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Governo Lula prepara novo Desenrola com descontos de até 90% nas dívidas

O presidente Lula esteve reunido nesta terça-feira (28) com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresentou as propostas para ampliar o programa de renegociação de dívidas, Desenrola Brasil.

Chamada nos bastidores de Desenrola 2.0, a proposta visa combater o elevado nível de inadimplência que atinge a população brasileira diante da persistência dos juros elevados, mantidos pelo Banco Central.

Em coletiva de imprensa na segunda-feira (27), após reunião com os maiores bancos do país, Durigan confirmou que a ideia é lançar a nova proposta de renegociação antes de sexta-feira, 1º de maio, quando se comemora o Dia Internacional dos Trabalhadores.

Entre as novidades que deverão ser anunciadas está a liberação de até R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os trabalhadores possam pagar ou abater dívidas. Há o indicativo de que haverá um limite de uso do FGTS de até 20%.

Informações obtidas pela colunista Miriam Leitão indicam que a equipe econômica trabalha para atingir um montante de cerca de R$ 100 bilhões em dívidas.

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Para dar garantia aos bancos que irão conceder descontos nas renegociações, o governo deverá aportar cerca de R$ 9 bilhões no Fundo de Garantia de Operações (FGO).

O rotativo do cartão de crédito está entre os principais motivos de endividamento dos brasileiros, correspondendo à metade do montante de dívidas da população que a Fazenda quer atacar.

A nova versão do Desenrola deverá atender devedores com contas em aberto entre três meses e dois anos, com descontos nas renegociações que vão de 40% a 90%. O novo saldo pactuado após o desconto poderá ser parcelado em quatro anos com taxas de juros de, no máximo, 1,99% ao mês. Estarão aptos a participar da nova fase do programa pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

Endividamento

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas. O dado se refere ao mês de março, quando o índice alcançou o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Em nota, a Confederação destaca que é fundamental uma solução imediata para o endividamento, enquanto o Banco Central não altera a política monetária, uma vez que os juros de 14,75% ao ano têm sido extremamente lesivos.

“O cenário já é reconhecido pelo governo federal como um problema que precisa de solução imediata, enquanto a CNC destaca que o endividamento continuará avançando até os efeitos da flexibilização da política monetária chegarem efetivamente ao consumidor final”, diz a entidade.

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