Inaugurada na última quarta-feira (27), a Ocupação Maria Águeda é a 1ª na cidade de Guaratuba e 48ª ocupação do Movimento de Mulheres Olga Benario em todo o país.
Gabriela Torres | Redação Paraná
MULHERES – O Movimento Olga Benario realizou a primeira ocupação de mulheres em Guaratuba, a Ocupação Maria Águeda. A casa de referência é localizada no centro da cidade, na Avenida Guaira 1010; e tem o objetivo de atender mulheres em situação de violência de toda a região com o apoio de uma rede de profissionais voluntárias.
A Casa Maria Águeda foi organizada em um espaço abandonado desde 2019 e que não cumpria função social. Esta é a 48ª ocupação de mulheres do movimento no país, e compõem uma campanha estadual em memória da vida de Bruna Danielle, mãe e trabalhadora que foi vítima de feminicídio na cidade de Guaratuba, litoral paranaense, no início do ano.
Guaratuba é uma das principais cidades do Paraná, segundo estado com maior número de casos de tentativas de feminicídio no Brasil, sendo também uma das três cidades com o maior índice de violência contra a mulher na região do Litoral. Somente no ano de 2025 foram registrados 1.404 casos de violência contra a mulher no município de Guaratuba. No mês de Março, a homenageada Bruna Danielle, de 28 anos, foi violentamente assassinada pelo ex-companheiro na frente de sua filha de apenas 9 anos. “Bruna era uma trabalhadora do colégio estadual Zilda Ans, em Guaratuba, tinha 3 empregos para sustentar sua casa e era muito amada por todos ao seu redor. A ocupação Maria Águeda – por Bruna Danielle vem para denunciar mais um caso de feminicídio nesse sistema de violência e para honrar sua memória” relata Maria Clara, coordenadora do movimento.
Maria Águeda, vanguarda da luta antirracista
Maria Águeda foi uma moradora da província de Curitiba no século XIX, e se tornou uma referência antirracista no estado do Paraná ao ser a primeira mulher negra liberta a dizer “não” para duas mulheres brancas da elite burguesa que exigiram que Maria buscasse lenha às famílias ricas, durante uma missa na Igreja Matriz da cidade. O tenente-coronel Francisco de Paula Ribas, marido de uma das mulheres, prendeu Maria Águeda e ordenou que fossem amarrada em um tronco pelo pescoço, mas apesar da repressão, a negra liberta se manteve firme em sua decisão de defender a liberdade e não se submeter à escravidão, e conseguiu ser solta um dia depois.
Hoje, a casa de referência Maria Águeda – por Bruna Danielle homenageia essas duas mulheres, mães e livres, por uma luta por um mundo sem exploração, pelo fim da violência contra a mulher e o fim do racismo.