
Diante do aumento da violência de gênero e do assédio nas escolas, movimentos estudantis e o Movimento Olga Benario convocam para o dia 19 de maio o Dia Nacional de Luta contra o Assédio e a Violência nas Escolas.
Movimento Olga Benario
MULHERES – O avanço da violência de gênero nas escolas brasileiras tem levado estudantes a se organizarem em todo o país. Como resposta, o dia 19 de maio está sendo construído como um Dia Nacional de Luta contra o Assédio e a Violência nas Escolas, impulsionado por movimentos e entidades estudantis e o Movimento de Mulheres Olga Benario.
A iniciativa surge num cenário preocupante. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a violência sexual contra crianças e adolescentes segue em crescimento no país, atingindo principalmente meninas. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 aponta que mais de 60% das vítimas de estupro têm até 13 anos.
No ambiente escolar, a realidade também é alarmante. Pesquisa do Unicef, em parceria com o Instituto Datafolha, indica que cerca de um terço dos estudantes já sofreu algum tipo de violência dentro das escolas. Meninas são as principais vítimas de assédio, constrangimentos e violência psicológica – e a maioria dos casos sequer é denunciada.
As violências começam ainda na infância e, muitas vezes, são tratadas como “brincadeira”, o que contribui para sua naturalização. A ausência de canais eficazes de denúncia e acolhimento faz com que muitas estudantes permaneçam em silêncio.
Um caso recente que evidencia essa realidade ocorreu em escolas cívico-militares no Paraná, onde alunas denunciaram policiais militares por assédio sexual dentro das unidades. As estudantes relataram constrangimentos, comentários de cunho sexual e abordagens abusivas, além de dificuldades para que suas denúncias fossem acolhidas. A situação expõe a gravidade da violência e a falta de mecanismos efetivos de proteção, revelando como o silêncio institucional contribui para a continuidade desses casos dentro das escolas.
Além disso, no mês de março, durante mobilizações de escolas secundaristas, um policial militar agrediu dois estudantes, membros da Ames-Rio, dentro do CE Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Os alunos estavam ajudando o grêmio da escola a organizar uma manifestação contra um professor acusado de assédio.
De acordo com Isabella Samara, coordenadora-geral da Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet), “esses casos se tornam cada vez mais frequentes, evidenciando como muitas meninas ficam desamparadas diante de situações de violência dentro das escolas. Isso impacta diretamente a saúde mental das jovens e contribui para sentimentos de falta de perspectiva”.
Diante desse cenário, o dia 19 de maio será marcado pela Mobilização Nacional “Estudante, não se cale: lute contra o assédio e a violência nas escolas”, que busca denunciar essa realidade e pressionar por mudanças concretas.
Entre as principais reivindicações estão a expulsão de assediadores das escolas, a criação de protocolos de segurança e acolhimento às vítimas, a responsabilização das direções escolares e das Secretarias de Educação, além da garantia de espaços de organização estudantil.
A mobilização reforça o papel do movimento estudantil na luta por um ambiente escolar seguro e aponta que o enfrentamento à violência de gênero passa, necessariamente, pela escuta das estudantes e por sua formação política.
Matéria publicada na edição impressa nº 333 do jornal A Verdade