
Estudantes de diversos estados realizaram jornada nacional contra o assédio e a violência nas escolas.
Ana Leite | Movimento Rebele-se
Vitória Ohara | Movimento Olga Benario
JUVENTUDE – No último dia 19 de maio, estudantes de diversos estados do país realizaram uma jornada nacional de luta contra o assédio e a violência de gênero nas escolas, convocada pelo Movimento Rebele-se e pelo Movimento de Mulheres Olga Benario.
Revoltadas com casos de assédio praticados por colegas e professores, além da omissão de direções escolares e Secretarias de Educação diante das denúncias, jovens organizaram paralisações, atos, panfletagens, rodas de conversa, abaixo-assinados e faixaços para exigir ambientes seguros para todas as estudantes.
A mobilização surgiu por causa do aumento da violência e do assédio contra as meninas nas escolas.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, mostram que 18,5% dos estudantes entre 13 e 17 anos já sofreram algum tipo de violência sexual, como toques, beijos forçados ou exposição do corpo contra a vontade. Entre as meninas, esse número chega a 26%, ou seja, mais de uma em cada quatro estudantes. A pesquisa também aponta que cerca de 9% dos adolescentes já foram forçados a manter relações sexuais. Os dados revelam que a violência de gênero não está apenas nas ruas ou dentro de casa, mas também atravessa os espaços de educação.
Além disso, o crescimento de discursos misóginos e violentos nas redes sociais, impulsionados por influenciadores da chamada “cultura red pill” e por grupos de extrema-direita contribui para a naturalização da violência contra as mulheres. Essas ideias propagam a noção de que as mulheres devem ocupar uma posição de submissão e incentivam comportamentos de humilhação, perseguição e violência contra meninas e mulheres, encontrando terreno fértil entre parte da juventude.
Em Brasília, uma das diretoras da Associação Regional dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal e Entorno (Ares-DFE) relatou um caso envolvendo três garotos do ensino médio neonazistas e assediadores que falavam abertamente quais meninas eram “estupráveis”.
Se os dados apontam que a maior parcela das vítimas de violência são mulheres jovens e que os agressores costumam ser homens conhecidos, na escola não é diferente. São diversas denúncias silenciadas de professores que abusam de sua posição para assediar alunas durante o horário de aula. “No IFB todo mundo sabia que esse professor era assediador, mas a direção nunca tomou providências. Foi com a manifestação do dia 19 que conquistamos o afastamento dele do cargo”, relata uma estudante.
A jornada do dia 19 de maio demonstrou que nenhuma estudante está sozinha.
Diante do assédio, da misoginia e da violência, é preciso denunciar os agressores e fortalecer a organização estudantil. A luta por uma educação de qualidade também é uma luta por escolas livres de violência contra as mulheres.
Matéria publicada na edição impressa nº 335 do jornal A Verdade