A Flotilha Global Sumud instou, nesta sexta-feira (01/05), os governos a pressionarem Israel para libertar os detidos de sua missão em Gaza. Os membros da coordenação internacional de ajuda humanitária, Saif Abukeshek, palestino residente em Barcelona, e o brasileiro Thiago Ávila, permanecem sob custódia.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que eles serão levados a Israel para interrogatório, numa tentativa de criminalizar sua participação em uma ação civil e humanitária contra o bloqueio de Gaza.
“Exigimos que todos os governos façam tudo o que estiver ao seu alcance para pressionar o regime israelense a libertar todos os sequestrados ilegalmente”, disse a flotilha.
A Marinha israelense deteve cerca de 175 membros da Flotilha Global Sumud, que se dirigia à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária aos palestinos. Segundo informações divulgadas pela Flotilha Global Sumud e pelas embaixadas, os ativistas, com exceção de Abukeshek e Ávila, estão sendo libertados em um porto grego.
Cerca de 21 das 58 embarcações foram interceptadas durante a madrugada de quarta (29/04) para quinta-feira (30/04), perto da ilha grega de Creta, a 500 milhas náuticas de Israel, o que significa mais de 12 dias de viagem para chegar ao território palestino.
A União Europeia, que se apresenta como defensora dos “direitos humanos”, no entanto, não garante a proteção de pessoas com necessidades humanitárias atacadas em águas internacionais. A Guarda Costeira também foi denunciada por não responder a chamadas de emergência emitidas por navios atacados.
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Ativistas sofrem violência de soldados israelenses
A Global Sumud Flotilla denunciou que seus membros detidos foram submetidos a 40 horas de violência a bordo de uma embarcação militar israelense em águas gregas. Os ativistas foram privados de comida e água adequadas e obrigados a dormir no chão, que teria sido inundado repetidas vezes pelas forças de ocupação sionistas.
A violência foi intensificada quando militares israelenses estavam levando Saif Abukeshek e Thiago Ávila como reféns. Nesse contexto, apesar de a tripulação ter resistido sem violência, eles foram agredidos pelos soldados israelenses com chutes e socos, além de terem sido arrastados pelo convés com as mãos amarradas atrás das costas.
Segundo a flotilha, os membros estão com ferimentos graves, alguns com narizes quebrados e costelas lesionadas. A organização também denunciou que disparos foram feitos em meio ao caos.
A polícia grega agora mantém a tripulação ferida presa em ônibus, negando-lhes a liberdade de sair. Sessenta dos participantes iniciaram imediatamente uma greve de fome.
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Países condenam interceptação ilegal
Os Ministros das Relações Exteriores do Brasil, Turquia, Jordânia, Mauritânia, Paquistão, Espanha, Malásia, Bangladesh, Colômbia, Maldivas, África do Sul e da Líbia condenam, “nos termos mais enérgicos”, o ataque israelense à Flotilha Global Sumud.
De acordo com a declaração conjunta, os países classificaram a ofensiva e detenção ilegal em águas internacionais como “flagrantes violações do direito internacional e do direito internacional humanitário”.
Os Ministros manifestam profunda preocupação com a segurança dos ativistas civis e insta as autoridades israelenses a adotarem as medidas necessárias para assegurar sua libertação imediata. Como também solicitaram a comunidade internacional a cumprir suas “obrigações morais e jurídicas de respeitar o direito internacional, proteger civis e assegurar a responsabilização por essas violações”.
A Global Sumud Flotilha é uma missão humanitária civil, composta por médicos, jornalistas e ativistas, em cerca de 50 embarcações, que leva mantimentos, medicamentos e alimentos para Gaza.
Desde 2007, Israel impôs um bloqueio à Faixa de Gaza, deixando cerca de 1,5 milhão de palestinos, de um total de aproximadamente 2,4 milhões, desabrigados, após suas casas terem sido destruídas durante a guerra.
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