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Estudantes das Universidades estaduais paulistas convocam marcha estadual contra o governador Tarcísio

Dia 20 de maio estudantes e trabalhadores ocuparão as ruas na Marcha em defesa dos direitos e da vida, contra o fascismo (Foto: Willdaly Souza)

No dia 20 de março, estudantes e trabalhadores de todas as regiões do estado de São Paulo se encontraram na capital paulista para realizar a Marcha em defesa dos direitos e da vida, contra o fascismo. A marcha foi convocada pelos estudantes das três universidades paulistas, UNESP. USP e UNICAMP são uma resposta aos crimes que o governador Tarcísio de Freitas tem cometido ao povo paulista.

Leonardo de Paula | São Paulo


Brasil – No dia 20 de março, estudantes e trabalhadores de todo o estado de São Paulo ocuparão as ruas da capital paulista em sentido ao Palácio dos Bandeirantes para construir a Marcha em defesa da Vida e dos direitos, contra o fascimo.

A marcha, que vem sendo construída por milhares de pessoas, tem como principal denúncia, os crimes cometidos pelo governador fascista de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), em seus quatro anos de governo.

Desde o início de seu mandato, Tarcísio tem colocado a cidade à venda à Petrobras de suas privatizações , e aumentou a violência policial e os despejos no estado, a exemplo do ocorrido na madrugada do último dia 10 de maio, onde centenas de estudantes foram expulsos da ocupação da reitoria da USP com muita violência, espancamento e relatos de tortura. Cortou o orçamento de combate a violência à mulher no estado e vendeu as principais riquezas do povo, como  SABESP, maior companhia de distribuição de água da América Latina.

Os crimes de Tarcísio tiveram resultados terríveis ao povo de São Paulo. Além de matar inúmeros trabalhadores e jovens nas periferias graças, ao aumento da violência praticada pela Polícia Militar, deixaram milhões de trabalhadores sem energia e água em seus lares na periferia da capital paulista. E chegou ao ápice com a recente explosão no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, provocada por um vazamento de gás durante obra da Sabesp, deixando uma pessoa morta e dezenas de desalojados.

Graças a indignação geral do povo paulista com o sofrimento causado pelos crimes do governador, a mobilização para a Marcha cresce cada vez mais e em todas as regiões do estado o povo se organiza para derrotar o fascimo nas ruas.

Como começou

Sobre a palavra de ordem “para barrar a precarização, greve geral na educação” os estudantes das três universidades estaduais paulistas, UNESP, UNICAMP e USP, têm ocupado às ruas e os campus das universidades em denúncia aos ataques à educação por parte do governador fascista Tarcisio de Freitas (Republicanos).

Em greve desde o dia 14 de março, os estudantes da USP tem denunciado as péssimas condições de permanência na universidade, como larvas na comida, a estrutura do CRUSP (moradia estudantil da USP), o impeditivo das mães da universidade acessarem a moradia estudantil, as consequentes faltas de luz e água, fruto da privatização e o aumento das bolsas de permanência estudantil para os estudantes pobres.

Após atingir mais de 100 cursos e mobilizar outros setores da universidade, os estudantes exigiram abrir uma mesa de negociação com a reitoria para apresentar e encaminhar as demandas estudantis. Mesmo assim, o gabinete da reitoria se negou a dialogar com a juventude e fechou a mesa de negociação, apresentando apenas um aumento de 27 reais no PAPFE, auxílio financeiro a estudantes de baixa renda e se negando a negociar as outras demandas, como o aumento do auxílio para um salário mínimo paulista.

Com a palavra de ordem “se a reitoria não vai nos receber, não porque ela funcionar” os estudantes decidem ocupar o prédio de funcionamento da administração da universidade, denunciando o autoritarismo da reitoria, a parceria com o governo privatista de Tarcísio e exigindo a reabertura imediata da mesa de negociação.

A partir desse exemplo, as outras duas universidades paulistas também aderiram a mobilização. Na UNESP, em todo o estado mais de 40 cursos paralisaram as atividades e aderiram a greve, exigindo abertura de restaurantes universitários em todos os campi e a recomposição orçamentária imediata. Na UNICAMP, onde o projeto privatista do governador tem atacado constantemente o serviço público, técnicos, estudantes e professores se mobilizaram em suas bases para aderir à palavra de ordem de greve geral da educação contra a precarização do ensino.

Privatização e falta de orçamento

No último ano, as universidades tem enfrentado grandes dificuldades de se manter.  Universidade Estadual de São Paulo, UNESP, com 24 campus espalhados pelo estado, onde apenas 10 tem Restaurante Universitário, teve seu orçamento de 2026 aprovado com quase 190 milhões de déficit.

Já na USP, universidade com maior orçamento do Brasil, 15 dos 16 RU’s são privatizados. A privatização e terceirização na USP custou a vida de Rafael Gomes, funcionário terceirizado da universidade que morreu em seu expediente soterrado no campus de Piracicaba.  Além disso, o Hospital Universitário da USP vem sofrendo ataques por parte do governo Tarcisio e corre risco de ser privatizado

O cenário na saúde da Universidade de São Paulo se repete na UNICAMP que, na gestão do governador privatista Tarcisio tem sofrido com constantes ataques do setor privado. A ameaça de autarquização de todo o serviço de saúde da Universidade tem intensificado a mobilização de servidores e estudantes em defesa da saúde pública.

