A mídia comercial passou meses, por meio de editoriais e pela voz dissonante de seus articulistas fantoches dos interesses da Faria Lima, propagando falsos argumentos contra o fim da escala 6×1. Os porta-vozes da oposição fizeram o mesmo, mas com o cinismo de sempre: apresentaram uma nova proposta, ainda mais radical, só para mostrar que o governo irá quebrar a cara com a intenção de oferecer ao trabalhador e a trabalhadora um dia a mais (isso mesmo, um dia a mais) de folga na semana.
O esperneio de nada adiantou: na noite desta quarta-feira (27) A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos e por ampla maioria, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da jornada de trabalho na escala 6×1. No primeiro turno, o texto recebeu 472 votos favoráveis contra 22; já no segundo turno, o placar consolidou-se em 461 votos a favor e 19 contrários. Os poucos votos da oposição concentraram-se majoritariamente em partidos de direita e centro-direita, como o PL e o Novo, enquanto o projeto agora segue para a análise do Senado Federal.
A nova regra institui obrigatoriamente a escala 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso) e reduz a carga horária máxima de 44 para 40 horas semanais, sem qualquer redução salarial. A transição ocorrerá de forma gradual, caindo para 42 horas em até 60 dias após a promulgação e atingindo o teto definitivo de 40 horas em 14 meses. Setores essenciais terão flexibilidade em acordos coletivos, enquanto profissionais de alta renda (acima de R$ 21.188) ficam fora do regime de ponto, e microempresas aguardam uma lei complementar para receber incentivos e regras de transição mais suaves.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que 14,8 milhões de trabalhadores celetistas (contratados pelo regime CLT) no Brasil atuam na escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga), modelo em que há seis dias de trabalho e um de descanso por semana.
O número pode ser maior, porque o recorte considera apenas vínculos CLT, e não outros regimes de contratação.Além deles, há 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas em escala 6×1, segundo os dados do MTE. Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do diaAo todo, o Brasil tem 50,2 milhões de trabalhadores celetistas. Desse total, 37,2 milhões cumprem jornada de 44 horas semanais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a aprovação do fim da escala 6×1 pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27) é uma “conquista civilizatória”, agradeceu o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) e afirmou que trabalhará pela aprovação no Senado Federal.
“A aprovação do fim da escala 6×1 com redução de jornada e sem redução de salário, pela Câmara, é uma conquista histórica e civilizatória”.
Logo após a votação a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) criticou movimentos da extrema direita para barrar o avanço da pauta: “Quem vota a favor da escala 6×1 está defendendo uma lógica racista de exploração do trabalho. Porque é a pele negra que mais sofre, é a pele negra que mais marcha, é a pele negra que entrega as maiores jornadas. E, se for mulher negra, trabalha ainda mais”.
Já a autora do projeto, deputada ÉRika Hilton, classificou a aprovação do parecer pelo fim da escala 6×1 na comissão especial da Câmara como uma “vitória da classe trabalhadora e uma derrota dos inimigos do povo”. Como autora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 8/2025), ela celebrou o avanço do texto na noite de 27 de maio de 2026, destacando que a medida trará alívio e dignidade aos trabalhadores brasileiros.
Como surgiu a proposta pelo fim da escala 6×1
O projeto pelo fim da escala 6×1 é resultado de uma soma de iniciativas legislativas e de forte mobilização popular, tendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) como sua principal lidernaça. Ela foi a autora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que deu visibilidade nacional e força política ao tema na Câmara dos Deputados.
O Poder Executivo também enviou um Projeto de Lei próprio com urgência constitucional para acelerar a tramitação do fim da escala e a redução da jornada para 40 horas semanais no Congresso.
Quem votou contra
Partido Liberal (PL), Bibo Nunes (RS), Caroline de Toni (SC), Daniel Freitas (SC), Daniela Reinehr (SC), Julia Zanatta (SC), Mauricio Marcon (RS), Nicoletti (RR)Paulo Marinho Jr (MA), Ricardo Guidi (SC) , Rosangela Moro (SP), Zé Trovão (SC), Partido Novo (Novo), Adriana Ventura (SP)Gilson Marques (SC), Marcel van Hattem (RS)Ricardo Salles (União), Fabio Schiochet (SC), Fausto Pinato (SP) Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Carlos Chiodini (SC), Pezenti (SC), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lucas Redecker (PSD-RS) e Sérgio Turra (PP-RS).
Quando a nova escala entra em vigor
O Senado ainda precisa definir o rito da proposta. Os senadores decidirão se a PEC passará por uma Comissão Especial dedicada ao tema ou se seguirá o fluxo tradicional, tramitando por comissões temáticas como a de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir ao Plenário.
As Previsões de Bastidores é de que, apesar da falta de uma data fixa, o senador Alessandro Vieira declarou publicamente que o Senado já tem condições de votar a PEC da escala 6×1 em até um mês ou até mesmo em menos tempo, dependendo da pressão social e do acordo entre os blocos políticos.
Como se trata de uma alteração na Constituição, o texto precisará ser votado e aprovado em dois turnos no Plenário do Senado. Para ser promulgada, a PEC necessita do voto favorável de, no mínimo, 49 dos 81 senadores (equivalente a três quintos da Casa) em ambas as rodadas de votação.

O salário do trabalhador vai mudar?
Não, o salário do trabalhador não vai mudar para menos, pois a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) proíbe expressamente qualquer redução salarial decorrente da mudança de escala. A legislação brasileira atual, por meio da Constituição Federal, já protege o princípio da irredutibilidade do salário, o que significa que o trabalhador não pode ser penalizado financeiramente pela diminuição da sua carga horária.
Portanto, o valor nominal recebido mensalmente pelo empregado deve ser integralmente mantido durante e após a transição para o novo modelo de jornada de trabalho.Na prática, isso significa que o valor pago por hora trabalhada vai aumentar proporcionalmente. Como o funcionário passará a cumprir menos horas por semana (caindo de 44 para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas) mas continuará recebendo o mesmo salário no final do mês, o custo unitário da sua hora de serviço se tornará mais alto para o empregador. Essa garantia legal busca assegurar que a transição para uma escala de trabalho mais equilibrada e saudável não resulte em perda de poder de compra ou prejuízo financeiro para as famílias trabalhadoras.
O empregador vai tomar prejuízo?
Já o estudo do Ipea afirma que a alta no custo das empresas com os trabalhadores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%.
Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança.
“Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea.
Os efeitos positivos na economia
Segundo o senador Rogério Carvalho (PT-SE), a aprovação da Escala 5×2 não é uma pauta contra o setor produtivo. Muito pelo contrário. “É uma medida moderna, responsável e alinhada com as transformações do século XXI. Países desenvolvidos, a exemplo dos pertencentes à União Europeia, com média de 36 horas semanais, tendo uma especificidade na Holanda, que são 32 horas, já avançam nessa direção porque compreenderam algo essencial: produtividade não é sinônimo de exploração, mas de organização, tecnologia, qualificação e respeito ao ser humano”.
Para o parlamentar, a escala 5×2 garante algo básico: o direito ao descanso. Dois dias para estar com a família, cuidar da saúde, investir em formação, participar da comunidade, viver plenamente. Isso reduz adoecimentos físicos e mentais, diminui afastamentos, melhora o desempenho e fortalece os vínculos sociais.
Do ponto de vista econômico, os impactos são positivos e estruturantes. Trabalhadores menos sobrecarregados produzem mais e melhor. Com mais tempo livre, consomem mais cultura, serviços, lazer e educação. Isso movimenta o comércio, fortalece o turismo, impulsiona a economia local e gera novos postos de trabalho.