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Pré-candidata da UP à Presidência defende aumento de 100% no salário mínimo

UNIDADE POPULAR. Samara defende programa socialista para o país em ato no Rio. Foto: JAV/RJ

Samara Martins, pré-candidata da Unidade Popular (UP) à Presidência defende uma proposta de valorização real do salário mínimo, com o aumento imediato de 100% do seu valor.

Rafael Pires | Diretório Nacional da UP


BRASIL – O mês de maio é marcado por diversas mobilizações e campanhas salariais em todo o país. Sendo o mês em que celebramos o dia internacional dos trabalhadores, também é palco de diversas assembleias, negociações de acordos de trabalho e de greves, legítimo instrumento da luta de classe dos trabalhadores contra os patrões e seus governos. 

Se, por um lado, os trabalhadores buscam obter melhores condições para vender sua força de trabalho, receber melhores salários, reduzir suas horas e dias de jornada, do outro lado, os patrões, tentam extrair ao máximo o lucro, mesmo que isso represente impor péssimas condições de vida e salários cada vez mais baixos para os trabalhadores.

Essa disputa retrata a contradição central do sistema capitalista: a luta entre o trabalho e o capital, que se desenvolve de forma aberta, evidenciando a importância dos sindicatos e da regulação das relações de trabalho, expressas em nosso país através da CLT, a Consolidação das Leis Trabalhistas.

O salário mínimo, instituído nos anos 1940, é um dos mais importantes direitos conquistados pela luta da classe trabalhadora. Segundo o artigo 7° da Constituição Brasileira de 1988, o salário mínimo “deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo”. 

Porém, infelizmente, nos deparamos com uma realidade bem diferente.

O que o salário mínimo permite?

Quando analisamos os custos básicos de vida em nosso país, vemos o quanto, na prática, estamos distantes de um salário mínimo que atenda essas necessidades. O custo da cesta básica, por exemplo, teve aumento em todas as capitais nos meses de março e abril, e tem seu valor mais alto na cidade de São Paulo com R$ 906, e seu menor valor em Aracaju, custando R$ 619, segundo dados do Dieese.

Os aluguéis também sofreram alta bem acima da inflação oficial, subiram, em 2024 e 2025, respectivamente, 8,84% e 8,63%, de acordo com o Índice de Variação dos Aluguéis Residenciais (Ivar), da FGV. Esses valores, pressionados pela especulação imobiliária, fazem com que o custo de uma casa de dois quartos em qualquer grande cidade brasileira não saia por menos de mil reais, podendo custar mais de R$ 2.000 por mês.

Recebendo apenas R$ 1.621, um trabalhador ou trabalhadora conseguirá pagar os custos de aluguel e alimentação e ainda arcar com despesas de transporte, água, luz, telefone ou saúde para sua família? Não é à toa que vemos crescer o endividamento das famílias, que hoje atinge 4 em cada 5 lares, situação agravada com a criminosa política de juros altos praticados pelo governo e o Banco Central.

Aumento de 100% do salário mínimo

Nesse sentido, e se aproximando o período eleitoral, aumentam os debates sobre como resolver o problema de renda e do salário do povo. 

Temos visto as mais absurdas alternativas sendo propostas pelas pré-candidaturas da direita, como separar os valores das aposentadorias do salário mínimo, cortar programas sociais, permitir o trabalho infantil ou acabar com a Justiça do Trabalho, como forma de “flexibilizar” as leis trabalhistas.

Entre todos os pré-candidatos na disputa, apenas Samara Martins, da Unidade Popular (UP), tem apresentado de forma concreta e objetiva uma proposta de valorização real do salário mínimo, com o reajuste imediato em 100% de seu valor, já em janeiro de 2027. “Nosso povo não tem mais como e nem porquê esperar. Não vamos superar o endividamento das famílias, resolver a questão da fome e dar dignidade ao povo brasileiro se continuarmos vivendo com quase 40 milhões de trabalhadores informais, nem com o salário mínimo atual. Os juros não são mais importantes que as famílias, nem que a classe trabalhadora”, declarou Samara, durante ato em Recife.

Os grandes empresários, claro, são contrários a essa proposta, pois, como explicou Karl Marx, “uma alta geral da taxa de salários acarretaria uma baixa da taxa geral de lucro”. Ou seja, duplicar o salário mínimo não vai aumentar os preços dos alimentos, do transporte ou dos aluguéis; o que será reduzido, na verdade, é o lucro dos ricos capitalistas.

Trata-se, portanto, de uma disputa real entre o lucro dos patrões e os salários dos trabalhadores, e não de uma preocupação com a viabilidade das contas públicas ou da garantia do funcionamento das empresas capitalistas. A situação de endividamento das famílias e da carestia exige uma mudança de prioridades nas relações de trabalho do país, e aplicar 100% de reajuste no salário mínimo é o primeiro passo para melhor as condições de vida de toda a classe trabalhadora.