias sobre o Estreito, afirmou nesta sexta que os EUA poderiam “abrir” a passagem e “tomar o petróleo” com “um pouco mais de tempo”.

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