Autoridades palestinas denunciaram nesta sexta-feira (29/05) a nova declaração do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a expansão do controle da Faixa de Gaza para 70%. O Ministério das Relações Exteriores classifica a medida como “uma grave quebra dos fundamentos do cessar-fogo e uma sabotagem deliberada dos esforços internacionais destinados a pôr fim à agressão”.
A chancelaria apelou aos “estados mediadores e garantidores, liderados pelos Estados Unidos, para que tomem medidas imediatas e pressionem Israel, a potência ocupante, a cessar os seus crimes contra civis palestinos”, afirmou em comunicado.
A nota descreve a declaração de Netanyahu como “violação da visão do presidente Trump, grave quebra dos fundamentos do cessar-fogo e sabotagem deliberada dos esforços internacionais destinados a pôr fim à agressão, impedir o deslocamento forçado e abrir um horizonte político que represente o Estado da Palestina e concretize o direito à autodeterminação”.
Mais de mil palestinos em Gaza foram mortos em consequência dos ataques contínuos durante o “cessar-fogo”, acrescentou, alertando para o “agravamento da catástrofe humanitária” com passagens fechadas e severas restrições à ajuda humanitária.
Na quinta-feira (28/05), Netanyahu declarou que ordenou às Forças Armadas de Israel (IDF) que tomem mais áreas em Gaza. “Estávamos em cinquenta, passamos para sessenta. Minha diretriz é avançar passo a passo”, disse.

Wafa
“Em primeiro lugar, setenta. Vamos começar por aí. Estamos pressionando-os (o Hamas) por todos os lados. Lidaremos com os remanescentes”, determinou em um discurso proferido em uma conferência em um assentamento na Cisjordânia ocupada, o premiê acrescentou que “ainda mais porções da Faixa seriam tomadas”.
Segundo o acordo de cessar-fogo firmado entre as partes e mediado pelos Estados Unidos, as tropas israelenses deveriam se retirar para uma “Linha Amarela” que demarca a extensão de 53% do controle de Israel em Gaza.
Em outra frente, a Autoridade Palestina de Terras denunciou um plano israelense para registrar digitalmente a propriedade de imóveis na Cisjordânia ocupada. “É um passo perigoso de ocupação colonial que representa um ataque direto aos direitos históricos e legais do povo palestino à sua terra e propriedade”, afirmou.
Segundo a emissora catari Al Jazeera, Israel lançou na quarta-feira (27/05) a plataforma online “Registro de Terras e Regularização de Direitos”, por meio da qual planeja “atualizar” a titularidade de propriedades na Cisjordânia ocupada.
Dessa forma, o Governo Palestino de Jerusalém e a Comissão de Resistência à Colonização e ao Muro (CRRC) instaram os palestinos na Cisjordânia a não se envolverem com quaisquer “entidades, comitês, plataformas ou procedimentos” israelenses relacionados a terras e propriedades.
Os órgãos palestinos apelaram à comunidade internacional, às Nações Unidas, ao Tribunal Penal Internacional e a todas as instituições internacionais de direitos humanos e jurídicas para que “assumam as suas responsabilidades urgentes para pôr fim a estes procedimentos ilegais e responsabilizar o Estado ocupante pelas suas contínuas violações contra o povo palestiniano, as suas terras e os seus recursos”.
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