
A proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, relativa aos crimes envolvendo o banco Master, foi rejeitada pela Polícia Federal (PF). A decisão foi tornada pública na noite desta quarta-feira (20).
Os termos, no entanto, seguem em análise na Procuradoria-Geral da República (PGR), já que o acordo estava sendo analisado conjuntamente pelos dois órgãos, mas conforme noticiado, a tendência é que a PGR siga o mesmo caminho.
A negativa tem como base o fato de que Vorcaro não apresentou novos dados que ajudassem a aprofundar as investigações da Operação Compliance Zero. Agentes informaram que o banqueiro parecia querer proteger pessoas próximas.
A aprovação da delação também dependia de o banqueiro se comprometer a pagar cerca de R$ 60 bilhões, em um curto prazo, como forma de repor ao menos parte dos prejuízos causados pelas irregularidades. Vorcaro, por sua vez, teria proposto às autoridades o ressarcimento de R$ 40 bilhões em dez anos.
O termo de confidencialidade para viabilizar a delação foi assinado em março. A versão preliminar do acordo foi entregue pela defesa de Vorcaro há cerca de um mês e, pouco depois, foi finalizada a entrega dos anexos.
O material já havia sido considerado fraco pelos investigadores. Conforme as informações que vêm sendo divulgadas, a PF já conta com farto material levantado durante a operação, cujo teor vai muito além do que o oferecido. Somente a perícia dos celulares (ao todo, foram apreendidos oito) já revelou muito sobre o esquema de fraudes do Master, bem como sobre as relações de Vorcaro com políticos de direita e outras autoridades.
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Além das fraudes financeiras, as investigações têm mostrado um esquema que envolve, ainda, corrupção, formação de organização criminosa e uso de milícia para atacar desafetos e acessar dados sigilosos. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, preso na quinta (14), por exemplo, é apontado como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do núcleo criminoso “A Turma”, cujo papel era ameaçar e intimidar adversários.
Ao mesmo tempo, o site Intercept Brasil reforçou a relação próxima entre Vorcaro e o clã Bolsonaro, por meio de sua ligação com o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu R$ 134 milhões para, supostamente, pagar uma cinebiografia sobre o pai, Jair Bolsonaro.
No entanto, o avançar dos fatos vem mostrando uma série de incongruências e mentiras sobre o financiamento do filme, indicando que talvez o recurso — provavelmente oriundo das fraudes do Master envolvendo, inclusive, previdência de servidores aposentados —tenha sido usado para outros fins.
Um linha levantada é a possibilidade de o dinheiro repassado pelo banqueiro (cerca de R$ 61 milhões) possa ter financiado a estadia do então deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde articulou ações com o governo de Donald Trump para atacar o Brasil com tarifas e medidas contra autoridades, como forma de chantagear as instituições em favor de seu pai no processo por tentativa de golpe.
Outro ponto que reforça as ligações entre Vorcado e a família Bolsonaro é a doação de R$ 3 milhões do banqueiro para a campanha de Jair Bolsonaro (PL), fato trazido à tona em meio às revelações sobre o Master.
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