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Kassio Nunes será o relator do caso Dark Horse no TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, foi sorteado como relator de três ações que colocam no centro do debate eleitoral o financiamento do filme Dark Horse, produção que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro e que se tornou alvo de questionamentos após as revelações da série Vaza Flávio, publicada pelo Intercept Brasil. Saiba mais na TVT News.

As ações tratam de diferentes aspectos do caso, mas convergem para um mesmo núcleo: a relação entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e os recursos destinados à produção cinematográfica.

A definição da relatoria ocorreu por sorteio, mas chama atenção pelo contexto. Em maio, o próprio Nunes Marques editou resolução estabelecendo que ele, André Mendonça e Estela Aranha seriam os responsáveis pelas ações relacionadas à propaganda eleitoral durante o período do pleito.

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Indicado ao Supremo Tribunal Federal por Bolsonaro em 2020, Nunes Marques agora terá a tarefa de conduzir processos que podem ter impacto direto sobre a disputa presidencial de 2026.

Três ações sob análise envolvendo Dark Horse e Vorcaro

A primeira representação foi apresentada pelo PL e questiona uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel. O partido sustenta que o levantamento teria influenciado negativamente os entrevistados ao reproduzir um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece negociando recursos para o filme junto a Vorcaro.

A gravação se tornou pública após as reportagens da série Vaza Flávio revelarem bastidores da negociação para financiar o projeto cinematográfico. O AtlasIntel nega qualquer irregularidade e afirma que a pesquisa seguiu critérios técnicos.

A segunda ação foi apresentada pelo deputado federal Rogério Correia em conjunto com integrantes do Grupo Prerrogativas. O pedido solicita que o TSE impeça a exibição, divulgação e promoção do filme durante o período eleitoral.

Os autores argumentam que uma produção de grande alcance dedicada a Bolsonaro, lançada às vésperas da eleição presidencial, poderia funcionar como instrumento de propaganda política paralela, comprometendo a igualdade de condições entre os candidatos.

Na petição, os advogados sustentam que a obra pode produzir uma “vantagem comunicacional incompatível com a igualdade de chances” e apontam preocupação com a origem dos recursos empregados no projeto.

Já a terceira ação foi protocolada pelo deputado federal Arlindo Chinaglia. O parlamentar pede a abertura de investigação para apurar possível abuso de poder econômico e político na produção e no financiamento do filme.

Revelações ampliaram pressão sobre o projeto

O caso ganhou dimensão nacional após a divulgação de documentos, mensagens e áudios pela série Vaza Flávio.

As primeiras reportagens mostraram que Flávio Bolsonaro participou diretamente das negociações para obtenção de recursos destinados à produção. Em gravações divulgadas pelo Intercept Brasil, o senador aparece solicitando apoio financeiro de Vorcaro para viabilizar o projeto.

Posteriormente, novas revelações indicaram que o então banqueiro teria se comprometido a investir até R$ 134 milhões na obra por meio de estruturas financeiras ligadas ao projeto.

Outra reportagem mostrou que Flávio viajou a São Paulo para reuniões relacionadas à produção cinematográfica em um período em que Vorcaro já enfrentava crescente pressão de órgãos reguladores e investigações sobre o Banco Master.

Na mais recente revelação da série, mensagens atribuídas ao ex-banqueiro mostraram que ele tratava os repasses ao filme como prioridade absoluta.

Em conversa com seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, Vorcaro foi informado sobre dezenas de milhões em pagamentos pendentes. Ao descobrir que o filme não estava entre as prioridades de desembolso, respondeu de forma enfática: “Esse é o mais importante disparado” e determinou que o pagamento não poderia falhar novamente.

As mensagens sugerem que os aportes para a produção receberam tratamento privilegiado mesmo em um momento de dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo econômico ligado ao Banco Master.

Delação de Vorcaro aumenta tensão

A pressão sobre o caso aumentou ainda mais nesta semana após a CNN Brasil informar que Vorcaro incluiu o episódio do financiamento do filme em uma nova proposta de colaboração premiada apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Segundo a emissora, o ex-banqueiro teria relatado pedidos e cobranças feitos por Flávio Bolsonaro para a liberação dos recursos, além de detalhar transferências milionárias destinadas à produção.

A inclusão do tema na nova versão da delação amplia a relevância jurídica e política do caso e pode reforçar os pedidos para que o TSE investigue a origem e o uso dos recursos empregados na cinebiografia.

Julgamentos podem influenciar debate eleitoral

Com a relatoria concentrada nas mãos de Kassio Nunes Marques, o TSE passa a ser um dos principais palcos institucionais da controvérsia envolvendo o filme.

As decisões do ministro poderão definir desde a manutenção ou não da circulação da obra durante a campanha até a abertura de investigações sobre eventual abuso de poder econômico.

Em um cenário em que o financiamento do Dark Horse já é alvo de questionamentos judiciais, investigações jornalísticas e apurações envolvendo Daniel Vorcaro, a escolha do relator coloca sob os holofotes um dos temas mais sensíveis da pré-campanha presidencial de 2026.

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