
Os estudantes de Pedagogia da Universidade de Pernambuco (UPE) em Petrolina, sertão pernambucano, receberam uma aula com a participação da Frente Negra Revolucionária (FNR) sobre a participação e resistência da militância negra durante as duas décadas de regime militar no Brasil
André Luiz| Redação Petrolina
SOCIEDADE- A Frente Negra Revolucionária (FNR) participou de uma aula pública sobre o golpe militar e a resistência negra em 1964, na Universidade de Pernambuco (UPE) em Petrolina com os estudantes de Pedagogia. A aula expôs as chagas da democracia brasileira, evidenciando como os fantasmas do passado retornam para ameaçar nossa frágil institucionalidade. O golpe partiu da cúpula do Exército, tendo como comissão de frente Castelo Branco, que assumiu o poder sob a premissa de que o controle do Brasil seria devolvido à população civil. Jango, o presidente deposto sob a alegação de estreitos laços com o “comunismo” e massacrado pela mídia, acabou cedendo ao golpe sem resistência armada, surpreendido pela rapidez da engrenagem civil-militar.
A aula abordou o protagonismo negro em resistência contra o regime militar, que atingiu todos os setores da nossa sociedade e deixou marcas até nossos dias. Muitas que ainda não foram cicatrizadas.
Resistência Negra durante o regime militar
A resistência negra no Brasil foi marcada por diversos movimentos, desde a Frente Negra no pós-abolição ao Movimento Negro Unificado. A aversão ao regime ditatorial afetou todas as relações políticas, do grande capital às cidades do interior do Estado. Manoel Aleixo, patrono da FNR, foi uma das vítimas da sanha dos militares. Aleixo, trabalhador rural com pouco grau de instrução formal, demonstrou uma liderança nata: em 1963, foi escolhido por delegados sindicais por sua responsabilidade ingressando posteriormente no Partido Comunista Revolucionário (PCR), assumindo rapidamente o protagonismo no movimento operário, especialmente na Zona da Mata Sul, junto aos agricultores e trabalhadores do campo.
Manoel Aleixo da Silva, o “Ventania”, foi morto em 1973 durante a repressão contra militantes do PCR. Sequestrado dentro de sua casa, levado até a sede do IV Exército, no Recife, onde foi submetido a torturas e assassinado. Seu corpo nunca foi entregue à família, permanecendo desaparecido até hoje.
Contextualizar esses fatos históricos é de suma importância. Para nós, membros da FNR e da Unidade Popular, ocupar esses espaços públicos é essencial para dialogar com a população, e reafirmar que a ditadura militar é algo que deve ser repelido em todas as suas mutações, seja nos discursos de ódio, seja na ótica revisionista que nega a corrupção daquele período.
Após a apresentação, houve um debate com os estudantes presentes, tirando dúvidas, reafirmando a necessidade da memória, verdade e justiça e do compromisso que temos de cobrar ao Estado brasileiro a responsabilidade pelo sequestro, tortura e desaparecimento de Manoel Aleixo e tantos outros lutadores e lutadoras de nosso povo.