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Crescem os acidentes de trabalho no Brasil

ACIDENTES TRABALHO. RISCOS. Falta segurança para os trabalhadores. Foto: ATS

Segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Brasil registrou 6,4 milhões de acidentes de trabalho e 27.486 mortes entre os anos de 2016 e 2025.

Ludmila Outtes (MLC)


BRASIL – O dia 28 de abril é considerado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho. No Brasil, a data também marca o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Recentemente, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou um levantamento sobre acidentes de trabalho no Brasil entre 2016 e 2025, com base nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registrados no INSS e no eSocial. Os dados apontam que nesse período de 10 anos, foram registrados 6,4 milhões de acidentes de trabalho, que resultaram em 27.486 mortes. Somente no último ano, 2025, foram 806 mil acidentes e 3.644 mortes, um recorde do período.

O setor da saúde foi o campeão de acidentes, principalmente entre os serviços hospitalares e de pronto atendimento, como SAMU, tendo os técnicos de enfermagem como a principal categoria atingida. Outro destaque é o setor de transporte rodoviário, que possui a maior concentração de mortes. De acordo com o tipo de acidente de trabalho, foram 64,6% de acidentes típicos, 19,3% de acidentes de trajeto e 2,8% de doenças ocupacionais.

Reformas aumentam acidentes e mortes

Vale destacar que até 2017, ou seja, antes da aprovação da Reforma Trabalhista, a média anual era de 500 a 600 mil acidentes de trabalho, número bem inferior ao registrado no ano passado. Também com relação ao número de mortes, foi observado um expressivo aumento: até 2017, a média anual era de duas mil mortes; após a Reforma, a média passou a ser de três mil mortes por ano.

Entre 2020 e 2025, os acidentes aumentaram 65,8%, enquanto os óbitos cresceram 60,8%, comprovando que a Reforma Trabalhista não trouxe nenhum benefício para a classe trabalhadora. Ao contrário, fragilizou os vínculos, ampliando a terceirização, reduzindo salários, aumentando a jornada média de trabalho, retirando direitos e expondo os trabalhadores a maiores riscos no ambiente laboral.

Os números podem ser ainda maiores

A verdade é que os números podem ser piores do que os divulgados. Isso porque os dados fornecidos na pesquisa são baseados nos registros de CAT, ou seja, nos acidentes informados oficialmente e associados diretamente ao trabalho. Porém, muitos acidentes e doenças ocupacionais ainda são subnotificadas, principalmente porque os patrões se negam a fazer a comunicação. Outro problema é o fato de boa parte das doenças psicológicas ainda não serem consideradas doenças ocupacionais, apesar da relação direta entre essas doenças e o estresse no ambiente de trabalho, o assédio moral – e até sexual – e a sobrecarga de trabalho.

Reforma Trabalhista precisa ser revogada!

Por tudo isso, precisamos erguer alta a bandeira da revogação da Reforma Trabalhista e da Terceirização irrestrita, pauta que foi abandonada pelas centrais sindicais e pelos sindicatos dirigidos pelos reformistas e pelegos. Essa reforma representou, e ainda representa, um grande retrocesso nos direitos dos trabalhadores e, por isso, precisamos lutar por sua derrubada.

Matéria publicada na edição impressa nº 335 do jornal A Verdade