Notícias

Sánchez ironiza governadora de Madri por defender colonização no México: ‘passou vergonha’

Em ato político realizado neste domingo (10/05), o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou ironicamente a recente visita ao México protagonizada pela governadora da Comunidade Autônoma de Madri, Isabel Díaz Ayuso, uma das principais líderes da direita tradicional espanhola.

Em seu discurso durante evento em favor da saúde pública organizado na cidade de Cádiz, Sánchez se referiu ao anunciou feito por Ayuso e pelo Partido Popular, que confirmou o cancelamento de cinco eventos que estavam marcados no país norte-americano após a repercussão negativa de uma declaração na qual a governadora madrilenha defendeu o suposto “legado positivo” dos colonizadores espanhóis no México.

“Vocês viram o ‘espetáculo’ da Ayuso no México? A senhora Ayuso foi ao México dar lições de história, e acabou dando vergonha alheia”, satirizou o premiê espanhol.

Qué decir del PP y del espectáculo que ha dado Ayuso en México.

Ha ido a dar lecciones de historia y acaba dando vergüenza ajena. pic.twitter.com/d6zKuk6W6q

— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) May 10, 2026

O comentário se refere também ao ato chamado “Celebração pela Evangelização e a Mestiçagem no México: Malinche e Cortés”, cujo objetivo era fazer uma ode ao genocida espanhol Hernán Cortés, responsável por dizimar a civilização asteca.

O evento também menciona Malinche, ou Malintzin, uma mulher indígena mencionada na história como uma tradutora que acompanhou Cortés durante as guerras, e que alguns historiadores descrevem como “amante” do genocida e “traidora” do seu povo, enquanto outros a consideram vítima de violência sexual e forçada servir como tradutora.

Mudança de local

No dia do evento, em 4 de maio, militantes de diversas organizações sociais, encabeçados pelo Movimento dos Povos e Comunidades Indígenas (MPCI), se reuniram em frente à Catedral Metropolitana da Cidade do México horas antes do início do ato, em um protesto que exigia da governadora madrilenha o reconhecimento do genocídio cometido contra os povos originários mexicanos.

Na ocasião, Ayuso defendeu seu discurso habitual, pelo qual reivindica o “legado de Cortés” para o México: “contra aqueles que preferem semear o ódio e a discórdia, nós defendemos a mestiçagem e a união. Não pretendemos nem vamos dar nenhuma lição de história a ninguém, mas jamais vamos renegar tudo o que a Espanha fez (pelo México)”.

No entanto, os protestos levaram a Arquidiocese da Cidade do México a proibir a realização do ato na Catedral, o que obrigou os organizadores a uma mudança de última hora no local do evento.

Pedro Sánchez, Claudia Sheinbaum e Isabel Díaz Ayuso
Governo da Espanha / Governo do México / Partido Popular da Espanha

Críticas de Sheinbaum e Petro

A homenagem ao genocídio indígena no México foi criticada também pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, que afirmou, dias depois, em uma de suas tradicionais coletivas matutinas, que “àqueles que reivindicam a colonização espanhola como uma suposta ‘salvação’, nós dizemos que estão destinados à derrota”.

“Os que acham que o povo é burro também estão destinados à derrota, e os que querem defender Hernán Cortés e suas atrocidades estão destinados à derrota”, acrescentou.

Sheinbaum também disse que “ela (Ayuso) tem o direito de estar aqui, mas é importante saber o que ela diz, com quem se reúne e quem a trouxe, porque nós vemos alguns prefeitos e governadores da oposição (direita mexicana) tirando fotos com ela, e talvez eles estejam de acordo com a narrativa colonizadora”.

Quem também repudiou o evento e a declaração da governadora foi o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que escreveu nas redes sociais que “Hernán Cortés foi um genocida equiparável a (Benjamin) Netanyahu (premiê de Israel) e até superior. As contas sobre os assassinados por (Adolf) Hitler (ditador alemão) e Cortés chegam aos milhões de serem humanos”.

A repercussão pela mudança de local da “Celebração pela Evangelização” levou outras entidades a cancelarem cinco outros eventos da agenda de Ayuso no México, alguns na capital do país, outros na cidade de Monterrey.

Diante dessa situação, a governadora madrilenha anunciou seu retorno prematuro à Espanha – sua agenda previa estadia até este domingo, mas ela acabou regressando na sexta (08/05) – e acusou Sheinbaum e a “extrema esquerda” pelo ocorrido.

“Em um fato sem precedentes, o governo mexicano ameaçou os organizadores (dos eventos em que ela participaria), e para não prejudicar os empresários mexicanos nem os participantes das celebrações, decidimos aceitar a suspensão”, alegou.

O governo do México afirmou em nota oficial que não houve qualquer tipo de ameaça por parte do Poder Executivo a qualquer ato no qual participou a governadora Ayuso, e a instou a apresentar provas sobre sua acusação.

O post Sánchez ironiza governadora de Madri por defender colonização no México: ‘passou vergonha’ apareceu primeiro em Opera Mundi.