
Os ataques lançados pelos Estados Unidos contra o Irã nesta quarta-feira (11) passaram a ser alvo de acusações de crime de guerra. Uma análise do New York Times identificou indícios de que bombas norte-americanas atingiram reservatórios de água potável que abasteciam cerca de 20 mil pessoas no sul do país.
Os bombardeios fazem parte de uma nova ofensiva ordenada pelo governo de Donald Trump contra alvos iranianos após o colapso do cessar-fogo firmado em abril.
Nas últimas horas, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou ter atacado radares, sistemas de comunicação, posições de defesa aérea e outras instalações militares em diferentes regiões do país.
Em resposta, Teerã voltou a anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo, e lançou novos ataques contra posições militares ligadas aos EUA no Golfo Pérsico.
A denúncia surge poucos meses após outro episódio que provocou forte condenação internacional. Em março, bombardeios norte-americanos atingiram uma escola de meninas na cidade de Minab, no sul do Irã, deixando mais de uma centena de mortos, segundo autoridades iranianas, a maioria crianças e mulheres.
Organizações de direitos humanos e especialistas em direito internacional cobraram uma investigação independente sobre o ataque, que atingiu uma área civil e ampliou as acusações de violações das Convenções de Genebra durante a guerra de agressão imperialista liderada por Washington.
Segundo a investigação do New York Times, imagens de satélite, vídeos divulgados pela imprensa iraniana e fragmentos de armamentos encontrados no local indicam que duas estruturas de armazenamento de água na região de Bemani foram atingidas por munições guiadas de precisão utilizadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.
A própria CENTCOM informou ter realizado ataques com “munições de precisão” contra alvos próximos ao Estreito de Ormuz.
A análise do jornal aponta que os reservatórios atingidos estavam isolados, sem outras instalações militares ou estratégicas nas proximidades, característica compatível com um ataque deliberado e altamente preciso.
O jornal ressalta que o ataque intencional contra infraestrutura civil configura crime de guerra segundo o direito internacional humanitário. As instalações abasteciam aproximadamente 20 mil moradores de dez vilarejos da região.
O ataque ocorreu em meio a temperaturas superiores a 38°C no sul do Irã, agravando o impacto sobre a população local.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, classificou a ação como “um crime de guerra calculado” e afirmou que os Estados Unidos atingiram deliberadamente uma infraestrutura vital para a população civil.
“Essas instalações forneciam água potável para mais de 20 mil pessoas. Não se trata de dano colateral, mas de uma flagrante violação dos direitos humanos e do direito internacional humanitário”, declarou.
Apesar dos danos, autoridades locais informaram que equipes de emergência conseguiram restabelecer o abastecimento por meio de rotas alternativas e caminhões-pipa em menos de 12 horas.
O governo iraniano afirmou que os novos bombardeios norte-americanos tornaram o cessar-fogo firmado em abril “praticamente sem sentido”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores responsabilizou Washington pelas consequências da nova ofensiva e acusou os Estados Unidos de inviabilizar os esforços diplomáticos em curso.
Em resposta, Teerã lançou mísseis e drones contra instalações militares ligadas aos EUA no Bahrein, Jordânia e Kuwait, ampliando o risco de regionalização do conflito.
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