
O Curso Popular da Aerj já reúne 19 turmas em nove cidades do Rio, levando educação crítica e inclusiva a comunidades da periferia do estado.
Redação RJ
EDUCAÇÃO – A Associação dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (Aerj) iniciou, neste ano, o Curso Popular da Aerj, fruto de emenda parlamentar do deputado federal Glauber Braga (PSOL). A iniciativa já atua em comunidades do estado, com 19 turmas distribuídas em nove cidades, promovendo uma educação crítica, inclusiva e acessível.
O curso oferece as disciplinas de Pensamento Social Brasileiro, Libras, Anticapacitismo e Inglês Instrumental. As aulas acontecem na Baixada Fluminense, Região dos Lagos, Leste Metropolitano e na Capital, com presença em territórios como a Maré e o Complexo da Penha – áreas que, recentemente, enfrentaram massacres e chacinas promovidas pelo ex-governador fascista Cláudio Castro (PL).
Para Bia Martins, coordenadora-geral do projeto, “entrar com educação onde o Estado, muitas vezes, chega com violência é uma forma de garantir direitos, ampliar as perspectivas e dar dignidade para o nosso povo”.
Proposta pedagógica coletiva
Do ponto de vista pedagógico, o Curso Popular da Aerj é estruturado para formar estudantes críticos, ativos e conscientes de seu papel na sociedade. A proposta pedagógica, construída coletivamente entre coordenação e professores, parte do princípio de que o aprendizado deve ser participativo e provocador, e não apenas passivo.
Nesse processo, o estudante ocupa um papel central. As aulas são pensadas para estimular o questionamento, a troca de ideias e a construção coletiva do conhecimento, sempre conectadas ao cotidiano dos alunos. Isso se reflete em iniciativas práticas, como a comunicação com colegas surdos, o interesse por conteúdos em outros idiomas e a autonomia para compreender informações em inglês no dia a dia.
Os resultados aparecem de forma gradual, mas significativa. Mais do que um espaço de ensino, o curso busca ir além da sala de aula, ampliando horizontes, fortalecendo o senso crítico e promovendo o sentimento de pertencimento.
Para Bertrand Lima, coordenador pedagógico do projeto, a iniciativa também evidencia a necessidade de maior compromisso do poder público. “Se experiências como essa conseguem avançar, o Estado também precisa se comprometer com a construção de uma educação pública que atenda às demandas dos estudantes. Isso inclui não apenas a formação crítica, mas também condições materiais, como material escolar, auxílio-transporte, alimentação e creche”, destaca.
Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade