
A divulgação de um vídeo em que o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, aparece humilhando ativistas da flotilha humanitária Global Sumud provocou nesta quinta-feira (21) uma reação diplomática mundial contra o governo israelense.
Países da Europa, o Brasil, integrantes da ONU e até aliados históricos de Tel Aviv condenaram publicamente as imagens, cobraram a libertação imediata dos detidos e, em alguns casos, defenderam sanções contra o ministro de extrema direita.
As imagens, divulgadas pelo próprio Ben-Gvir nas redes sociais, mostram ativistas ajoelhados, com as mãos amarradas e a cabeça voltada para o chão após a interceptação das embarcações em águas internacionais.
Em determinado momento, o ministro israelense aparece brandindo uma bandeira de Israel enquanto provoca os presos.
A repercussão ampliou a crise diplomática já aberta após a interceptação da flotilha, que levava centenas de ativistas de dezenas de países em uma tentativa de romper o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza.
Entre os detidos estão três brasileiras: Ariadne Telles, Thainara Rogério e Beatriz Moreira de Oliveira.
O governo brasileiro já havia divulgado uma nota conjunta com Bangladesh, Colômbia, Espanha, Indonésia, Jordânia, Líbia, Maldivas, Paquistão e Turquia condenando a operação israelense e classificando a detenção dos ativistas como arbitrária.
O texto afirma que ataques contra missões humanitárias civis representam violação do direito internacional e do direito internacional humanitário.
A Itália foi um dos países que adotaram o tom mais duro após a divulgação do vídeo. A primeira-ministra Giorgia Meloni e o chanceler Antonio Tajani convocaram o embaixador israelense e exigiram explicações formais sobre o tratamento dado aos ativistas.
Tajani afirmou ainda que defenderá na próxima reunião da União Europeia a discussão de sanções contra Ben-Gvir por “atos inaceitáveis”, incluindo humilhações e assédio contra os presos.
A Espanha também anunciou que pressionará pela ampliação, para toda a União Europeia, da proibição de entrada de Ben-Gvir em território europeu. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que as imagens são “inaceitáveis” e declarou que Madri “não tolerará” maus-tratos contra cidadãos espanhóis.
O Reino Unido convocou o encarregado de negócios israelense após considerar que o vídeo “viola os padrões mais básicos de respeito e dignidade humana”. A chanceler britânica Yvette Cooper afirmou estar “verdadeiramente horrorizada” com as imagens.
França, Holanda, Polônia, Canadá, Portugal e Austrália também convocaram representantes diplomáticos israelenses ou divulgaram notas condenando o episódio. O premiê canadense Mark Carney classificou o tratamento dado aos ativistas como “abominável”, enquanto o governo português denunciou uma “violação humilhante da dignidade humana”.
A ONU também reagiu ao caso. Um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que devem ser abertas investigações sobre denúncias de tortura e maus-tratos contra palestinos e estrangeiros presos por Israel. “Os responsáveis devem ser responsabilizados”, declarou o órgão.
Até o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee — aliado histórico da direita israelense e integrante do governo Trump — criticou Ben-Gvir. Embora tenha chamado a flotilha de “ação estúpida”, Huckabee afirmou que o ministro “traiu a dignidade de sua nação”.
A crítica ocorre um dia depois de o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra quatro organizadores da flotilha, acusando-os, sem apresentar provas públicas, de ligação com o Hamas.
A medida foi denunciada por organizações de direitos humanos como mais um exemplo do alinhamento de Washington à política israelense contra Gaza.
Segundo a Global Sumud Flotilla, cerca de 430 ativistas de 44 países foram detidos após a interceptação das embarcações. Organizações ligadas à missão denunciam agressões físicas, abusos psicológicos e violações sistemáticas de direitos durante a custódia israelense.
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