
O anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas entre Estados Unidos e Irã trouxe um fôlego imediato à economia global nesta quarta-feira (8). Sob mediação do Paquistão e discreta influência chinesa, o pacto provocou uma queda abrupta nos preços do petróleo: o barril do tipo Brent despencou cerca de 14%, sendo cotado a US$ 94,25, após semanas de bloqueio no Estreito de Ormuz.
Mesmo sem ganhos aparentes, o presidente norte-americano, Donald Trump, celebrou o movimento em sua rede social, classificando a data como um “grande dia para a paz mundial” e afirmou que a proposta de dez pontos apresentada por Teerã é uma “base viável”. “O Irã quer que isso aconteça, eles já aguentaram o suficiente! Os EUA ajudarão a lidar com o tráfego no Estreito de Ormuz. Haverá muitas ações positivas”, afirmou Trump, sinalizando um recuo pragmático diante do estrangulamento energético global.
Soberania e resistência iraniana
Pelo lado iraniano, o tom é de vitória política e reafirmação da soberania sobre suas águas territoriais. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou que o Estreito será reaberto, mas sob estrito protocolo. “A navegação será feita em coordenação com as forças iranianas”, pontuou Araghchi, destacando que a interrupção das hostilidades é a precondição para a manutenção do fluxo de cerca de 20% do petróleo mundial.
Entretanto, a fragilidade do acordo reside na postura beligerante de Israel. O governo de Benjamin Netanyahu apressou-se em declarar que o compromisso firmado em Washington não se estende ao território libanês. Ignorando o primeiro ponto da minuta — que exige a interrupção das hostilidades em todas as frentes —, as forças israelenses intensificaram bombardeios contra a cidade de Tiro e o sul do Líbano.
Logística e o fim do represamento
Além da queda nos preços, o maior benefício imediato do acordo é o desbloqueio logístico de uma frota bilionária. Dados das plataformas de monitoramento MarineTraffic e Windward indicam que cerca de 1.300 embarcações comerciais estão retidas na região. Destas, aproximadamente 800 navios estão parados dentro do Golfo Pérsico aguardando autorização de saída. O custo desse represamento é crítico: estima-se um impacto entre US$ 50 mil e US$ 150 mil por dia por embarcação em taxas de afretamento e seguros de risco de guerra. A normalização plena, no entanto, deve levar semanas, devido à necessidade de renegociar apólices de seguro e coordenar o fluxo em um canal de apenas 21 milhas náuticas de largura.
As negociações diretas para a consolidação dos dez pontos do acordo devem começar nesta sexta-feira (10), em Islamabad. O sucesso da diplomacia paquistanesa e o papel da China como garantidora comercial serão testados pela capacidade dos EUA de conter a sanha expansionista de seu principal aliado na região. Relatos do The New York Times e da Associated Press indicam que uma intervenção de última hora de diplomatas chineses foi o que convenceu Teerã a aceitar os termos da trégua em Islamabad.
Analistas ainda debatem os motivos do recuo de Trump: teria sido tático-militar (diante de uma estratégia que não está clara desde o início), para evitar uma escalada regional e global; uma manobra política para responder a pressões internas e externas; uma ação para evitar o choque econômico global e pressões inflacionárias que já se anunciavam? Há quem mencione até sinais de operações financeiras especulativas na contramão do que o mercado esperava. Relatórios de mercado, como os da Forbes Money e indicadores do S&P 500, apontam que o “grande dia para a paz mundial” celebrado por Trump esconde um cenário de fortes operações financeiras especulativas que já antecipavam a trégua. O que é fato é que o avanço para selar acordo permanece frágil enquanto o Líbano segue sob ataque de Israel.
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