
A cidade de Sertãozinho, no interior do estado de São Paulo conta com 49% de empregos formais no setor industrial. O “sucesso” econômico do municipio é sustentado sobre o desgaste físico e mental de operários e operárias que, além das condições de trabalho precárias, recebem baixos salários e muitos tem que trabalhar na escala 6×1.
Matheus Morais | Sertãozinho (SP)
TRABALHADOR UNIDO – Produto direto da expansão capitalista para o interior paulista, na região, a indústria automobilística gerou uma crescente demanda por combustíveis, impulsionando o setor canavieiro. Usinas se instalaram, moldando a cidade como polo metalúrgico, voltado a atender grandes grupos econômicos, como o Grupo Balbo. Nada foi planejado para atender à quem trabalha.
O resultado dessa política aparece na vida dos operários. José*, metalúrgico da STAR Equipamentos, descreve uma rotina de exploração: “Teve mês que tive só uma folga. O salário é muito baixo e ainda tem desvio de função. Não temos banheiro nem cozinha dignos. O ambiente é insalubre, até o local de descanso.”
Leandro*, metalúrgico e militante do MLC relata: “Existem muitas firmas que atrasam salários, não pagam o FGTS, não pagam o acerto, eu mesmo já trabalhei em algumas. Mas o que mais me deixa bravo é ver que, na verdade, os governos, que nós mesmos bancamos com os impostos, fazem de tudo para piorar a nossa vida, conciliando com patrão e deixando a gente de lado sempre”.
Entre as mulheres, a situação é ainda mais brutal. Maria*, soldadora há quase 10 anos, e mãe de 3 filhos é a única mulher na fábrica, ela executa as mesmas tarefas que os homens, mas recebe menos. “Tenho cursos na área, faço o mesmo trabalho e ganho menos que todos eles. Recentemente todos receberam aumento, e eu fui a única que não recebi”.
Ela também denuncia mais um ataque recente: “Começaram a parcelar o salário. Isso é uma sacanagem.” Seu relato escancara como, para os patrões, é uma regra as mulheres trabalhadoras serem vistas menos.
Enquanto o operário trabalha 30 dias no mês e ganha pouco mais de 1 salário mínimo, o dono da fábrica que nada produz recebe milhões de reais, fruto do roubo das riquezas produzidas pelos operários todos os dias, se mostrando assim como um verdadeiro parasita. Já uma operária mulher que luta todos os dias pra sustentar sua família, ao final do mês recebe menos que todos e ainda tem seu salário parcelado.
E demonstrando a necessidade dos operários para a mudança da sociedade, Antônio*, metalúrgico e militante comunista do Partido Comunista Revolucionário (PCR) afirma como o operariado é a classe fundamental para a revolução socialista “Ser operário, ver e participar da produção no dia a dia é mais uma forma de reforçar a ideologia socialista. Todos nós produzimos uma riqueza tão grande e no final, tudo fica com o patrão, que nunca pegou em uma lixadeira, nunca varreu o chão da fábrica, nunca utilizou nem o banheiro que utilizamos”
Sertãozinho mostra o que muitos tentam negar: a classe operária não apenas existe, como continua sendo central. É ela que move a produção, gera riquezas através do seu trabalho, sustenta a economia e, ao mesmo tempo, sofre com baixos salários, jornadas exaustivas e condições degradantes.
A única maneira de conseguir melhores condições de trabalho e de vida, é por meio da organização e união dos operários, paralisando a produção e lutando juntos contra o patrão e o governo.
*Nome fictício