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Contra o imperialismo e as guerras, é hora de tomar partido!

NÃO À GUERRA. EUA e Israel são inimigos dos povos. Foto: Donavan Sampaio (JAV/DF)

Dois meses após o início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que já deixou mais de 5 mil mortos, incluindo centenas de crianças, a resistência do povo iraniano e a pressão internacional obrigaram Donald Trump e Benjamin Netanyahu a recuar e aceitar um cessar-fogo.

Comitê Central do PCR


MUNDO – Já se passaram dois meses desde que os Estados Unidos e Israel se uniram numa aliança militar criminosa para tomar posse, à força, do petróleo e do urânio do Irã. As bombas e mísseis imperialistas já causaram a morte de mais de 5 mil pessoas, entre elas 180 crianças em uma escola de meninas na cidade de Minab, no sul do país.

Mas a resposta militar do Governo e do povo do Irã aos covardes bombardeios, além das inúmeras manifestações contra a guerra em todo o mundo, fizeram os ditadores Donald Trump e Benjamin Netanyahu recuarem e aceitarem um cessar-fogo, frustrando os planos de derrubar o Governo iraniano e transformar o país em colônia dos monopólios capitalistas.

Trump e as Forças Armadas dos EUA esperavam que o Governo do Irã agisse da mesma maneira que as forças armadas e o Governo da Venezuela, isto é, se rendesse sem disparar um único tiro e aceitasse ser governado sob as ordens da Casa Branca e da CIA. Deram com os burros n’água!

O Irã, além de possuir a terceira maior reserva de petróleo do mundo – a primeira é da Venezuela e a segunda é da Arábia Saudita –, tem uma força militar capaz de contra-atacar e um povo disposto a defender sua pátria diante de uma agressão imperialista.

De fato, mísseis iranianos venceram o sistema antimíssil de Israel e atingiram grandes cidades, como Tel Aviv e Haifa, causando enormes danos aos sionistas. Além disso, o Irã também lançou mísseis contra bases militares e empresas dos EUA sediadas na Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes e Kwait, países governados por monarquias reacionárias defensoras do saque imperialista no Oriente Médio.

Contra as guerras imperialistas

O resultado da resistência iraniana é que os EUA estão hoje isolados, são repudiados pelos povos de todo o mundo e não têm nem mesmo o apoio militar de vários países europeus. Além disso, cresce o descontentamento do povo estadunidense contra a guerra e o crescimento da inflação no país devido ao aumento do preço do petróleo e dos bilhões de dólares gastos por Trump. 

Essa é a segunda guerra que EUA e Israel promovem contra o Irã nos últimos 12 meses. Portanto, tudo indica que os ataques continuarão, pois o imperialismo, embora tenha sofrido um revés, não foi destruído.

De fato, como sabemos, as causas das guerras imperialistas são as contradições entre as potências capitalistas, em particular EUA, China, Rússia e União Europeia (Alemanha, Reino Unido e França, principalmente), que disputam uma nova partilha do mundo para dominar os países que são fontes de matérias-primas, controlar o mercado mundial e, consequentemente, enfraquecer os seus concorrentes.

Porém, como demonstrado pelo número cada vez maior de guerras (Ucrânia, Palestina e Irã, a invasão da Venezuela, a disputa por Taiwan e as ameaças a Cuba, entre outras) e a crescente guerra comercial entre EUA e China, não é mais possível resolver essas contradições pacificamente. Um exemplo: a Federação das Indústrias Alemães publicou, no final de 2025, um documento no qual afirma que os monopólios da indústria automobilística alemã (Volkswagen, Daimler e Porsche), em vez de fabricarem mais carros, passem a fabricar tanques e armas, pois “uma defesa integral sólida vai muito além do militar: a economia, a indústria, a pesquisa e a sociedade são pilares indispensáveis”. O documento defende “um maior investimento governamental” em armamentos, argumentando que “a Alemanha é chamada a assumir responsabilidade na Europa” (Revista Unidade e Luta, 2026).

Em outras palavras, vivemos, neste século 21, um período onde a guerra e o aumento do poderio militar dos países mais ricos do mundo são o meio principal para tomar posse das riquezas dos países que mais possuem matérias-primas. Este é o caso da Ucrânia, da Venezuela, do Irã, mas também do Brasil, da Colômbia e de vários outros países da América Latina.

Por uma alternativa revolucionária

O Brasil não está alheio a essas disputas interimperialistas. Nosso país é rico em petróleo, ferro, água, possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e é o país com mais terras férteis da América. Não há dúvidas de que todas essas riquezas estão na mira das potências capitalistas. 

Tal situação impõe aos comunistas revolucionários a tarefa de esclarecer à classe trabalhadora de que somente é possível acabar com as guerras se o imperialismo capitalista for destruído. Em suma, para impedir a continuidade das atuais guerras e novas guerras, inclusive contra o nosso povo, necessitamos realizar a revolução socialista em nosso país.

Porém, o Governo do PT optou por manter uma política econômica de submissão aos bancos, ao capital financeiro e à grande burguesia nacional, em particular ao agronegócio. O resultado dessa política são as altas taxas de juros, o endividamento de mais de 80% da população e o aumento dos preços dos alimentos, em virtude da prioridade para exportação de alimentos e do abandono da reforma agrária. Ademais, a manutenção da reforma trabalhista pelo Governo Lula mantém milhões de trabalhadores sem direitos e recebendo salários baixos para que os capitalistas tenham cada vez mais lucros.

A consequência é o aumento do descontentamento da população com o Governo e a piora das condições de vida da sociedade. Some-se a isso o escândalo do INSS; o caso do banco Master; a política de aproximação do Governo com Trump, subestimando o enorme sentimento anti-imperialista do nosso povo.

Na medida em que o Governo do PT perde apoio, a oposição fascista, apoiada pelos EUA e pelo grande capital nacional e internacional, se reorganiza e tenta se apresentar ao povo como a alternativa para mudar o país. Os mesmos que mataram 700 mil brasileiros ao não comprarem a vacina contra a Covid-19; que aumentaram a idade para aposentadoria; que defendem uma nova ditadura militar no país e a entrega de nossas riquezas aos EUA; que mentem e enganam nosso povo.

Fortalecer a UP e a luta pelo socialismo

Nesse cenário, temos somente uma saída para o país: a alternativa popular e revolucionária representada pela Unidade Popular (UP).

Mas, se quisermos derrotar o candidato do fascismo à Presidência, a política de conciliação com o Centrão e construir o socialismo em nosso país, é fundamental fortalecer a UP, multiplicar seu número de filiados, organizar seus núcleos e fazer que cada movimento assuma a palavra de ordem de que “é hora de tomar partido”. Isso significa que, na batalha eleitoral que se aproxima, precisamos colocar a UP na vanguarda de todas as nossas lutas e ações.

Assim, todos os militantes do Partido devem realizar, nos próximos meses, uma grande campanha de filiação à UP. Vamos ocupar os bairros, fábricas, escolas, universidades e locais de grande agitação com o jornal da UP, com nossas bandeiras e com as verdadeiras propostas que podem mudar o Brasil, reduzir a jornada de trabalho, garantir o aumento geral dos salários e  melhorar as condições de vida do povo.

Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade