Notícias

Governo Macron acusa empresa israelense de interferir em eleições na Escócia, França e Nova York

A agência francesa de cibersegurança Viginum acusou a empresa israelense de tecnologia BlackCore de interferir nas eleições escocesas no início deste ano. Segundo a agência, a empresa teria como alvo o primeiro-ministro escocês, John Swinney, utilizando contas falsas em redes sociais para atacar Swinney, o Partido Nacional Escocês (SNP) e o governo escocês em quatro ocasiões.

Viginum afirmou que a BlackCore concentrou suas operações nas eleições municipais na França, mas também mirou as eleições para prefeito em Nova York (vencidas por Zohran Mamdani) e outros países como Togo e Angola.

Em uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (11/06) ao lado do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, o chefe de interferência digital da Viginum, Marc-Antoine Brillant, afirmou que as investigações identificaram a empresa israelense como culpada, mas que ainda não estava claro quem havia contratado a companhia.

“Este modus operandi não se limitou às eleições municipais na França. Parece também ter sido usado para realizar operações de interferência digital estrangeira em outros países ou regiões, como Angola, Togo, as eleições na Escócia e as eleições municipais de 2025 em Nova York”, afirmou Brillant.

Ele acrescentou: “Nossas investigações não possibilitaram identificar o(s) patrocinador(es), se de fato existirem, por trás dessa interferência digital estrangeira.”

O relatório da Viginum alega que Swinney, o SNP e o governo descentralizado em Edimburgo foram alvo de uma campanha específica entre 6 de janeiro e 8 de maio, durante o período que antecedeu e coincidiu com uma eleição acirrada para o parlamento escocês.

Primeiro-ministro da Escócia, John Swinney
Foto; @JohnSwinney / X

De acordo com a investigação, a organização esteve envolvida na “publicação coordenada” e mobilização de pelo menos 256 contas na plataforma X, o que possibilitou a distribuição de cerca de 1.400 comentários. A conta de Swinney foi alvo de ataques 652 vezes, a do SNP 338 e a do governo escocês 112.

Possivelmente em razão dessa postura, Swinney e seus colegas ministros têm sido veementes em suas críticas às ações do governo israelense em Gaza e na Cisjordânia. Além disso, impuseram uma forma de sanções às Forças de Defesa de Israel, retendo subsídios estatais para empresas de armamento que fornecem armas a Israel e congelando o apoio às exportações para o país.

Anteriormente, a BlackCore se descrevia como “uma empresa de influência, cibersegurança e tecnologia de elite, criada para a era moderna da guerra da informação”. Afirmava fornecer a governos e campanhas políticas “estratégias de ponta, ferramentas avançadas e segurança robusta para moldar narrativas”.

O governo israelense afirmou que aguarda o relatório francês antes de decidir se conduzirá sua própria investigação e negou ter qualquer interesse em interferir nas eleições de outros países. O governo escocês e o Gabinete do Governo foram contatados para comentar o assunto.

Swinney afirmou que a desinformação online representa “uma ameaça real e presente” à democracia e instou o governo do Reino Unido a dar maior prioridade à interferência hostil do Estado, em consonância com as recomendações da recente revisão de Philip Rycroft.

“É evidente que as campanhas orquestradas de desinformação e a interferência estrangeira nas eleições são questões que precisam ser levadas a sério”, disse Swinney. “Medidas urgentes precisam ser tomadas para combater a ameaça da interferência política estrangeira online e garantir que nossos processos democráticos não sejam prejudicados dessa forma.”

Paralelamente, Lecornu afirmou esta semana que existe o risco de as eleições presidenciais francesas do próximo ano serem alvo de interferência e desinformação internacionais, sem mencionar quaisquer potenciais perpetradores. Após reunir-se com partidos políticos para discutir essa ameaça, ele disse que “toda a classe política” poderia ser alvo.

O post Governo Macron acusa empresa israelense de interferir em eleições na Escócia, França e Nova York apareceu primeiro em Opera Mundi.