
O governo de Romeu Zema leiloou 95 escolas estaduais para o banco BTG Pactual. Entenda como essa privatização da educação em MG ataca estudantes, precariza os trabalhadores e exige a mobilização imediata da nossa classe contra os banqueiros.
Yasmim Nascimento e Reinilson Câmara – Belo Horizonte (MG)
BELO HORIZONTE – A educação pública de qualidade deixou de ser um dever do Estado. Ela foi transformada em mercadoria para enriquecer a elite financeira. O governo estadual tenta esconder a gravidade desse crime contra a nossa juventude. Mas a classe operária não se deixa enganar pela propaganda oficial. Nós sabemos que quem paga a conta dessa farra bilionária é o povo pobre. O dinheiro público, arrecadado com os nossos pesados impostos, vai direto para os cofres dos parasitas. Essa é a verdadeira face do capitalismo no Brasil.
A farsa da gestão privada na educação
O governo e a imprensa burguesa tentam enganar a classe trabalhadora diariamente. Eles dizem que a empresa cuidará apenas da infraestrutura dos prédios. Falam em supostas melhorias na limpeza, vigilância, merenda e conexão de internet. O falso discurso é “liberar a direção escolar” para focar totalmente no ensino. Mas quem vive o chão da fábrica e da escola sabe da verdade. As 95 escolas escolhidas são as que possuem melhor infraestrutura e índice de educação de acordo com o SIMAVE. As escolas que mais necessitam de intervenção, seja devido a uma infraestrutura precária ou a índices preocupantes de violência, não foram escolhidas para serem leiloadas. Já estava claro desde o edital que a empresa vencedora não teria de enfrentar nenhum dos desafios da educação pública estadual; o objetivo sempre foi lucrar às custas da maior precarização dos trabalhadores que atuam nas escolas mais visadas pelo capital, escolas que podem dar maior retorno financeiro em menos tempo.
É necessário reforçar: A educação e a estrutura material escolar são uma coisa só. O espaço físico reflete diretamente o projeto pedagógico e político.
A merendeira, o porteiro e a faxineira também educam a nossa juventude diariamente. Eles fazem parte da comunidade escolar e da nossa própria classe. Ao entregar esses serviços básicos ao capital financeiro, o governo destrói os vínculos afetivos. A escola pública deixa de ser um espaço seguro de acolhimento social. Ela passa a ser administrada friamente, como uma empresa qualquer do mercado. O objetivo final deixa de ser o conhecimento científico e humano. O único foco dessa gestão passa a ser o lucro imediato dos acionistas.
O professor Roberto trabalha na rede pública estadual em Belo Horizonte. Ele explica com clareza a realidade material imposta pelos novos patrões. “O governo separa a sala de aula do resto da escola. Isso não existe na prática”, afirma o combativo professor. O processo educativo é integral, coletivo e profundamente social. Não se pode fatiar a escola pública como se fatia um bolo em pedaços.
O lucro dita as regras na sala de aula
A lógica implacável dos banqueiros vai invadir todas as salas de aula. Se faltar material de limpeza para a empresa cortar gastos, o aluno sofre. O professor, já doente e sobrecarregado, precisa se virar sozinho. O contrato de privatização prevê que o banco ganhará um “Bônus por Desempenho”. Esse dinheiro extra ocorre se as notas dos alunos subirem artificialmente. Essa é uma armadilha extremamente perigosa para a qualidade da nossa educação.
A empresa terceirizada vai pressionar cruelmente a direção e os professores estaduais. Os executivos vão exigir a aprovação em massa de alunos a qualquer custo. O rigor pedagógico e científico será jogado rapidamente no lixo. Os capitalistas querem bater metas financeiras, não formar cidadãos críticos e conscientes. O conhecimento verdadeiro liberta a classe trabalhadora das correntes da exploração. Mas a burguesia exige apenas jovens alienados para explorar impiedosamente nas fábricas e aplicativos.
Essa métrica de produtividade é típica e exclusiva do modo de produção capitalista. Os banqueiros aplicam nas escolas a mesma lógica brutal da esteira de produção. O aluno filho da classe trabalhadora vira apenas um número na planilha. O professor vira um mero operador de máquina, sem voz ou autonomia. E a nossa escola vira uma fábrica de diplomas ocos e vazios. O capital financeiro não tem nenhum compromisso com o futuro da nossa juventude. Seu único e soberano deus é o dinheiro extraído da classe trabalhadora.
Demissões em massa e superexploração
A regra básica da iniciativa privada é reduzir custos operacionais para lucrar mais. Como os grandes capitalistas fazem isso no mundo real? Eles fazem isso atacando diretamente os direitos da classe trabalhadora. O contrato assinado pelo governo Zema não protege os atuais funcionários terceirizados das escolas. O plano burguês é muito claro, calculado e profundamente cruel com nosso povo. Eles querem demitir pais e mães de família em massa e rapidamente.
Aqueles trabalhadores que ficarem nas escolas sofrerão com uma exploração ainda maior. O capital privado impõe salários muito menores e péssimas condições de trabalho diário. Uma única faxineira será forçada a fazer o serviço de três pessoas. O porteiro terá sua jornada estendida sem o pagamento correto de horas extras. É a precarização absoluta da vida e da saúde mental do trabalhador braçal. O lucro absurdo do BTG Pactual sairá diretamente do suor e do sangue desses profissionais.
A onda de ataques na educação pública
Além de tudo isso, o Estado burguês foge da sua obrigação constitucional e histórica. O governo Zema/Simões deixa de realizar concursos públicos para essas áreas. A estabilidade no emprego, uma conquista histórica da classe, é totalmente destruída. O trabalhador sem estabilidade não pode denunciar os assédios e abusos nas escolas. O medo real do desemprego e da fome cala a boca do trabalhador oprimido. É assim que a burguesia covarde mantém o controle total e autoritário sobre o espaço escolar.
Dívidas com a educação pública: o FUNDEB é uma espécie de “superfundo” que reúne a arrecadação de diversos impostos diferentes dentro dos Estados e dos municípios, com uma complementação da União; o objetivo é auxiliar no investimento em todas as áreas da educação, da creche até a EJA (Educação de Jovens e Adultos). Atualmente o dinheiro dessa arrecadação está parado, inutilizado pelo Estado. Estima-se que o valor total em caixa é de 2 bilhões; a lei determina que haja um rateio dos fundos entre os trabalhadores da educação quando este não é utilizado, porém isso nunca ocorreu durante a atual gestão.
Cortes das turmas de EJA: mais uma vez seguindo os passos de Ratinho Jr. e Tarcísio, a Secretaria de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) barrou a abertura de novas turmas de EJA para o ano letivo de 2026 na maioria de suas escolas. O impacto é terrível: menos da metade das escolas que antes ofereciam o ensino para jovens e adultos continuam disponíveis, dificultando o acesso ao ensino e aprendizagem de quem busca uma segunda chance de voltar a estudar. Os professores também sentem: a perda dessas turmas não é substituída por turmas de ensino regular; portanto, os professores perdem aulas e o turno da noite fica cada vez mais vulnerável a ser completamente cortado, como aconteceu nos outros estados.
Ataques às ASBs: os auxiliares de serviço da educação básica incluem todos aqueles que trabalham na portaria, limpeza e cozinha de uma escola estadual. Trabalhadores braçais, são os mais abertamente desrespeitados pela Secretaria de Educação, chegando a ficar 19 meses recebendo menos de um salário mínimo (entre janeiro de 2024 e maio de 2025). Essa situação gerou problemas severos com o INSS, que não registra vencimentos abaixo do mínimo e, portanto, não contabilizou o tempo para a aposentadoria desses trabalhadores. Apesar do valor já ter sido reajustado, o pagamento do retroativo segue travado judicialmente, e não há perspectiva de indenização pelos danos morais a esses funcionários.
O roubo dos nossos dados e a vigilância
Existe outro risco gigantesco que a grande imprensa burguesa esconde do povo. Esse leilão vergonhoso envolve os dados pessoais e sigilosos dos nossos filhos. As escolas públicas guardam informações muito sensíveis de milhares de jovens da classe trabalhadora. O fundo financeiro ligado ao BTG Pactual terá o controle irrestrito sobre tudo isso. É um prato cheio para a ganância infinita do capital financeiro nacional e internacional.
O mercado capitalista usará esses dados privados para vender produtos para nossas famílias. Eles vão empurrar empréstimos abusivos e dívidas impagáveis para as famílias trabalhadoras já desesperadas. A escola pública vira um laboratório de extração de lucros obscenos para o grande capital. O nosso povo já sofre horrores com o endividamento absurdo nos dias de hoje. Agora, até a escola do bairro ajudará os grandes bancos a nos explorar e escravizar.
A burguesia usa a tecnologia moderna para vigiar e lucrar em cima dos pobres. A privacidade e a dignidade da classe trabalhadora não valem um centavo para eles. Os dados dos filhos dos ricos estão bem protegidos em redutos e escolas de elite. Mas os dados dos filhos dos operários e desempregados são vendidos abertamente na bolsa de valores. Isso é a prova material de que vivemos em uma verdadeira ditadura da burguesia. O Estado serve apenas como um balcão de negócios para garantir o enriquecimento de uma minoria parasitária.
O projeto nacional da burguesia
O que o governo Zema faz atualmente em Minas Gerais não é um caso isolado. É uma grande ofensiva nacional e coordenada por toda a burguesia brasileira. Os capitalistas estão totalmente alinhados para destruir os serviços públicos em todo o país. Em São Paulo, o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas faz exatamente o mesmo crime. Ele também leiloa escolas estaduais com a mesma desculpa esfarrapada de melhorar a gestão.
No Paraná, o governador Ratinho Jr. segue rigorosamente a mesma cartilha política nefasta e antipopular. Essa é a política imposta pelo imperialismo e pelo grande capital financeiro internacional. Eles exigem violentamente que o Estado brasileiro corte todos os gastos sociais com o povo. O dinheiro que deveria ir para a merenda e educação vai para o pagamento da dívida pública. Essa fraude chamada dívida pública é o maior esquema de roubo oficializado da história humana.
Os governos estaduais agem como meros gerentes ou capatazes de um banco. Eles não representam o povo, embora usem a demagogia durante o período eleitoral. Eles representam apenas os interesses de monopólios financeiros e das grandes corporações transnacionais. A democracia burguesa revela-se diariamente como uma grande e perversa ilusão para o povo. O trabalhador vota no governador nas urnas, mas quem realmente manda é o mercado financeiro. A Bolsa de Valores dita as políticas públicas de forma antidemocrática e autoritária. Os trabalhadores elegem políticos mentirosos, mas os bilionários engravatados continuam governando o nosso país de fato.
A crise do capitalismo e a pilhagem do Estado
Nós precisamos entender profundamente por que esses ataques brutais acontecem exatamente agora. O sistema capitalista global está afundado em uma crise estrutural, prolongada e irresolvível. As taxas médias de lucro das grandes empresas estão caindo vertiginosamente em todo o mundo. Para manter suas imensas fortunas crescendo, os super-ricos precisam urgentemente de novas áreas de exploração. Eles precisam invadir e roubar aquilo que ainda é público e gratuito.
A educação básica, a saúde pública e a previdência social viraram os alvos prioritários dessa pilhagem. O capital financeiro não quer mais apenas explorar o trabalho assalariado nas fábricas e comércios. Ele quer transformar cada mínimo aspecto da nossa vida humana em uma mercadoria negociável. O fundo público nacional, formado pelo pagamento diário dos nossos suados impostos, é entregue de bandeja aos bilionários. O Estado capitalista funciona sistematicamente como um imenso e cruel Robin Hood às avessas.
O Estado burguês cobra impostos pesadíssimos de toda a classe trabalhadora brasileira. O povo pobre paga imposto embutido na comida, na roupa simples e no material de construção. Depois, esse mesmo Estado burguês repassa essas fortunas incalculáveis aos grandes fundos de investimento privado. É uma transferência direta, covarde e violenta de riqueza dos mais pobres para os bilionários improdutivos. A privatização sorrateira das escolas em MG é apenas mais um capítulo sangrento desse roubo institucionalizado.
O veneno do reformismo e do esquerdismo
Diante desse ataque devastador do capital, muitos falsos líderes dizem que podemos apenas negociar amigavelmente. Eles defendem a ilusão da conciliação de classes e a paz com nossos carrascos. O reformismo covarde diz que basta eleger políticos “menos piores” na próxima eleição burguesa. Eles afirmam mentirosamente que o Estado pode ser neutro e servir a todos de forma igual. Mas o materialismo histórico-dialético nos ensina claramente que isso é uma grande e perversa mentira.
Não existe meio-termo possível na guerra irreconciliável da luta de classes. O Estado é um instrumento armado de dominação de uma classe exploradora sobre a outra explorada. O Estado brasileiro foi desenhado secularmente para proteger a sagrada propriedade privada dos grandes ricos. Tentar reformar o apodrecido sistema capitalista é como tentar dar uma simples aspirina para curar um câncer letal. A burguesia sanguinária nunca abrirá mão dos seus privilégios de forma pacífica e voluntária. A conciliação de classes desmobiliza o proletariado, joga água na fogueira da revolta popular e anestesia as massas.
Da mesma forma, devemos combater frontalmente o isolamento do esquerdismo infantil. Não basta gritar belas palavras de ordem radicais na segurança das redes sociais da internet. Não podemos agir de forma aventureira, isolada e sem uma organização sólida e disciplinada junto às massas. O isolamento pequeno-burguês afasta completamente os revolucionários da massa trabalhadora real. A verdadeira luta política se constrói no cotidiano duro, no chão de fábrica e na poeira da periferia. A militância precisa estar onde o povo explorado está sofrendo e lutando todos os dias. O discurso revolucionário deve se conectar com as dores mais urgentes e reais do nosso povo oprimido. Sem um persistente trabalho de base nas escolas e bairros, não há uma revolução vitoriosa possível.
Transformar o luto em luta rumo ao Socialismo
A burguesia está extremamente unida, articulada e organizada para nos destruir diariamente. Eles estão confortáveis nos grandes bancos, nos governos estaduais corruptos, nos tribunais seletivos e nas grandes mídias. O telejornal burguês aplaude cinicamente a entrega criminosa das nossas escolas públicas. Mas nós, os trabalhadores do campo e da cidade, somos a imensa e esmagadora maioria da sociedade. A classe operária produz com suas mãos toda a riqueza material que existe neste imenso país. Sem o nosso suor e os nossos calos, nenhuma única engrenagem capitalista gira.
Por isso, o nosso luto e a nossa justa indignação pela destruição da educação devem virar ação concreta. Não podemos confiar nas promessas vazias daqueles que nos exploram e humilham diariamente. Precisamos organizar com urgência reuniões políticas em cada escola atacada pelo governo Zema. Precisamos erguer comitês populares de luta em cada bairro periférico, em cada fábrica e em cada ocupação. A defesa inegociável da escola pública, laica e de qualidade é um dever revolucionário de toda a classe trabalhadora.
Nenhum direito histórico dos trabalhadores do Brasil caiu do céu ou foi um presente. Tudo o que temos hoje foi conquistado com muito sangue, inúmeras greves e forte mobilização popular. O Movimento de Luta de Classes (MLC) chama todos os oprimidos para a frente de batalha coletiva. A crise atual da educação não é um erro político, é o projeto capitalista de controle social operando perfeitamente. A solução definitiva exige a destruição revolucionária do Estado burguês e a construção de uma nova sociedade sem classes. As escolas, as indústrias e as terras devem ser controladas diretamente por quem produz a riqueza. Organize-se no MLC para construirmos juntos, na teoria e na prática, o Poder Popular e o Socialismo!
