
Sete em cada dez filhos de beneficiários da primeira geração do Bolsa Família já não dependem mais do programa. O dado, levantado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), foi destacado pelo ministro Wellington Dias para rebater críticas ao programa e afirmar que 5,1 milhões de famílias deixaram o benefício desde 2023 — não por corte, mas por superação da pobreza. Considerando uma média de três pessoas por família, são cerca de 15 milhões de brasileiros que conquistaram autonomia econômica e saíram do programa por conta própria.
“Saíram do Bolsa Família porque saíram da pobreza. Ou seja, essas famílias passaram a trabalhar de operador de caixa em um supermercado, em uma empresa de energia elétrica, no setor público, alguém que se formou em medicina, o filho do lavrador que agora é agrônomo. Na prática, com uma média de 3 pessoas por família, são cerca de 15 milhões que já saíram pela superação da pobreza”, disse Dias.
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As declarações foram feitas durante o programa “Bom Dia, Ministro” desta quarta-feira (27), em entrevista a jornalistas das cinco regiões do país. Sem citar nomes, Wellington Dias respondeu às críticas feitas pelo apresentador Luciano Huck ao Bolsa Família, durante evento privado para empresários no último sábado (23). Na ocasião, Huck questionou a eficiência do programa e afirmou que ele não gera estímulo para que as famílias queiram sair. Após a repercussão negativa nas redes sociais, Luciano disse que sua fala foi tirada de contexto. Para o ministro, o episódio foi “feio, tanto que ele veio a público se desculpar”.
“É preciso aproveitar fatos como esse para que a gente enterre de vez com o preconceito que se tem aos mais pobres. Somos um país que viveu a casa grande e a senzala. E infelizmente isso ainda está muito entranhado nas pessoas”, disse o ministro
Dados que respondem ao preconceito
Os números apresentados por Dias têm respaldo em pesquisas acadêmicas. O estudo da FGV acompanhou a trajetória dos filhos da primeira geração de beneficiários do programa e constatou que cerca de 70% deles não dependem mais da transferência de renda. Entre os que eram adolescentes em 2014, a taxa de saída chegou a 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e a 71,25% entre os de 15 a 17 anos. Para beneficiários que obtiveram emprego formal com carteira assinada, a taxa de saída do programa foi ainda maior: 79,4%.
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O ministro também destacou que o Brasil reduziu drasticamente seus índices de pobreza desde a criação do Bolsa Família, em 2003. “O Brasil tinha próximo de 60% da população na pobreza. Agora temos 20%”, afirmou. Entre 2023 e 2024, 17,4 milhões de brasileiros ascenderam para as classes A, B e C — o maior nível histórico de mobilidade social registrado desde 1976, segundo a FGV.
Como o programa funciona hoje
O novo modelo do Bolsa Família, retomado no início do governo Lula 3, vai além da transferência direta de renda. O benefício mínimo é de R$ 600 por família, com renda de R$ 142 por pessoa. Há adicionais de R$ 50 para gestantes, nutrizes e adolescentes entre 7 e 17 anos, e de R$ 150 para cada criança de zero a seis anos — priorizando a primeira infância.
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O programa também conta com a chamada Regra de Proteção: famílias que superam a linha de pobreza (R$ 218 per capita) continuam recebendo 50% do benefício por até 12 meses, desde que a renda não ultrapasse R$ 706 per capita. O mecanismo garante uma transição segura para a autonomia, sem o risco de queda brusca de renda. Atualmente, 7,1 milhões de beneficiários já trabalham com carteira assinada e ainda recebem o programa por ainda se enquadrarem na faixa de pobreza considerando o tamanho de suas famílias.
O programa também exige condicionalidades: acompanhamento de saúde, vacinação em dia para crianças menores de sete anos, pré-natal para gestantes e frequência escolar regular para estudantes de 4 a 17 anos.
Brasil no clube do desenvolvimento humano elevado
Wellington Dias aproveitou a entrevista para destacar outro dado histórico: o Brasil alcançou um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ingressando no grupo de países com desenvolvimento humano considerado “muito elevado”. “O Brasil, que lá atrás era subdesenvolvido e depois passou a ser um país em desenvolvimento, agora entra no grupo dos países com IDH de muito elevado desenvolvimento”, celebrou o ministro. O próprio estudo do PNUD aponta o Bolsa Família como um dos principais pilares desse avanço.
Para Wellington Dias, os resultados do programa precisam ser usados para derrubar de vez o preconceito histórico contra os mais pobres. “A primeira grande mudança com programas como esse é que garante às pessoas que nunca mais serão humilhadas. As pessoas passam a ter uma renda básica com a qual livremente podem ir ao mercado e levar comida para a mesa de casa”, disse o ministro, que encerrou com uma provocação direta aos críticos: “é eficiente e, ao mesmo tempo, é uma medida assertiva que está em 140 países do mundo. Se alguém falar diferente, é melhor estudar, é melhor conhecer a verdade, porque, senão vai ficar aí que nem o Pinóquio: o nariz vai começar a crescer e vai dar problema”.
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com agências
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