
Grêmios Estudantis combativos são a base para o avanço da luta secundarista e a resistência contra o autoritarismo e a opressão escolar.
Vinícius Brainer e Daniel Tito
No sistema capitalista vigente, no qual os ricos e poderosos tomam todas as decisões sobre a sociedade em que vivemos e, consequentemente, sobre os rumos do nosso futuro, é comum nos depararmos com a ideia de que o povo não tem outra escolha que não seja aceitar essas injustiças. No entanto, a História nos mostra que o povo não aceita a opressão de cabeça baixa, mas a enfrenta por meio da luta popular. Em meio ao povo brasileiro, uma parcela da juventude se mostra incessantemente combativa: os estudantes secundaristas.
Os estudantes secundaristas foram fundamentais em grandes jornadas de lutas e conquistas que marcam a História do Brasil. Entre essas, destacam-se: a campanha “o petróleo é nosso”, que defendia a soberania nacional na extração do petróleo e garantiu a criação da Petrobras; a luta contra a Ditadura Empresarial-Militar fascista e pela redemocratização; a conquista da meia-entrada e a própria escola pública, universal e gratuita que conhecemos hoje. Em todas essas lutas, houve um elemento fundamental de politização, organização e empoderamento da juventude secundarista: os Grêmios Estudantis.
Para além de sustentar as grandes lutas e grandes conquistas do Movimento Estudantil, os Grêmios são os instrumentos que garantem as melhorias particulares de cada escola e cada comunidade, como a conquista de uma merenda de qualidade, da reforma de uma quadra, da demissão de um professor abusador, a climatização das salas de aula, etc. Ademais, a própria existência de uma organização estudantil em uma escola já cumpre um papel fundamental na construção de uma escola mais democrática, inclusiva e acolhedora para a juventude, pois descentraliza a autoridade e as decisões das figuras das diretorias, coordenadorias e supervisões, que muitas vezes podem ser autoritárias e opressoras. Um Grêmio consolidado e ativo estabelece o poder popular dentro da escola, dá voz aos estudantes e garante que a juventude tenha o seu direito digno de decidir sobre os rumos da sua escola. Afinal, a escola sem o estudante é apenas um prédio vazio. Por isso, para o Movimento Rebele-se, os Grêmios são a base que dá sustentação a um movimento estudantil combativo e influente.
Alguns exemplos de Grêmios que o Rebele-se ajuda a construir
Como exemplo de conquistas de direitos através das lutas, nós temos o Grêmio Amaro Luiz de Carvalho, do C.E. Amaro Cavalcanti, no Rio de Janeiro, que conquistou a abertura de uma biblioteca na escola a partir de um abaixo-assinado com 300 assinaturas. Outro grande exemplo foi a luta tocada pelo Grêmio CEPAP, do Colégio Pedroso, no estado do Pará, que em 2017 organizou diversos atos na Secretaria de Educação do Estado, denunciando a diretora autoritária da escola que atrapalhava que o Grêmio fizesse suas atividades e continuasse funcionando. Depois desses diversos atos, que vale ressaltar que tinham muito apoio dos estudantes, na SEDUC e diversas agitações dentro da escola, o Grêmio conseguiu expulsar a diretora e seguiu funcionando e organizando atividades.
Esses relatos representam um histórico de lutas e conquistas ainda maior, que se estendem desde a conquista da sala do grêmio até o passe-livre nas cidades.
Contra as perseguições! Vamos à luta!
Mas fato é que estamos vivenciando uma crescente onda de perseguição aos Grêmios Estudantis em todo o Brasil. Não é à toa. Como vimos, os Grêmios que ousam lutar, vencem. E é exatamente por esse motivo que diversas direções escolares começaram a tentar cada vez mais perseguir os Grêmios. Começam não deixando o Grêmio passar em sala, depois não podem organizar atividades na escola, em pouco tempo as reuniões do Grêmio são fiscalizadas por algum funcionário, e sem que sequer percebamos, o Grêmio é obrigado a fazer serviços para a direção escolar.
Livros sendo carregados de um lado para o outro; a fila da merenda que só é organizada pelos gremistas; limpezas em ambientes da escola… Tudo isso são situações em que diversos Grêmios se encontram hoje. Precisamos acabar com isso. É absurdo que os Grêmios sejam utilizados como funcionários públicos das instituições de ensino e deixem de cumprir com seu papel histórico de organizar os demais estudantes na busca pelos direitos através da coletividade.
Para além de controlarem os grêmios que foram criados independentemente pelos estudantes, as secretarias de educação de vários estados, como Rio de Janeiro, São Paulo e Pará, passaram a orientar diretamente a criação de grêmios nas escolas. É evidente que a intenção dos governos não é apoiar a atuação de grêmios livres e que reflitam as demandas estudantis, mas pelo contrário! Um grêmio aparelhado pelos governos estaduais cumpre muito bem o papel de frear o movimento estudantil, por vezes até melhor do que uma diretoria interventora.
Queremos Grêmios vivos, independentes das direções escolares. E para tal, o Movimento Rebele-se tem uma tarefa importante em estar mais próximo das diretorias dos Grêmios que já existem, formar centenas de novos Grêmios e, em cada escola, lutar pelo grêmio livre e combativo. Isso se faz debatendo sobre a importância do grêmio para a juventude e garantindo, nas batalhas do dia a dia, que o movimento estudantil fure a repressão das direções escolares e governos estaduais. Além disso, também se faz necessária a mobilização em defesa e pela ampliação da Lei federal do Grêmio Livre (Lei nº 7.398) que garante a livre organização dos estudantes.
Com determinação e coragem, faremos um novo tsunami de Grêmios fortes e rebeldes. Só a organização e a luta dos estudantes garantirão a nossa vitória!