
Após 60 horas de ocupação dentro da Reitoria da USP, centenas de estudantes e apoiadores foram agredidos pela Polícia Militar, a mando do governador fascista Tarcísio de Freitas. Em resposta à violência policial, estudantes e trabalhadores convocam para a Marcha Popular do dia 20 de maio, rumo ao Palácio dos Bandeirantes.
Maria Alice Galvão e Nathalia Vergara | São Paulo (SP)
Juventude — Completando mais 60 horas de ocupação dentro da Reitoria da Universidade São Paulo (USP), centenas de estudantes e apoiadores reuniram-se para debater os próximos passos da mobilização que assumiu caráter estadual. Na madrugada seguinte à assembleia, no dia 10 de maio, porém, a Polícia Militar realizou uma invasão violenta contra os estudantes.
Em resposta à ilegal reintegração, entidades estudantis, alunos de escolas estaduais e técnicas e categorias de trabalhadores, sob a liderança do DCE Livre da USP, do DCE da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do DCE da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizaram uma manifestação na Praça da República, em São Paulo.
A unidade entre estudantes e classe trabalhadora indica o governador fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos) como o inimigo em comum. O governador foi apontado pela reitoria da USP como o responsável pelo fim da mesa de negociação da universidade, bem como o mentor político do violento e ilegal despejo da ocupação.

Truculência na madrugada do dia das mães
Em pleno feriado, a Polícia Militar realizou uma invasão violenta contra a ocupação pacífica dos estudantes, que reivindicam a reabertura da mesa de negociações como condição para sair do prédio.
A ação resultou em dezenas de estudantes feridos. Desses, cinco alunos foram levados à UPA Rio Pequeno para avaliar e tratar de fratura no nariz, braço deslocado e escoriações no rosto.
Uma das estudantes que estava no local teve seu braço quebrado pela polícia militar e relatou ouvir risadas durante as agressões e ameaças com o uso da arma de fogo. Ainda, quatro estudantes foram arbitrariamente detidos. Relatos também comprovam a depredação realizada pelos policiais e o impedimento de retirada de pertences pessoais.
Para o Diretório Central dos Estudantes, apesar da reitoria não ter sido a responsável por chamar a Polícia Militar, a gestão é conivente com as políticas de violência e exclusão estudantil.
Ocupação: vida, cultura e formação política
Diferente das narrativas de “vandalismo” propagadas pela mídia hegemônica, a ocupação foi um exemplo de organização. Comissões de limpeza e infraestrutura garantiram a integridade do prédio, enquanto a Comissão de Cultura promoveu debates e apresentações musicais.
Um dos momentos marcantes foi a fala de Clóvis, egresso da FFLCH, que relembrou a ocupação de 30 dias ocorrida em 1982. “O descaso é de décadas. O tratamento dado à educação pública, especialmente neste governo, é de desmonte e privatização para elitizar ainda mais a universidade”, afirmou o veterano.
A ocupação sobreviveu ao corte de luz e água impostos pela Reitoria graças ao apoio popular. Doações de alimentos e recursos financeiros chegaram por meio de trabalhadores que enxergam na USP um território que deve pertencer ao povo.
Paulinho, motorista de ônibus que visitou o local com sua família, resumiu o sentimento da classe: “Lutar pelo acesso de indígenas, negros e trans é lutar para que os filhos dos peões, que hoje trabalham aqui mas não podem estudar, ocupem este espaço.”
Violência policial e avanço do fascismo são projetos do Tarcísio
Para responder a violência policial e garantir que as pautas da greve sejam cumpridas, os estudantes e técnico-administrativos da USP, Unesp e Unicamp foram às ruas em 11 de maio, mesmo dia que ocorreria uma reunião entre as universidades estaduais para falar sobre a greve.
Em resposta à mobilização, a reunião foi cancelada e substituída por uma mesa de negociações. Até a publicação desta matéria, não houve retorno sobre o resultado desta reunião entre a reitoria e estudantes das três universidades.
Durante o ato, porém, a política violenta de Tarcísio se fez presente. Membros do MBL e vereadores de direita, como o fascista Robinho Nunes, estiveram presentes visando intimidar os estudantes. Já a polícia militar jogou bombas de efeito moral e gás de pimenta, além de terem agredido os manifestantes com cacetetes.
Apesar das tentativas de intimidação, os estudantes seguiram com a manifestação e expulsaram os agressores.

Ser jovem é ser revolucionário: Fora Tarcísio
Diretora do DCE Livre da USP e pré-candidata como Deputada Federal pela Unidade Popular (UP), Dany Oliveira, denuncia a privatização e o sucateamento do ensino público e convoca todos os estudantes a defenderem os direitos da juventude.

“É muito revoltante a gente chegar ao ponto que a gente chegou, em frente a reitorias que tomaram a decisão de jogar a administração da nossa universidade, a autonomia das nossas universidades, na mão do Tarcísio”, diz.
Dany Oliveira ainda convoca estudantes e trabalhadores para a Marcha até o Palácio dos Bandeirantes, que ocorrerá em 20 de maio de 2026, às 14h, no Largo da Batata.
“Essa polícia assassina do Tarcísio de Freitas acha ainda que bota medo na juventude de luta? Se enganam eles, porque a gente na história do movimento estudantil já dobrou governos e governos. Nós vamos, de uma vez por todas, estourar o portão das universidades para que todos que querem estudar tenham o direito de estudar e permanecer e se o reitor não quiser sentar para negociar orçamento… Então nós vamos cobrar do patrão dele!”
As pautas atuais — permanência estudantil e contra as privatizações — ecoam lutas históricas por moradia no CRUSP e bandejão acessível. Para os estudantes que constroem a greve, a verdadeira depredação do patrimônio público é aquela cometida pelo governo através do sucateamento orçamentário.
Esta é mais uma prova que a única saída contra o fascismo é a mobilização popular. Para derrotar o governo Tarcísio e seu programa de privatizações e ataques ao povo pobre será necessário unificar as lutas populares em São Paulo, mobilizar DCEs, CAs, grêmios estudantis, sindicatos e núcleos de luta para fortalecer a mobilização popular e a ocupação do Palácio dos Bandeirantes no próximo dia 20.