
Mesmo cumprindo prisão domiciliar em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria mantendo a articulação política e insistindo na pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. A estratégia visa assegurar o controle do núcleo familiar sobre o ecossistema da extrema direita e evitar a fragmentação da base eleitoral. O movimento ganha urgência após o desgaste provocado pela reportagem do Portal Intercept_Brasil que revelou o envolvimento do senador em negociações com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para – em tese – financiar o filme de qualidade duvidosa “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente. Os valores sob suspeita de repasse alcançam a cifra de US$ 24 milhões e tiveram o escritório do advogado de Eduardo Bolsonaro como destino.
O papel de Jair como fiador
Em cartas e mensagens enviadas ao filho, Jair Bolsonaro tem reforçado que o senador é o nome escolhido para representar o espólio político da família na disputa presidencial. A ausência de um herdeiro direto no palanque abriria espaço para a consolidação de alternativas da direita tradicional, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ou para o crescimento de legendas menores, esvaziando o capital político do clã. O entorno do ex-presidente defende que a indicação de Flávio funciona como um elemento de coesão para os setores mais ideológicos, embora a vinculação direta aos problemas jurídicos do pai imponha custos crescentes à viabilidade da candidatura.
Reunião com o mercado financeiro
Para tentar conter os danos e recompor os canais de interlocução com os setores econômicos, Flávio Bolsonaro cumpriu uma agenda de compromissos em São Paulo na segunda-feira (18). O parlamentar se reuniu com empresários e gestores de grandes fundos de investimento na Faria Lima. O objetivo da campanha foi apresentar uma plataforma econômica baseada em regras de mercado e sinalizar uma postura mais moderada e previsível em comparação ao tom adotado pelo pai durante o mandato presidencial. Apesar do senador classificar os encontros como positivos, operadores do mercado financeiro manifestaram reservadamente preocupação com o risco jurídico e a opacidade das transações reveladas no caso Vorcaro, o que tem levado investidores a olharem com maior atenção para perfis considerados mais técnicos. O encontro – que teria sido marcado antes do vazamento das gravações com Vorcaro – foi marcado pela ausência de figuras do mercado financeiro que cancelaram a participação.
Tensões e pacificação no partido
A repercussão do caso também provocou reações imediatas na estrutura partidária. O PL convocou para esta terça-feira (19) uma reunião de emergência com a participação de Flávio Bolsonaro, senadores e deputados federais da bancada. A cúpula da legenda busca alinhar o discurso e centralizar as ações de comunicação, de modo a evitar novas declarações contraditórias que ampliem a exposição negativa do partido. O momento é visto como delicado por lideranças da sigla, dado o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto e o recuo de partidos como União Brasil, Progressistas e Republicanos, que antes sinalizavam apoio automático e agora passam a adotar uma postura de neutralidade ou de distanciamento pragmático.
Interesses da família para 2026
O cenário expõe uma divisão de interesses dentro do próprio agrupamento político. Enquanto Jair Bolsonaro atua para blindar os filhos e usar a candidatura como anteparo contra o avanço das investigações, a ala digital, comandada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), adota a narrativa de perseguição midiática para manter a militância mobilizada nas redes sociais. Por outro lado, a direção do PL avalia o teto do desgaste tolerável, tentando equilibrar a necessidade de retenção dos votos bolsonaristas com a preservação das alianças regionais necessárias para as disputas majoritárias e proporcionais nos estados. Michele Bolsonaro, ex-primeira-dama, voltou a ser citada por lideranças do PL, contrariando a vontade do clã.
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