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Ataques no Irã e Líbano deixam mais de 3 mil mortos

Um balanço divulgado pelas autoridades iranianas revela o impacto devastador de mais de 40 dias de ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Enquanto Washington e Teerã se preparam para negociações de cessar-fogo neste sábado em Islamabad, o presidente do Crescente Vermelho iraniano, Hossein Kolivand, detalhou os danos humanos e materiais causados pela ofensiva.

Infraestrutura civil sob escombros

Segundo os dados apresentados, cerca de 125.000 unidades civis foram danificadas em todo o território iraniano. Entre as infraestruturas afetadas estão 900 centros educacionais — sendo 32 universidades e 857 escolas —, conforme informou a Telesur.

O sistema de saúde, também alvo direto dos bombardeios, teve 339 centros médicos e 20 instalações do Crescente Vermelho destruídos ou tornados inoperantes, além de inúmeras ambulâncias perdidas. A escalada belicista atingiu ainda 100.000 residências e 23.500 estabelecimentos comerciais.

Vítimas e dificuldade de identificação

O chefe da Organização de Medicina Forense do Irã, Abás Masjedi Arani, informou que o número de mortos ultrapassa 3.000. Destes, cerca de 40% não puderam ser identificados inicialmente devido à gravidade dos ferimentos — um indicador da intensidade dos ataques.

O Ministério da Saúde iraniano confirmou que pelo menos 220 menores de idade estão entre as vítimas fatais. No total, foram registrados 30.205 feridos, dos quais 2.000 são crianças e quase 5.000 são mulheres.

Situação no Líbano e alerta da Unicef

Enquanto isso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou, em declaração oficial, que a intensificação das hostilidades no Líbano está cobrando um “preço devastador e desumano para as crianças”.

Apesar de um cessar-fogo de duas semanas ter sido acordado, a agência relatou que 33 crianças foram mortas e 153 ficaram feridas em novos episódios de bombardeio. “Crianças e famílias enfrentaram uma onda de ataques que assolaram comunidades inteiras com consequências devastadoras”, afirmou a Unicef.

O organismo destacou ainda que mais de um milhão de pessoas foram deslocadas no Líbano, incluindo 390.000 crianças — muitas delas pela segunda, terceira ou até quarta vez.

ONU reitera proteção a civis

Em nota, a ONU lembrou que “o direito internacional humanitário é claro: os civis, incluindo crianças, devem ser protegidos em todos os momentos”. A organização instou todas as partes a tomarem precauções para proteger a população civil e garantir acesso humanitário seguro e irrestrito.

A agência enfatizou que o uso de armas explosivas de grande alcance em áreas densamente povoadas “representa uma ameaça mortal para as crianças” e deve cessar imediatamente.

Irã pede responsabilização internacional

O governo iraniano exigiu que os responsáveis pela ofensiva sejam levados à justiça perante a comunidade internacional. Teerã classificou o cerco conduzido por EUA e Israel como uma violação flagrante da soberania nacional e dos direitos humanos fundamentais.

Segundo autoridades iranianas, a dimensão da devastação — mesmo com a trégua atualmente em vigor — reflete uma estratégia deliberada contra a capacidade de resposta da população e contra infraestruturas básicas essenciais à vida civil.

As negociações em Islamabad, mediadas pelo Paquistão, representam um dos momentos mais críticos desde o início das hostilidades, com a comunidade internacional acompanhando de perto os desdobramentos para um possível acordo de paz duradouro.

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