
Trabalhadores da limpeza urbana de Petrolina paralisaram as atividades contra a precarização extrema e as condições degradantes de trabalho.
Redação Pernambuco
TRABALHADOR UNIDO – Na manhã desta segunda-feira (18), as ruas de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, amanheceram com a revolta dos trabalhadores da limpeza urbana. Cansados da humilhação e da precarização extrema, os trabalhadores da categoria contratados pela empresa terceirizada Limp City decidiram cruzar os braços e realizar um forte protesto por melhores condições de trabalho e dignidade.
A paralisação denuncia a terceirização, um mecanismo utilizado pela Prefeitura de Petrolina para se abster diante da exploração dos trabalhadores e garantir o lucro das empresas privadas. Enquanto a gestão municipal faz propaganda de uma “cidade modelo”, mas a categoria que garante a limpeza da cidade vive com salários baixos e ausência de direitos básicos.
Entre as principais denúncias estão a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, atrasos em benefícios e a sobrecarga de trabalho que adoece os trabalhadores. Em Petrolina, sob um sol escaldante que ultrapassa os 35 graus, trabalhar sem o suporte necessário é colocar a vida em risco todos os dias.
Além das condições precárias já denunciadas, os garis relatam situações de assédio e abuso por parte de encarregados e fiscais. Segundo os trabalhadores, não é raro receberem advertências simplesmente por parar alguns segundos para beber água em meio ao calor intenso. Há também denúncias de que, mesmo apresentando laudos médicos que comprovam a impossibilidade de exercer determinadas atividades, muitos são obrigados a continuar trabalhando. Um dos casos mais revoltantes ocorreu quando a empresa, informada sobre o falecimento da mãe de um trabalhador, orientou o fiscal a só comunicar a notícia ao funcionário após o término do expediente.
Clara, da coordenação do Movimento Luta de Classes (MLC), convocou os trabalhadores à luta “Por que se não forem os trabalhadores unidos e organizados não tem mudança, não tem o fim da escala 6×1. A empresa e a Prefeitura precisam entender que sem os garis a cidade para, e é justamente essa força que temos que usar para arrancar nossos direitos.”
Desde o ano passado, militantes do MLC em Pernambuco vêm se organizando junto aos garis em diversos municípios para mudar esse cenário, sobretudo no que diz respeito à representação da categoria, pois hoje os sindicatos ou estão inativos ou representam os patrões. Através de patrulhas sindicais e de brigadas com o jornal A Verdade, o movimento tem colhido denúncias dos trabalhadores e a mapeando suas principais pautas de reivindicação.