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Cubanos protestam contra indiciamento de Raúl Castro nos EUA

Milhares de cubanos se mobilizaram nesta sexta-feira (22) diante da Embaixada dos Estados Unidos e da Tribuna Antimperialista José Martí, em Havana, para protestar contra o indiciamento do ex-presidente Raúl Castro pela Justiça norte-americana. 

No Brasil, centrais sindicais divulgaram nota de solidariedade a Cuba e classificaram a medida como uma nova ofensiva do imperialismo estadunidense contra a ilha.

Cerca de 250 mil pessoas participaram do ato convocado por organizações estudantis, sindicais e movimentos sociais para condenar a acusação anunciada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o líder revolucionário Raúl Castro e outros quatro militares cubanos.

A mobilização contou com a presença do presidente cubano Miguel Díaz-Canel, do primeiro-ministro Manuel Marrero e de outras lideranças do governo e do Partido Comunista de Cuba. 

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel participa de ato em Havana em meio à mobilização contra o indiciamento de Raúl Castro pelos Estados Unidos. Foto: Reprodução

Cartazes, bandeiras cubanas e palavras de ordem contra o bloqueio econômico e as ameaças dos Estados Unidos marcaram o ato realizado na capital.

Durante a manifestação, Gerardo Hernández Nordelo — herói da República de Cuba e coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução — leu uma mensagem enviada por Raúl Castro. 

Segundo Hernández, o ex-presidente afirmou que agradece “de coração a solidariedade de nosso povo e dos amigos do mundo” e declarou que seguirá “marchando à frente de nosso povo, defendendo a Revolução”.

Hernández acusou Washington de manipular os fatos ocorridos em 1996 e afirmou que Cuba exerceu o “direito legítimo à defesa” diante das repetidas incursões aéreas da organização Hermanos al Rescate.

“A resposta de Cuba diante da agressão reiterada ao seu espaço aéreo constituiu um ato de legítima defesa. É um direito inalienável de qualquer nação e uma obrigação zelar pela segurança de seus cidadãos”, declarou o dirigente cubano.

Hernández também afirmou que os Estados Unidos “não têm autoridade moral para julgar ninguém”, lembrando o histórico de agressões e operações contra Cuba ao longo das últimas décadas. 

Segundo ele, o governo norte-americano ignorou sucessivos alertas feitos por Havana sobre as violações aéreas ocorridas entre 1994 e 1996.

Outro discurso de destaque foi o do jovem jurista Rolando López Meriño, que classificou o indiciamento contra Raúl Castro como “absolutamente fraudulento e ilegítimo”. 

Segundo ele, Washington tenta “tergiversar e manipular fatos históricos amplamente documentados”.

O jurista afirmou ainda que os Estados Unidos não possuem jurisdição sobre um episódio ocorrido fora de seu território e envolvendo cidadãos cubanos. 

“A acusação contra nosso General de Exército Raúl Castro Ruz carece de toda legitimidade e vai contra o direito internacional”, declarou.

Durante o ato, também houve discursos de familiares de vítimas de atentados atribuídos a grupos anticastristas apoiados pelos Estados Unidos. 

Betina Palenzuela Corcho, filha de uma funcionária cubana morta em um atentado contra a representação diplomática da ilha em Lisboa, em 1976, acusou Washington de manter uma política histórica de agressão contra Cuba.

“Raúl é um homem de família que dedicou toda a sua vida a defender a soberania de Cuba, a dignidade de seu povo e a paz entre as nações”, afirmou.

A imprensa cubana destacou ainda que mobilizações semelhantes ocorreram em outras províncias do país como demonstração de apoio à Revolução Cubana e a Raúl Castro.

Centrais brasileiras denunciam ofensiva dos EUA contra Cuba

No Brasil, CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central divulgaram nota conjunta em solidariedade a Cuba. As entidades afirmam que a ilha “enfrenta mais uma ofensiva infame do imperialismo estadunidense”, baseada em “falsas acusações contra o general Raúl Castro”.

As centrais reforçaram que o episódio de 1996 ocorreu em um contexto de reiteradas violações do espaço aéreo cubano por aeronaves operadas pela Hermanos al Rescate, organização sediada em Miami. 

Segundo a nota, foram mais de 25 violações graves entre 1994 e 1996.

As entidades também afirmam que os Estados Unidos buscam criminalizar uma ação de autodefesa amparada pelo Direito Internacional, pela Carta das Nações Unidas e pela Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional.

O texto destaca ainda que Cuba já enfrenta dificuldades decorrentes do bloqueio econômico e de uma crise energética severa. Para as centrais, uma nova escalada de tensão agravaria a crise humanitária vivida pela ilha, penalizando sobretudo trabalhadores e a população mais pobre.

“Diante de mais essa injustiça, as centrais sindicais brasileiras manifestam sua solidariedade ao governo cubano e ao herói da Revolução Socialista, Raúl Castro, ao mesmo tempo em que repudiam as provocações, agressões e ameaças promovidas pela extrema direita trumpista”, diz a nota.

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