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Trabalhadores da Uerj entram em greve por recomposição salarial

GREVE. Servidores da UERJ lotam assembleia que deflagrou paralisação. Foto: ATS

Com salários defasados em mais de 26%, os servidores técnico-administrativos da Uerj deflagraram greve em abril, após anos de descaso e promessas não cumpridas pelo governo estadual.

Núcleo MLC Uerj


BRASIL – Nos últimos anos, os servidores técnico-administrativos da Uerj vêm percebendo vários ataques contra o seu bolso, com grande defasagem salarial. Muitas reivindicações se acumularam nesse tempo, o que faz crescer a indignação dos trabalhadores. 

Durante o governo do fascista Cláudio Castro, o servidor da Uerj foi tratado como se não existisse. Ano após ano, os salários continuaram parados. A recomposição salarial, que fez parte da promessa de campanha eleitoral do ex-governador, foi fracionada, ignorando nos anos seguintes o restante do pagamento desse direito. Resultado: agora amargamos mais de 26% de defasagem salarial. 

A categoria se cansou de esperar a “negociação” entre sindicato e governo, pois notava que não estava dando em nada. Enquanto a indignação crescia e o bolso do servidor esvaziava, o Movimento Luta de Classes fazia o seu trabalho de base, conversando com vários servidores por toda a Uerj e mostrando as razões da situação pela qual estamos passando e o que fazer diante disso. Assim, já na assembleia de 28/01, foi votado e aprovado o “estado de greve”.

E a direção do sindicato?

Porém, mesmo com a base se mobilizando e com o estado de greve aprovado, a assembleia seguinte, em 24/02, foi palco de uma ação vergonhosa por parte da direção do Sintuperj, o sindicato que representa os servidores administrativos da Uerj. 

Diante de um auditório lotado, com mais de 200 pessoas dispostas a construir a greve, a diretoria do sindicato simplesmente se retirou da mesa, alegando que a base “precisaria buscar 10% de assinaturas dos sindicalizados” para convocar uma nova assembleia com indicativo de greve. Para piorar, o sindicato só protocolou o estado de greve no início de março, após um mês de aprovada a proposta!

A oposição sindical conseguiu reunir as assinaturas dos sindicalizados necessárias para convocar a assembleia da greve, mas, novamente, a diretoria do Sintuperj se negou a votar a proposta. A assembleia, então, foi tomada pela base com as assinaturas em mãos. Mais de 250 servidores foram à sede do sindicato para entregar o documento, exigindo que o prazo estatutário para convocar a assembleia de greve fosse cumprido.

Finalmente, a assembleia foi realizada e aprovou o indicativo de greve na Uerj, que foi deflagrada no dia 9 de abril. 

A categoria unida venceu, e continua organizada, avançando no trabalho de mobilização da greve, com o MLC atuando na linha de frente com outros movimentos para que a greve seja combativa e traga retornos reais para os trabalhadores. 

O recado foi dado: não aguentamos mais tanto descaso! A Uerj está em greve e lutando pela manutenção e melhoria de uma universidade pública de qualidade.

Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade