
A extrema direita brasileira não cansa de demonstrar que seu projeto de poder não passa de uma submissão irrestrita aos interesses estrangeiros. Em mais um episódio de entreguismo escancarado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu, em vídeo publicado nas redes sociais, que o PIX — o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, reconhecido mundialmente por sua eficiência e gratuidade — poderia ser “colocado na mesa de negociação” com os Estados Unidos.
A fala, que trata o patrimônio financeiro do povo brasileiro como moeda de troca, foi prontamente rebatida pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que contrastou a postura servil da direita com a defesa intransigente da soberania nacional.
“Agora, os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, o Pix dos Estados Unidos aqui é o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos, dá para você sentar, dá para negociar. Eles têm interesses onde as nossas economias se complementam, como por exemplo terras raras, manganês, que os Estados Unidos importam 100% do manganês e o Brasil é um grande produtor de manganês. E com o Jair Bolsonaro dá para você confiar, com o Lula não dá para você confiar. (…) E esse foi o pedido que nós fizemos”, diz Eduardo Bolsonaro, conhecido como Bananinha.
O PIX na mesa de negociação: soberania financeira em leilão
Na gravação, Eduardo Bolsonaro compara o PIX ao Zelle, o sistema de pagamentos dos Estados Unidos. A comparação, no entanto, escancara a vocação entreguista do bolsonarismo: enquanto o PIX é uma infraestrutura pública, gratuita e gerida pelo Banco Central em benefício da população, o Zelle é um sistema privado controlado pela Early Warning Services LLC, um consórcio formado por sete dos maiores bancos norte-americanos, como JP Morgan Chase, Bank of America e Wells Fargo.
Ao afirmar que “dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos” e oferecer o sistema brasileiro como contrapartida em troca de vantagens na exportação de minérios como manganês e terras raras, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro trata a soberania financeira do Brasil como um ativo a ser leiloado.
Para a extrema direita, o sucesso de um sistema público que retirou o monopólio das tarifas bancárias e incluiu milhões de brasileiros é um incômodo que precisa ser entregue ao capital financeiro estrangeiro.
A tutela estrangeira como projeto político
A fala de Eduardo não é um incidente isolado, mas a confirmação de uma diretriz política. A extrema direita brasileira não possui um projeto de desenvolvimento nacional; sua estratégia se baseia na tutela de potências estrangeiras. Ao viajar aos Estados Unidos, a comitiva bolsonarista não foi buscar paridades comerciais justas, mas sim articular intervenções contra o próprio país, incluindo a defesa de sanções e de um “tarifaço” que puniria a economia nacional e o bolso dos trabalhadores brasileiros.
Nesse contexto, oferecer o PIX e as riquezas minerais do subsolo brasileiro como “bons argumentos” para agradar Washington revela a essência antinacional do bolsonarismo. Para eles, o Brasil não é uma nação soberana a ser desenvolvida, mas um quintal estratégico e um mercado consumidor a ser entregue às corporações norte-americanas, em troca de benesses políticas para seus líderes.
A defesa da democracia contra o tarifaço e a subserviência
Em resposta à vergonhosa declaração, a deputada Jandira Feghali foi cirúrgica ao expor a dicotomia entre os dois projetos de país que estão em disputa. “Enquanto entreguistas foram aos Estados Unidos pedir tarifaço contra o Brasil, nós fomos defender a democracia brasileira”, afirmou a parlamentar.
A fala de Jandira reforça que a soberania nacional é indissociável da democracia. Não há como defender os interesses do povo brasileiro aceitando que potências estrangeiras tutelem o destino do país ou que a infraestrutura financeira nacional seja usada como moeda de troca em negociações espúrias.
Enquanto a direita entrega, os campos democráticos e nacionalistas reafirmam que o futuro do Brasil é decidido pelo seu povo, nas urnas, e que a riqueza do país — de suas terras raras ao seu sistema de pagamentos — deve servir exclusivamente ao desenvolvimento da nação brasileira.
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