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O diretor do “É Tudo Verdade”, principal festival de documentários da América Latina, escreveu certa vez que “um dos mais atuantes e competentes grupos de documentaristas com causa no Brasil contemporâneo” se consolidou na Repórter Brasil.
Amir Labaki, referência absoluta do cinema que tem a realidade como matéria-prima, falava de filmes como “Carne Osso”, de 2011. Finalista da edição do “É Tudo Verdade” daquele ano, o média-metragem expôs de maneira nua e crua a pesada rotina dos mais de 500 mil trabalhadores de frigoríficos no país, expostos diariamente a uma verdadeira epidemia de mutilações e doenças por esforço repetitivo.
O filme foi crucial na aprovação de uma norma regulamentadora do governo federal que garantiu condições mais dignas (ou um pouco menos penosas) no abate de animais. Assim como ele, ao longo de 25 anos de estrada fizemos uma série de filmes que levaram ao público questões trabalhistas e socioambientais urgentes – e que, em muitos casos, tiveram papel decisivo para mudar as coisas e melhorar a vida de muita gente.
Em 2023, num evento organizado por sindicatos, pesquisadores e autoridades para celebrar o aniversário de dez anos da norma, tive a honra de receber uma homenagem pela contribuição proporcionada pelo documentário — um daqueles momentos inesquecíveis que guardamos para toda a vida.
Outro documentário digno de nota é o “Não Respire — Contém Amianto”, um autêntico thriller que investiga o lobby da indústria para manter a extração e o processamento da fibra mineral cancerígena usada em telhas e caixas d’água.
O média-metragem de 2017 também foi amplamente usado por ativistas, trabalhadores e profissionais da saúde para a importância do banimento do amianto no país. O filme veio ao mundo no momento certo: naquele mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal chegou a uma decisão histórica, proibindo o minério no Brasil.
E como não lembrar do “GIG — A Uberização do Trabalho”? Em 2019, quando o debate sobre a precarização da atividade de motoristas e entregadores de aplicativos ainda engatinhava, fomos pioneiros ao lançar um olhar crítico sobre o modelo de negócios de plataformas poderosas que deliberadamente ignoram proteções sociais.
O documentário circulou por festivais, universidades e cineclubes de todo o país, ajudando a pautar a discussão sobre o que hoje é, sem dúvida, umas das mais efervescentes questões do mundo do trabalho.
Tive o privilégio de dirigir e roteirizar todos esses filmes em parceria com outros profissionais excepcionais que ajudaram a construir os 25 anos da Repórter Brasil.
Mas me despeço falando sobre a nossa mais recente produção: “Pau D’Arco”, de 2025, brilhantemente capitaneado pela minha amiga Ana Aranha.
O documentário conta em detalhes a história da maior chacina do campo brasileiro neste século. É daqueles que, quando se acendem as luzes da sala de cinema, fazem a gente sentir vontade de se abalar para a rua em busca de Justiça. Um soco no estômago que escancara como nosso país segue violento e desigual.
Em outubro, a Repórter Brasil completa oficialmente um quarto de século de existência. A evolução da nossa produção audiovisual é um ótimo espelho do próprio amadurecimento da nossa organização. Uma história que desde o início é movida pelo mesmo sentimento: usar o poder da comunicação — e da arte! — para construir uma sociedade mais igualitária.
25 anos investigando para mudar.
A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.
Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!
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