O caso de maior revolta é o do HES (Hospital Estadual de Sumaré), referência em atendimentos especializados no interior paulista e de formação de novos profissionais de saúde, atacado pelas OSS (Organizações Sociais de Saúde) de Tarcísio.  A partir desse cenário e do acúmulo de denúncias à Tarcisio, professores, estudantes e técnicos da UNICAMP decretaram greve na universidade.

Mobilização em resposta à violência 

Na madrugada do dia 10 de maio, dia das mães e três dias após a ocupação do prédio da reitoria da USP, o governador Tarcisio mandou a tropa de choque da polícia militar entrar no campus e despejar os estudantes à força.

A policia realizou um “corredor polones” onde cercou estudantes que saíam do prédio, para agredi-los, fazendo uso de cassetetes e outros instrumentos de repressão. Mesmo na ditadura militar, nunca se registrou a invasão da polícia em uma universidade, de madrugada, para despejar uma ocupação estudantil.

As famílias que tinham se programado para passar o dia das mães juntas na ocupação tiveram seu feriado arruinado pela violência policial. Na desocupação, 4 estudantes foram detidos, centenas agredidos e todos os pertences ficaram no local da desalojado, sem permissão dos estudantes recuperarem.

A partir da violência o Movimento estudantil convocou um ato unificado entre as três universidades paulistas contra a violência fascista de Tarcísio e contra o desmonte da educação. Fato que se repetiu no dia 14, onde mais de 5 mil estudantes foram às ruas exigir melhores condições de permanência e a saída de Tarcísio do cargo de governador.

Ao final do ato, na faculdade de medicina, local onde o reitor da USP é formado, os estudantes realizaram uma assembleia onde convocaram uma marcha ao Palácio dos Bandeirantes, em defesa dos direitos e da vida do povo e contra o fascismo, unificando as lutas da juventude e do povo trabalhador.

Cultura e resistência

Como parte da mobilização para a marcha do dia 20 e fortalecimento do calendário de greve, o DCE Livre da USP, maior entidade de representação estudantil da Universidade, convocou para o dia 17/05 o “Festival Canalha”, festival cultural de denúncia ao fascismo e resistência estudantil

O nome “Canalha!” É uma referência a um grito histórico dos estudantes da universidade, que surgiu durante a ocupação do CRUSP (Conjunto Residencial da USP) na ditadura militar, que servia para alertar a chegada da Polícia Militar no campus. No evento o nome foi associado à Tarcísio, mandante do despejo da ocupação da reitoria.

Além de uma resposta a violenta desocupação da Reitoria da USP, o “Festival Canalha!” é uma denúncia de burocracia universitária que dificulta o acesso e a permanência da população mais vulnerável à universidade. A cantora Isma, uma das principais atrações da noite, afirmou nas suas redes digitais: “Fui de universidade pública e sei como é desafiador permanecer. Estou com os estudantes na luta por condições dignas dentro das instituições de ensino”.  O evento contou com várias atrações musicais, artes visuais que decoraram o ambiente em denúncia ao fascismo e a desocupação policial e contou com a presença de milhares de estudantes e apoiadores.

Na UNICAMP os estudantes organizaram no dia 15/05 uma festa no espaço da universidade em fortalecimento da greve. Foram convidadas artistas da cena cultural da cidade e o evento contou com a participação de centenas de estudantes

Marcha por direitos em defesa da vida e contra o fascimo

Além da educação, o governador fascista Tarcisio de Freitas tem trabalhado para  privatizar todos as riquezas da classe trabalhadora paulista e militarizar ainda mais o estado

Em seu governo, o fascista privatizou duas das maiores empresas públicas do estado. A SABESP, empresa antes reconhecida pela qualidade do serviço e atendimento ao povo paulista e que hoje entrega seu orçamento todo nas mãos de empresários estrangeiros. É a EMAE, empresa responsável pela geração de energia na região metropolitana da capital paulista.

Nos últimos meses, milhões de trabalhadores sofreram com a falta de água em suas casas e com os constantes apagões de energia. Em dezembro de 2025, mais de 4 milhões de trabalhadores moradores da periferia ficaram sem luz na cidade de São Paulo por 5 dias.

O mesmo acontece com a falta de água, onde a população passou meses com o racionamento da capital. Apesar do governo estadual culpar a “crise hídrica”, nunca se enfrentou tanta dificuldade no abastecimento de  água e energia na região metropolitana. Incluindo a própria USP, que chegou a ficar dias sem água e energia no seu Butantã seu maior campus.

Tudo isso porque Tarcisio e seus aliados preferem entregar os recursos e as riquezas produzidas e de propriedade do povo na mão de acionistas que usam do uso da força para reprimir aqueles que lutam contra esse crime

É o caso da “batalha da ALESP” onde 4 militantes da Unidade Popular, incluindo o pré-candidato à deputado federal, Ricardo Senese foram presos após lutarem contra a venda da SABESP, e o caso do desalojamento da ocupação na USP, onde a polícia militar usou as mesmas armas que Israel usa para assassinar crianças na palestina, para agredir expulsar estudantes da Universidade

A partir desse cenário, milhares de trabalhadores e estudantes vão às ruas no dia 20 para exigir que o principal culpado da falta de água, da falta de energia, dos ataques à educação e da violência policial e a maior expressão do fascista no estado de São Paulo, Tarcisio de Freitas saia da cadeira de governador e seja punido por todos os seus crimes contra a classe trabalhadora e juventude paulista.