
O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocupou sedes da Caixa Econômica em diversos estados para pressionar por moradia digna às famílias pobres organizadas.
Bruno Ferreira | Porto Alegre (RS)
BRASIL – No último dia 27 de março, o Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas (MLB), realizou ocupações na Caixa Econômica Federal em diversos estados do Brasil. Esses atos buscavam pressionar a Caixa e o Governo Federal a cumprirem imediatamente a promessa de investimentos para a construção das casas do Programa Minha Casa Minha Vida – Entidades, modalidade que beneficia famílias pobres organizadas em movimentos de luta por moradia.
O MLB também reivindicava uma reunião urgente com a direção nacional da Caixa para expor as demandas do movimento, cobrar o cumprimento do edital e apresentar propostas de melhorias, tanto do programa em si, quanto do sistema de seleção da portaria, que continua em aberto.
Através dessa luta nacional, que colocou centenas de famílias das ocupações e dos núcleos do MLB nas sedes da Caixa em dezenas de cidades, a reunião foi marcada e aconteceu no dia 31 de março. Nela, o MLB relatou os problemas no sistema de inscrição e seleção da atual portaria e criticou o fato de que somente a construção das 22 mil unidades habitacionais apresentadas pelo governo é insuficiente para atender às 6 milhões de famílias sem teto no nosso país.
De fato, enquanto o governo faz propaganda de que nos últimos três anos entregou dois milhões de unidades habitacionais pelo Minha Casa Minha Vida e que encerrará a gestão entregando ao todo três milhões, esquece de dizer que em sua esmagadora maioria essas moradias foram para as faixas 2, 3 e até 4, que entendem famílias com renda entre R$ 3.200 e R$ 13.000. Além disso, as unidades habitacionais compostas nestas faixas são todas construídas através de financiamentos às grandes construtoras que, como sabemos, servem apenas para engordar ainda mais o bolso de meia dúzia de milionários e endividar ainda mais nosso povo.
Atualmente, cerca de 70% da população brasileira recebe até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 3.242 por mês. Ou seja, é uma pequena parcela da população que tem acesso aos empreendimentos do MCMV nas faixas 2, 3 e 4.
Cada vez mais é necessário estar atento às artimanhas da burguesia e manter a chama da luta e da organização acesa em nós e em nossos companheiros e companheiras. Todos trabalhando para fortalecer e ampliar nossos núcleos e nossa certeza de que, construindo um grande e combativo MLB, poderemos conquistar o mundo melhor que tanto queremos, o socialismo.
Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade