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O papel dos secundaristas na construção do Brasil, por Roberta Pontes

Os estudantes secundaristas, por meio de sua auto-organização, cumprem historicamente um papel essencial na construção do nosso país, como vanguarda das lutas de massas do nosso povo, contribuindo para a garantia de um Brasil democrático, forte e soberano.

Foi assim na resistência à ditadura militar, lutando diariamente contra um regime que oprimia, matava e sequestrava milhares de brasileiros. Foi assim quando conquistamos a Lei do Grêmio Livre, garantindo, no processo de redemocratização do país, a auto-organização dos estudantes. E também quando pintamos nossos rostos de verde e amarelo no movimento “Fora Collor”, contribuindo para a queda do presidente. Também conquistamos, com muita força, rebeldia e mobilização, o direito ao voto aos 16 anos, garantindo que a juventude tivesse voz ativa nos rumos do país.

De lá para cá, a Ubes segue sendo vanguarda nas lutas do nosso povo. Há não muito tempo, ocupamos escolas em todo o Brasil contra a chamada PEC do Fim do Mundo, em defesa de uma escola pública de qualidade para todos. Em nosso DNA carregamos lutas que atravessam a sala de aula e o país, pois a construção de escolas mais desenvolvidas está diretamente ligada à construção de um Brasil mais desenvolvido.

Mesmo diante de desafios e derrotas, seguimos firmes. Em períodos de avanço do negacionismo e do desprezo pela vida, mantivemo-nos na linha de frente em defesa “da vida, do pão, vacina e educação”, enquanto o outro lado promovia o descaso que custou a vida de milhares de brasileiros. Os estudantes secundaristas se mantiveram firmes na defesa da vida do nosso povo e do Brasil.

Saiba mais: Livro conta história de lutas de “Uma Revolução Chamada Grêmio Livre”

Com os cortes na educação, construímos o que chamamos “tsunamis da educação”. Em cada canto do país, um estudante permaneceu como sentinela em luta, na defesa dos nossos ideais. Foi com muito esforço que conquistamos o novo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) permanente, garantimos conectividade nas escolas e fortalecemos a defesa da educação pública.

Esse acúmulo de lutas nos colocou de forma decisiva no cenário eleitoral de 2022. Nossa tradição de mobilizar a juventude a partir dos 16 anos ajudou a garantir a emissão de mais de dois milhões de títulos de eleitor, contribuindo para a derrota da barbárie e do fascismo do governo de Jair Bolsonaro e garantindo, então, a vitória de um projeto comprometido com o Brasil e seu povo.

A luta contra os retrocessos também se expressou na resistência ao novo ensino médio. Ocupamos as ruas em todo o Brasil pela sua revogação, denunciando esse modelo como instrumento de precarização da educação pública.

No processo de reconstrução do diálogo com o governo federal, após anos de retrocessos e
ataques à educação, avançamos com firmeza na construção de políticas públicas que garantem a permanência dos filhos e filhas da classe trabalhadora na escola.

E foi nesse contexto que surgiu o Pé-de-Meia, uma conquista concreta da luta dos estudantes, que já alcança cerca de 2,5 milhões de jovens em todo o país. Os resultados já são claros: o Pé-de-Meia contribuiu para uma redução histórica da evasão escolar. Enquanto em 2022, durante o governo fascista de Bolsonaro, a taxa de abandono no ensino médio era de 6,4%, em 2024 caiu para 3,6%, uma diminuição de 43%.

Mas, é preciso afirmar com todas as letras: nem o ensino médio como está posto, nem o próprio Pé-de-Meia — apesar de ser um programa gigante —, é suficiente para colocar a escola pública no lugar que acreditamos que ela deve ocupar.

A construção de um Brasil forte, soberano e democrático passa pela construção de uma nova escola, uma escola que sirva aos interesses nacionais e seja instrumento do desenvolvimento do nosso povo. Precisamos de um currículo contra-hegemônico, que enfrente a violência nas escolas, valorize o Brasil como país latino-americano — inclusive com o fortalecimento do ensino do espanhol — e supere as visões eurocêntricas que ainda predominam. Também é fundamental a construção de um currículo antirracista, como base para um Brasil verdadeiramente justo e igualitário.

Essa nova escola deve ser um espaço vivo de produção científica e tecnológica, contribuindo para o desenvolvimento dos territórios e estando a serviço da comunidade. Projetos culturais, científicos e tecnológicos precisam ser amplamente acessíveis, fortalecendo a gestão democrática prevista no Plano Nacional de Educação, uma conquista que é fruto direto da luta dos estudantes.

Com o avanço da extrema direita nos estados, vivenciamos ataques profundos à educação: sucateamento estrutural, militarização e privatização das escolas. Trata-se de uma disputa de projetos de Brasil que começa dentro da sala de aula.

Diante disso, torna-se cada vez mais necessária a auto-organização dos estudantes. Surge, então, um novo desafio: a garantia dos grêmios livres. A instrumentalização dos grêmios estudantis por secretarias de Educação representa uma ameaça à autonomia estudantil. Precisamos lutar pela reformulação da Lei do Grêmio Livre, garantindo sua independência em todo o Brasil.

A construção desse projeto de escola e de país passa também pelo cenário eleitoral. Sem a juventude, não há avanço possível na disputa de projetos para o Brasil. Garantir a ampla participação da juventude nas eleições é fundamental.

Nós, que conquistamos o direito ao voto aos 16 anos e mobilizamos milhões de jovens a tirarem seu título de eleitor, precisamos nos posicionar contra a extrema direita. Defender o Brasil é defender nossas escolas, nossas riquezas naturais, nossos territórios e o nosso povo. O que está em disputa é o nosso futuro.

Somos responsáveis por decidir o rumo do nosso país. Por isso, convocamos cada estudante secundarista que já tirou ou ainda vai tirar seu título de eleitor — o prazo termina no próximo dia 6.

A luta começa dentro da escola, na garantia dos grêmios livres, no enfrentamento à extrema direita, na construção de uma nova escola e na participação efetiva nas eleições de 2026, garantindo a eleição de lideranças comprometidas com a nossa educação, com a juventude e com o país. Isso é decisivo para os rumos do Brasil.

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