
Irã e Israel anunciaram nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária dos ataques após uma nova escalada militar marcada pelos bombardeios israelenses contra o sul do Líbano, os arredores de Beirute e alvos no território iraniano.
A pausa ocorre em meio à tentativa dos Estados Unidos de preservar as negociações com Teerã, abaladas pelas ofensivas israelenses dos últimos dias.
A crise se agravou no domingo (7), quando Israel voltou a atacar áreas do sul libanês e a região de Dahieh, nos subúrbios da capital Beirute, reduto do Hezbollah.
Os bombardeios ocorreram apesar das conversas em curso entre Washington e Teerã para tentar alcançar um acordo que encerre o conflito regional iniciado em fevereiro e das negociações entre o governo libanês e Israel para conter os ataques ao sul do Líbano.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica lançou mísseis contra o norte de Israel e afirmou que o principal alvo da operação foi a base aérea de Ramat David, apontada por Teerã como origem dos ataques israelenses contra o Líbano.
O Quartel-General de Khatam al-Anbiya, principal comando operacional das Forças Armadas iranianas, declarou que a ação foi uma “resposta dolorosa” às ofensivas israelenses contra o território libanês e advertiu que novas operações poderão ocorrer caso os bombardeios continuem.
“Se as agressões e males continuarem, inclusive no sul do Líbano, medidas muito mais severas e esmagadoras estarão a caminho”, afirmou o comando militar iraniano em comunicado divulgado pela agência Fars.
Trump chegou a exigir publicamente que Tel Aviv não respondesse aos ataques iranianos para evitar o colapso das negociações conduzidas por Washington, mas Israel voltou a bombardear o território iraniano horas depois da ofensiva de Teerã.
Segundo autoridades israelenses, os ataques atingiram sistemas de defesa aérea e instalações petroquímicas em Mahshahr, no sudoeste iraniano. Explosões também foram registradas em Teerã, Tabriz e Isfahan.
Após a nova rodada de ataques, tanto Teerã quanto Tel Aviv sinalizaram uma interrupção temporária das operações militares. A Reuters informou que uma fonte israelense confirmou a suspensão dos bombardeios, enquanto o Irã anunciou oficialmente a pausa nas ações armadas.
A sequência dos acontecimentos desnuda mais uma vez as contradições da política norte-americana para o Oriente Médio.
Enquanto Washington tenta negociar um acordo com Teerã, Israel ampliou ataques contra o Líbano e o Irã, elevando o risco de colapso das próprias negociações conduzidas pelos Estados Unidos.
Donald Trump pressionou publicamente pela interrupção dos ataques após a escalada ameaçar as conversas diplomáticas patrocinadas por Washington. O presidente norte-americano afirmou que Israel e Irã deveriam “parar imediatamente de atirar” e declarou que um acordo estava próximo, mas evitou qualquer crítica concreta aos bombardeios israelenses contra o Líbano.
O governo iraniano afirmou que as ações israelenses demonstram tentativa deliberada de sabotar as negociações. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, declarou que Teerã conduz o diálogo com os EUA em um ambiente de “extrema desconfiança”.
Segundo Baghaei, os ataques israelenses ao Líbano ocorreram justamente no momento em que mediadores internacionais estavam em Teerã discutindo caminhos para um cessar-fogo regional. Autoridades iranianas sustentam que qualquer acordo depende do fim das ofensivas israelenses contra o território libanês.
A tensão também voltou a atingir o Golfo Pérsico. O Irã reiterou que bases militares norte-americanas no Oriente Médio poderão ser consideradas “alvos legítimos” caso Washington participe diretamente de novas ofensivas. Paralelamente, os houthis do Iêmen ameaçaram intensificar ações contra a navegação israelense no Mar Vermelho.
Apesar do anúncio da pausa, o cenário regional segue instável. Autoridades israelenses afirmaram anteriormente que as operações poderão continuar “pelo tempo que for necessário”, enquanto Teerã insiste que retomará os ataques caso o Líbano continue sendo bombardeado.
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