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Novo Desenrola vira vitrine de Lula e é apoiado até por bolsonaristas

Quando assinou a medida provisória que criou o Novo Desenrola Brasil, em 4 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resumiu o espírito do programa em uma imagem popular: tirar “a corda do pescoço” das famílias endividadas para ajudá-las a “respirar” novamente. “Não é correto um cidadão brasileiro, uma cidadã, estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de R$ 100, R$ 150, R$ 200”, afirmou Lula durante a cerimônia de lançamento.

Recorrendo à metáfora presidencial, o governo já pode dizer que mais de 1 milhão de pessoas respiram melhor com o Desenrola 2.0. Em poucos dias de vigência, o programa se transformou em uma das iniciativas federais mais populares do terceiro mandato de Lula.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22) mostra que 68% dos endividados acreditam que serão beneficiados pelo programa, enquanto 82% enxergam impacto positivo para a economia. Mesmo entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 44% dizem acreditar que serão beneficiados.

Especialistas apontam que o avanço do endividamento nos últimos anos decorre de uma combinação de fatores: juros elevados, inflação de serviços essenciais, renda comprimida, expansão do crédito, apostas online e uso intensivo do rotativo.

Os números do Novo Desenrola reforçam que o endividamento atravessa grupos sociais e políticos distintos. Em um cenário de forte polarização, programas que produzem efeito concreto na vida cotidiana tendem a romper barreiras ideológicas.

Dívidas pequenas, impacto gigante

Os dados também sugerem que o governo acertou ao priorizar dívidas de pequeno valor, mas de grande impacto sobre famílias pobres. Débitos relativamente baixos podem bloquear acesso a crédito, dificultar aluguel de imóveis, impedir novos financiamentos e até limitar oportunidades de emprego.

O programa permite renegociação com descontos expressivos ou refinanciamento em condições mais favoráveis. Na prática, o Novo Desenrola funciona como uma espécie de “reanimação financeira” para famílias excluídas do sistema formal de crédito.

Segundo o Ministério da Fazenda, houve forte adesão aos três eixos do programa: Desenrola Famílias, Desenrola Fies e Desenrola Empresas. No eixo voltado às famílias, foram registradas 449 mil operações quitadas à vista até 14 de maio, com desconto médio de 85%. Dívidas que somavam R$ 1,06 bilhão foram liquidadas por R$ 154 milhões.

Já o refinanciamento com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO) contabilizou 685 mil operações, renegociando cerca de R$ 9 bilhões em dívidas. Somadas, as operações do Desenrola Famílias já ultrapassam 1,13 milhão, envolvendo aproximadamente R$ 10 bilhões.

No Desenrola Fies, 34 mil contratos foram renegociados com descontos médios de 80%. Entre as empresas, o Pronampe registrou R$ 5,1 bilhões em crédito para micro e pequenos negócios, enquanto o Procred somou R$ 396 milhões em operações voltadas a microempreendedores individuais.

Aprendendo com os erros

A primeira versão do Desenrola, lançada em 2023, foi bem recebida, mas deixou muita gente de fora. Os mais pobres, em especial, enfrentavam dificuldades de acesso ao sistema bancário ou aos próprios mecanismos de renegociação. Por isso, o Novo Desenrola simplificou regras, ampliou descontos e reduziu barreiras de acesso.

A possibilidade de simular dívidas diretamente pela internet, sem necessidade de ir a bancos ou agências, facilitou a adesão. Os descontos, que chegaram a 90% em alguns casos, também ajudaram a impulsionar o programa entre consumidores sufocados por dívidas acumuladas no cartão de crédito, cheque especial e financiamentos caros.

Com as eleições de 2026 no horizonte, o programa reúne características valiosas para o governo: produz efeitos imediatos, beneficia diretamente a população de baixa renda e dialoga com um problema enfrentado por milhões de brasileiros.

O sucesso do Novo Desenrola ajuda Lula a recuperar uma marca tradicional de seus governos: políticas públicas de impacto direto sobre o cotidiano da população. Em um cenário de juros altos e superendividamento, o governo encontrou uma agenda capaz de produzir efeitos econômicos imediatos e dividendos políticos relevantes.

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