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Itália investiga interceptação de flotilha por Israel após relatos de tortura e agressão sexual

O Ministério Público de Roma ampliou as investigações sobre a interceptação ilegal da Flotilha Global Sumud por autoridades israelenses. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (22/05), os magistrados da Piazzale Clodio analisam o vídeo divulgado nas redes sociais pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir — que mostram integrantes da missão ajoelhados, algemados e com as mãos presas nas costas — para ver se há cidadãos italianos nele.

Paralelamente, ativistas que retornaram à Itália começaram a prestar depoimento à promotoria. Entre eles está o deputado do Movimento 5 Estrelas (M5S), Dario Carotenuto. A equipe jurídica italiana da missão humanitária também prepara uma denúncia formal por tortura referente às condições de detenção impostas aos ativistas no porto israelense de Ashdod. Os advogados coletam relatos dos italianos que regressaram ao país e devem complementar uma ação já protocolada em 19 de maio na Procuradoria de Roma.

De acordo com fontes ligadas à organização, cerca de 50 ativistas foram hospitalizados em Istambul após sofrerem ferimentos durante a detenção em Israel. Entre os internados estaria um cidadão italiano.

Também na Itália, em Florença, os ativistas Dario Salvetti e Antonella Bundu descreveram a experiência em uma coletiva de imprensa. Eles afirmaram que os detidos permaneceram algemados, sem acesso adequado a água, alimentação e instalações sanitárias, além de relatarem agressões físicas, uso de balas de borracha, armas de choque e humilhações.

“Tecnicamente, estávamos em um campo de concentração flutuante no meio do Mediterrâneo: não é um termo que usamos levianamente, mas a partir do momento em que alguém aponta uma metralhadora para você e o sequestra, levando-o para um lugar onde você não tem direitos. Em um regime prisional severo, você sabe quais são seus direitos. Naquele momento, não estávamos cobertos por nenhuma convenção internacional; não sabíamos quais direitos nos protegiam”, relataram.

De acordo com os ativistas, alguns participantes sofreram agressões sexuais e choques elétricos, inclusive em áreas sensíveis do corpo. Eles também afirmaram que agentes israelenses utilizaram um líquido amarelo lançado por canhões de água para forçá-los a entrar em contêineres cercados por arame farpado.

“Cada um de nós passou por coisas semelhantes, mas diferentes; cada um de nós foi torturado de maneiras diferentes. Sabemos de armas de choque sendo usadas em pessoas molhadas, no pescoço ou nos genitais; sabemos de agressões sexuais, de pessoas sendo atingidas por balas de borracha. Vimos pessoas implorando para que as abraçadeiras fossem afrouxadas porque suas mãos estavam sangrando”, acrescentaram os ativistas.

 

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Turquia

Os ativistas da Flotilha Global, que foram detidos por Israel em águas internacionais, foram levados na quinta-feira (21/05) para o Aeroporto de Istambul em três aviões da Turkish Airlines (THY).

Alguns ativistas foram internados em Istambul para tratamento devido a problemas de saúde resultantes de maus-tratos e violência sofridos nas mãos de soldados israelenses.

Segundo informações do Gabinete de Crise da Flotilha Global Sumud, o ativista turco-alemão Doğan Engin Klaus foi levado para cirurgia devido a uma fratura no calcanhar esquerdo; a ativista francesa Mathilde Pauline Mollet, devido a um ferimento causado por bala de borracha; o ativista turco Hüseyin Yılmaz, devido a uma fratura no braço esquerdo; e o ativista mauritano Ahmed Jaddau, também devido a uma fratura no braço. O ativista turco Mecid Bağçivan está recebendo tratamento no departamento de ortopedia de um hospital em Istambul após passar por uma cirurgia para tratar um ferimento causado por bala de borracha na perna direita.

Ben-Gvir humilha ativistas pró-Palestina

O Serviço Prisional de Israel afirmou na quarta-feira (20/05) que seus funcionários agiram “de acordo com o procedimento”, em um vídeo compartilhado pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que mostra ativistas da flotilha rumo a Gaza recebendo tratamento agressivo e humilhante por parte das forças de segurança.

O vídeo de Ben-Gvir, publicado na quarta-feira, gerou ampla condenação internacional, e até mesmo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu repudiou as ações, mas o Serviço Penitenciário Israelense defendeu sua conduta. “Ao receber os detidos, os guardas prisionais foram obrigados a agir para manter a ordem e a segurança no local. Todas as ações foram realizadas de acordo com os procedimentos e considerações profissionais”, afirmou o serviço penitenciário.

A organização Human Rights Watch criticou a divulgação dos vídeos por Ben-Gvir. Em nota, a pesquisadora interina para Israel e Palestina, Sarah Sanbar, afirmou que as imagens demonstram que “os abusos não apenas são tolerados, mas celebrados pelo governo israelense”.

Segundo Sanbar, palestinos presos em Israel relatam há anos situações semelhantes de humilhação e violência.

A Human Rights Watch também reiterou críticas ao bloqueio imposto à Faixa de Gaza e defendeu a suspensão da transferência de armas para Israel, além do cumprimento das determinações da Corte Internacional de Justiça relativas ao acesso humanitário ao território palestino.

Nos últimos dias, alguns países europeus convocaram seus embaixadores e representantes israelenses e solicitaram à União Europeia a adoção de sanções contra Ben-Gvir.

(*) com Ansa

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