
No dia 30/03, trabalhadores de saúde do munícipio de Campinas no estado de São Paulo, paralisaram as atividades em denúncia ao desmonte do setor público da cidade na gestão do atual prefeito Dário Saadi (Republicanos)
Vinnicius de Aguiar | Campinas (SP)
Saúde – Resultado do desmonte do serviço público, diversos trabalhadores têm sentido na própria pele o aumento da precarização de seu trabalho. Em Campinas, uma das maiores cidades de nosso país, o prefeito Dário Saadi (Republicanos), que é médico de carreira, não tem poupado esforços para destruir a saúde municipal.
Com o avanço da política de privatizações, que favorece apenas os interesses dos ricos da cidade, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) passaram a funcionar a cada ano com menor quadro de profissionais concursados e com cada vez mais setores geridos pela iniciativa privada, além da limpeza e segurança.
Desde 2025 até as recepções passaram a ser responsabilidade de uma empresa terceirizada, dificultando o atendimento realizado para a população devido a falta de treinamento, instrução e alta rotatividade das equipes contratadas, ocasionando ameaças, quebra de equipamentos e situações de violência física, como o caso mais recente no Centro de Saúde “Mário de Campos Bueno Júnior” (CS Centro).
Falta de profissionais revolta trabalhadores
Essa unidade, que atende milhares de trabalhadores da região central, está sobrecarregada, pois, além de ser obrigada a exercer funções extras porque não há Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para emergências na região. Além disso, de acordo com a agente de saúde Lilian “Há uma falta crônica de profissionais. De cinco médicos, há apenas dois. Faltam, no mínimo, oito agentes comunitários de saúde, técnicos de enfermagem, técnicos de farmácia e administrativo — todos não repostos após saídas”.
A resposta da Secretaria Municipal de Saúde é maquiar e esconder os dados da população, conforme despacho que consta não ser “diretriz da secretaria a colocação de cartazes informando ausência de qualquer recurso ou profissional.”
Paralisação dos trabalhadores
Diante da situação inaceitável, os trabalhadores do Centro de Saúde “Mário de Campos Bueno Júnior” se organizaram em reuniões e assembleias e decidiram por uma paralisação no dia 30/03, segunda-feira.
O objetivo foi a politização da situação da saúde e aprofundar a relação com os trabalhadores da região. Além disso, a comunidade, junto aos trabalhadores e ao Movimento Luta de Classes tem lutado para desmentir a mídia burguesa.
Como relata a agente comunitária de saúde, Rosana (nome fictício) “A paralisação da segunda-feira está sendo noticiada como um ato contra a violência, né? Mas a gente sabe que não é este o ponto. O ponto é o despacho da prefeitura, a revolta das pessoas e essa questão absurda da não contratação de profissionais.”.
A paralisação foi uma grande vitória, mesmo que parcial, com diálogos e conquistas de apoiadores para a luta e a fundação de um núcleo da saúde com as associações ao MLC feitas durante a atividade.
A trabalhadora Lilian completa: “A paralisação teve esse sentido: não apenas denunciar as agressões, mas politizar o problema. Mostrar que a indignação da população é legítima, e essa revolta precisa ser direcionada para quem, de fato, é responsável por essa situação: a gestão e a política de destruição dos serviços públicos. A avaliação da equipe é que esse objetivo foi, em grande parte, alcançado, especialmente com o apoio do MLC, que contribuiu para o diálogo com a população e para a politização da questão.”
Os verdadeiros culpados do desmonte do serviço público são Dário e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que trocou a água do estado de São Paulo por tostões no próprio bolso e fatiou o transporte público para aumentar ainda mais os lucros das grandes empresas.