
Ao participar da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, nesta quarta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou as mais recentes medidas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e defendeu investimentos e distribuição de renda em benefício das parcelas mais pobres da população.
A plenária do Conselhão, ocorrida no Palácio do Itamaraty, teve como tema “Da Soberania Nacional ao Protagonismo Global”. Em consonância com esse mote e em meio a uma fala curta, Lula priorizou a crítica às interferências do governo de Donald Trump em assuntos internos do Brasil. Durante a reunião, o presidente posou ao lado de ministros, conselheiros e do vice-presidente Geraldo Alckmin com uma placa com a frase “O Pix é do Brasil”.
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“Essa última imputação de taxa que eles nos colocaram, nós não temos o direito de aceitar por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui para os trabalhadores brasileiros. Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor financeiro ‘não sei das quantas’ impor multas”, declarou o presidente.
Lula também ironizou as penalidades aplicadas, atribuídas à suposta falta de medidas de combate ao desmatamento no Brasil. “Impor multa por causa de desmatamento? Será que eles não percebem que eles já estão carecas e que nós estamos somente cortando um pedacinho aqui do lado?”, disse, fazendo uma analogia a um corte de cabelo. “Será que eles não se dão conta de que nesses três anos e meio nós diminuímos o desmatamento em todos os biomas?”, completou.
Distribuição de renda
Ao tratar dos investimentos com foco no desenvolvimento social que vêm sendo feitos ao longo de seus governos, Lula destacou: “Atender a parte da sociedade que durante séculos foi tratada como invisível, embora custe muito pouco do ponto de vista financeiro, é muito difícil do ponto de vista da compreensão política de que essas pessoas também são cidadãs e cidadãos que merecem comer uma fatia do bolo que produzimos”.
Lula salientou que “a economia do Brasil está correta” embora “obviamente eu gostaria que crescesse 10%”. Mas o importante, destacou, “não é o quanto vai crescer; o importante é se o que vai crescer será distribuído. Porque este país já cresceu 14% ao ano e não distribuiu. O que é importante é que, aos poucos, a gente vai colocando a parte mais sensível, mais pobre da população dentro do orçamento do país, levando a sério a educação, a saúde, a demarcação de terras indígenas, a questão dos quilombolas”.
O presidente também falou sobre a reação de setores da elite às políticas com esse foco. “É claro que a cada reserva florestal que a gente faz; a cada terra indígena que a gente legaliza; a cada benefício que a gente dá para um pobre, aqueles que estavam acostumados que o País fosse só deles ficam irritados”.
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De vez em quando, prosseguiu Lula, “a Faria Lima escreve nos jornais que se a gente tiver um déficit de 0,20% vai cair o mundo, enquanto nos EUA, a dívida externa é 120% do PIB, na Itália é quase 200%…E aqui vivemos por conta disso. Eles não se preocupam com o avanço que a sociedade brasileira está tendo”.
Lula continuou argumentando que “tudo o que a gente quer fazer pelo pobre, vem alguém dizer que gasta muito: investir na alfabetização gasta muito, investir na universidade gasta muito…As pessoas nunca pararam para fazer a grande pergunta: quanto custou ao País não fazer as coisas certas no tempo que deveria fazer? Esse é o desafio que a sociedade brasileira tem que se fazer”.
Cenário político
Sobre o atual cenário político, Lula destacou que “estamos vivendo um momento muito delicado na política e na humanidade. A narrativa e o argumento não valem mais nada. O que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais”. Ele disse ainda que “o mundo só vai ser civilizado quando a gente voltar a ter em conta de que é o argumento que pode convencer sobre a seriedade de alguém que disputa um cargo”.
Ao iniciar sua fala, Lula explicou que sua participação na plenária do Conselhão seria curta devido a uma videoconferência marcada com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum. Mais adiante, em seu discurso, Lula demonstrou preocupação com a onda de protestos que acontece no país às vésperas da Copa do Mundo, tal qual ocorreu no Brasil a partir de 2013.
“Agora mesmo, no México, está acontecendo um pouco daquilo que aconteceu aqui em 2013. Todo mundo deve se lembrar de que uma simples reivindicação relativa a R$ 0,20 de aumento no transporte público foi o pretexto para que a extrema direita tomasse conta das ruas usando o verde e amarelo”, recordou.
Lula lembrou ainda que, naquela ocasião, “a extrema direita tirou proveito da situação e fez o impeachment da Dilma. E aí vocês conhecem o resultado: elegeu um presidente da República. Minha conversa com a Cláudia é de que eu acho que isso pode estar acontecendo agora no México. E eu acho que tem o dedo de alguém que talvez nem seja mexicano. Então, precisamos ficar muito atentos a essas questões”, ponderou.
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