Notícias

ONU inclui Israel em lista de violência sexual em conflitos armados

Israel será incluído pela primeira vez na lista das Nações Unidas sobre violência sexual relacionada a conflitos armados, segundo confirmou nesta quinta-feira (29) o embaixador israelense na ONU, Danny Danon.

O relatório anual da organização, que deve ser divulgado oficialmente nos próximos dias, reúne países, forças armadas e grupos armados considerados “suspeitos de forma crível” de cometer estupros e outras formas de violência sexual em zonas de guerra. Hamas também aparece na lista.

A decisão marca um novo agravamento da crise diplomática entre Israel e a ONU em meio às denúncias internacionais sobre abusos cometidos contra palestinos detidos desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.

Segundo Danon, o secretário-geral da ONU, António Guterres, informou pessoalmente Israel sobre a inclusão do país no documento.

Em agosto do ano passado, Guterres já havia colocado Israel e Rússia “sob aviso”, indicando que ambos poderiam ser adicionados futuramente à lista diante do acúmulo de denúncias documentadas pelas Nações Unidas.

Na ocasião, o secretário-geral afirmou existir “grave preocupação” diante de informações consideradas confiáveis sobre violações cometidas por forças armadas e de segurança israelenses contra palestinos em prisões, centros de detenção e bases militares.

As denúncias envolvem relatos de estupro, violência sexual, tortura, espancamentos e humilhações contra palestinos presos durante a ofensiva israelense em Gaza.

Relatórios de organismos internacionais e entidades de direitos humanos vêm apontando que os abusos fazem parte de um padrão sistemático dentro do sistema de detenção israelense.

Nos últimos meses, ativistas internacionais detidos após ações de solidariedade a Gaza também relataram agressões sexuais e maus-tratos sob custódia israelense.

A relatora especial da ONU sobre violência contra mulheres e meninas, Reem Alsalem, afirmou que a inclusão de Israel na lista “demorou até demais”.

“Essa inclusão não poderia ter chegado tarde demais”, escreveu nas redes sociais. Segundo ela, existem evidências independentes e verificadas de violência sexual “sistemática, em larga escala e horrível” cometida por Israel contra mulheres, homens e crianças palestinas.

Após a confirmação da inclusão do país na lista, o ministério das Relações Exteriores israelense anunciou o rompimento das relações institucionais com o gabinete de António Guterres até o fim de seu mandato.

O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, respondeu dizendo que, da parte de Guterres, “a porta continua aberta para Israel”, assim como para os demais Estados-membros da organização.

As relações entre Israel e ONU atravessam uma das maiores crises das últimas décadas desde o início da guerra em Gaza. Autoridades israelenses passaram a acusar a organização de parcialidade após sucessivas condenações internacionais à condução militar da ofensiva no território palestino.

Em 2024, Israel chegou a declarar António Guterres “persona non grata” no país.

O post ONU inclui Israel em lista de violência sexual em conflitos armados apareceu primeiro em Vermelho.