
Após a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) declarar fechada a mesa de negociação acerca das pautas de permanência dos estudantes, a juventude grevista, em ato com mais de 400 pessoas decidiu ocupar pacificamente o prédio da reitoria. Na madrugada do dia 10/05, em pleno dia das mães a polícia militar fascista de Tarcísio, invadiu a ocupação e com muita truculência, agrediu, prendeu e expulsou os estudantes
Maria Alice Galvão (DCE Livre da USP)| São Paulo
Juventude – Neste domingo (10/5), durante a madrugada e em pleno feriado do dia das mães, a Polícia Militar invadiu armada dos pés a cabeça a ocupação pacífica dos estudantes, que apenas esperavam o diálogo com o reitor através de uma nova mesa de negociação. Usando de cassetetes, spray de pimenta e bombas de efeito moral, diversos estudantes ficaram feridos, quatro foram detidos ilegalmente e a maioria não teve nem sequer tempo de retirar os seus pertences, tendo os seus itens trancados até o dia de hoje no local.
Mesmo se negando a abrir diálogo com os estudantes, a reitoria declarou em nota que não não houve nenhum aviso prévio sobre a desocupação por parte da PM de Tarcísio. Luciane, moradora do Capão Redondo (SP) e mãe de uma estudante da USP relata: ‘’Era pra ser um dia feliz, estávamos nos preparando para passar o dia na USP. Um dia feliz se tornou um dia de indignação, revoltante. É um absurdo toda a repressão que a reitoria está promovendo contra os estudantes da USP.’’
A grande verdade é que o reitor não passa de um fantoche do governador, defensores da mesma política de violência, morte e exclusão do povo pobre dentro dos espaços da sociedade. Essas ações só comprovam que o Estado burguês tem medo dos estudantes, e que portanto precisa usar da truculência ao extremo para reprimir a luta pois sabem bem que a juventude organizada reconhece o Tarcísio como inimigo número um.
Logo após a desocupação, dezenas de estudantes foram até a 7 Delegacia de Polícia exigir a soltura dos estudantes detidos e graças a pressão, a Polícia não teve outra alternativa a não ser de soltar os quatro grevistas.
Greve histórica
Ao contrário do que os representantes da reitoria e defensores do governo dizem, o prédio não foi depredado pelos estudantes. Desde o primeiro dia o DCE livre da USP organizou em assembleia estudantil comissões para garantir a limpeza, integridade e funcionamento da ocupação. A comissão de cultura organizou atividades de apresentação musical, além de mesas de formação com convidados, docentes e funcionários da USP.
Em uma das mesas, sobre história das greves na USP, Clóvis, ex-aluno de história na FFLCH, contou sobre a sua própria experiência de ocupar a reitoria. ‘’Essa luta a gente já travava em 1982, quando nós fizemos uma ocupação aqui da reitoria de 30 dias. E isso prova que o descaso é de décadas, não é de hoje. O tratamento que se dá à educação pública, principalmente nesse governo de hoje, é com desmonte, é com privatização, é acabar com cotas, acabar com tudo. Eles querem privatizar e elitizar mais ainda do que já é elitizado.’’
Na época, as pautas da ocupação eram para que não se cobrasse preço no bandejão e para melhorias no CRUSP, que estava totalmente abandonado, com apenas paredes de madeira. Ou seja, a verdadeira depredação é o que os governos, a mando do fascismo, realizam há décadas com a educação pública.
A ocupação também recebeu diversas visitas de apoiadores, que trouxeram doações e fortaleceram os estudantes grevistas para continuarem resistindo. Mesmo com o corte de água e de luz realizado a mando da reitoria, trabalhadores e trabalhadoras visitaram a ocupação e enviaram apoio como podiam.
No primeiro dia, com a campanha de que todo centavo é importante e de que cada pessoa pode ajudar com o que tem, conseguimos levantar centenas de arrecadações para autofinanciar a ocupação, e alimentos, água, café, entre outros, não pararam de chegar.
Paulinho, motorista de ônibus, ao visitar a ocupação com a sua filha e os seus três netos, relatou também que essa é uma luta que importa para toda a nossa classe. “O fato de estar aqui minha filha e os meus netos é o mesmo sonho que toda a sociedade tem de ver os seus filhos formados. A minha filha não é formada, mas quem sabe os meus netos conseguirão. Pelo o fato da gente lutar hoje pra ter mais acesso pessoas com menos condições financeiras, questão indígena, questão de negros, questão de trans, a sociedade no seu geral ter acesso à universidade, é extremamente importante a luta de todos”
E conclui: “A classe trabalhadora da Universidade de São Paulo, ou seja, os peões daqui, em sua maioria não tem os seus filhos formados aqui. Boa parte tem que pagar particular porque não tiveram acesso a isso aqui, que vai desde uma creche numa pré-escola desde a escola de aplicação, até o nível superior. Então, hoje em dia, quando a gente vê todos esses estudantes de origem mais humilde conseguir colocar suas pautas em dia independentemente de outras classes mais abastadas estarem aqui juntos é extremamente importante.’’
Dessa forma, assim como no mês de maio se comemora a vitória dos comunistas sob o nazismo na Alemanha, os estudantes também são capazes de enterrar de vez o Tarcísio e, mais do que isso, acabar com o fascismo no estado de São Paulo!
A resposta da juventude vai ser dada nas ruas, no próximo dia 20 de maio, em ato em defesa da universidade pública, pelo fim da violência policial, contra as privatizações e pelo Fora Tarcísio! Os estudantes, em conjunto com os trabalhadores, estão cansados da humilhação e da violência causadas por esse governo, que nunca ofereceu nada a nossa classe e que sempre defendeu os grandes ricos.