O jornal Haaretz teve acesso a documentos históricos arquivados pelo Estado de Israel e revelou, em reportagem publicada na terça-feira (14/04), que durante a Segunda Guerra Mundial o grupo paramilitar sionista Lehi, liderado por Avraham “Yair” Stern, realizou tentativas de contato com autoridades da Alemanha nazista, propondo uma aliança militar e política contra a Grã-Bretanha.
De acordo com o veículo, um dos documentos resultantes desses contatos propunha uma “parceria ativa” com o regime nazista, fundamentada em “interesses compartilhados entre a política alemã e as aspirações nacionais judaicas”. A ideia também sugeria que um futuro “Estado judeu formaria uma aliança com o Reich alemão”.
Embora os contatos não tenham obtido sucesso, o Haaretz informa que a força paramilitar sionista Haganah, na Palestina, monitorou de perto essas movimentações. Segundo o jornal, os arquivos acessados registram declarações de Golomb, uma das lideranças da Haganah, feitas em 1941 em dois fóruns fechados e comprovam tais contatos.
“Não há dúvida de que houve uma tentativa de contato com os alemães, e é possível que tenham prometido algo, talvez uma força policial judaica interna”, diz Golomb, conforme os registros, acrescentando que o governo britânico havia obtido material que poderia ser usado politicamente contra a comunidade judaica, e que “vários judeus foram presos, suspeitos de conexões ou tentativas de conexão com italianos ou alemães, muito provavelmente com os alemães”.
O líder da Haganah também mencionou um panfleto interno do grupo Lehi, que explicava a ideologia do grupo: “A Grã-Bretanha é uma traidora. Quem decidiu que o lado oposto necessariamente era contra os judeus? De qualquer forma, os judeus devem conduzir uma política independente e se conectar com quem for valioso”.
O Haaretz também cita Zalman Shazar, que posteriormente se tornaria ministro da Educação e presidente de Israel.
“Conversei com alguém que leu aquele panfleto, e ele me transmitiu seu conteúdo. Os nazistas são de fato contra os judeus, mas seu ódio é direcionado aos judeus da diáspora. Não há oposição no programa nazista a um Judenstaat (um Estado judeu)”, declara Shazar, de acordo com os arquivos.

Zoltan Kluger/Government Press Office
Naftali Lubenchik, membro do Lehi, também é mencionado, ao ter sido enviado para se encontrar com representantes alemães. Segundo o jornal, um documento de 1951 afirma que Lubenchik acreditava que “o Eixo não busca a destruição física do povo judeu, mas sim sua expulsão da Europa e sua concentração em um único lugar”, descrito como “Terra de Israel”. Acrescenta ainda que o membro buscava “provar aos formuladores de políticas do Eixo que valeria a pena designar Eretz Yisrael (Terra de Israel) como esse local de concentração, conquistando assim a amizade do povo hebreu, que se alistaria para esse fim na guerra contra a Inglaterra”.
A reportagem inclui ainda declarações de dois líderes do Lehi que apoiaram os laços com os nazistas. Tratam-se de Natan Friedman, futuro membro do Parlamento israelense do Knesset, e Israel Eldad, considerado “ideólogo” do Lehi: o primeiro escreveu em 1943 que a Alemanha nazista não havia sido derrotada e que poderia se tornar uma “aliada” do grupo; o segundo disse, em 1949, defender a busca de um aliado contra a Grã-Bretanha.
Segundo o Haaretz, os contatos do Lehi com os nazistas não resultaram em nenhum acordo prático. O líder do grupo, Avraham Stern, foi morto pelos britânicos em 1942.
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