
O evento “Mercado em Conexão” na UFMG reúne empresas da burguesia que buscam privatizar a educação pública e colocar a ciência a serviço do lucro. Realizada na Escola de Engenharia, a feira funciona como vitrine para setores interessados em capturar a produção acadêmica nacional e subordinar a universidade aos interesses do grande capital.
Pablo Daniel – Ribeirão das Neves (MG)
Nos dias 14 a 16 de abril, a UFMG realizou na Escola de Engenharia o “Mercado em Conexão”, evento realizado em parceria com algumas das principais empresas da burguesia nacional. Oficialmente, o evento é descrito como uma “feira de carreiras e inovação, capaz de interligar estudantes a grandes líderes do mercado”, de acordo com o portal de notícias da universidade e o site do evento.
Mas, na prática, o evento serve como vitrine dos interesses da burguesia e também como uma apresentação das “maravilhas” da inovação capitalista, um conto de fadas amado pelos defensores desse sistema podre. E isso no centro da maior universidade pública do país, tratado com naturalidade até mesmo pela atual gestão do DCE, que divulgou o evento nas suas redes.
Quem é que participa dessa vitrine (e quem a banca)?
Pois bem, as empresas que participam desse evento são… no mínimo curiosas. Vamos pelas mais notáveis.
- Localiza & Co, empresa pertencente a Salim Mattar, o maior doador da campanha da reeleição do governador fascista Romeu Zema (Novo-MG), com uma contribuição de R$5 milhões. Para retribuir o presente, Zema (também empresário) garantiu que a Localiza tivesse uma grande isenção fiscal que faria com que R$ 460 milhões não fossem aos cofres públicos.
- Nubank, banco digital cuja cofundadora, Cristina Junqueira, é próxima da produtora fascista Brasil Paralelo (essa mesmo, que produziu “documentários” antivacina e misóginos). Além disso, tem como Chefe Global de Políticas Públicas o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, capacho do presidiário Bolsonaro. Campos Neto não apenas ignorou as questões relacionadas ao Banco Master durante seu mandato, como também garantiu a manutenção do lucro dos rentistas sanguessugas ao manter a taxa de juros em 13,75%.
- Itaú Unibanco S.A., banco pertencente à família Moreira Salles (que possui R$ 128 bilhões de patrimônio acumulado). A família foi uma das principais financiadoras da Ditadura Militar fascista no Brasil. Além disso, o banco financia o grupo “Todos pela Educação”, uma fachada para um projeto de destruição da educação pública e abertura para os burgueses interessados em abocanhar dinheiro através do ensino privado.
- Vale S.A./Samarco Mineração, empresas responsáveis por dois dos maiores crimes ambientais da história recente do nosso estado e do país: os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, que causaram danos ambientais imensos e varreram cidades do mapa.
Qual a intenção dessas empresas dentro do contexto universitário, a ponto de ter um evento como esse?
As universidades públicas são os maiores polos de produção científica do nosso país e produzem para atender aos interesses nacionais, com um forte investimento público. Com isso, as empresas burguesas multinacionais são as maiores interessadas em botar as mãos nessa produção para lucrar com o que deveria servir às demandas da população.
Um evento como este visa sequestrar o potencial criativo e técnico de estudantes que deveriam servir à classe trabalhadora, entregando-os à ganância de empresas que lucram com a exploração e o entreguismo. É inadmissível que uma instituição pública como a UFMG abra suas portas para que a burguesia propague seus interesses e coopte mentes a serviço do capital. Frente ao acirramento da luta de classes, à manutenção da escravista escala 6×1 e à entrega de nossa soberania ao imperialismo, a juventude e a comunidade acadêmica devem se organizar para rechaçar essa afronta. É urgente retomar a universidade para os trabalhadores e lutar por uma ciência que, em vez de gerar lucros para poucos, atenda às reais necessidades do povo brasileiro.
