
Os Estados Unidos chegaram a um acordo com o Irã para encerrar a guerra de agressão imperialista iniciada em fevereiro sem alcançar os principais objetivos que justificaram a escalada militar lançada por Washington e Israel.
O entendimento, anunciado por Donald Trump, pelo governo do Paquistão e posteriormente confirmado por autoridades iranianas, representa uma vitória política de Teerã e expõe o fracasso da estratégia norte-americana de pressão máxima.
Depois de meses de bombardeios, sanções, bloqueio naval e ameaças de destruição do programa nuclear iraniano, a Casa Branca terminou obrigada a negociar.
O resultado das conversas aponta para a reabertura do Estreito de Ormuz, a liberação de recursos iranianos congelados, a discussão sobre o alívio de sanções e uma nova rodada de negociações futuras sobre a questão nuclear.
O contraste entre os objetivos anunciados no início da guerra e os termos conhecidos do acordo ajuda a explicar por que Washington sai enfraquecido.
Os Estados Unidos não derrubaram o governo iraniano, não interromperam a capacidade militar da República Islâmica, não eliminaram seu programa nuclear e tampouco conseguiram impor unilateralmente as condições para o encerramento do conflito.
Ao contrário, foi o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã que alterou a correlação de forças. O bloqueio da principal rota mundial para o transporte de petróleo e gás elevou a pressão econômica internacional e transformou a continuidade da guerra em um problema político para o governo Trump.
A reabertura de Ormuz aparece agora como uma das principais conquistas reivindicadas pela Casa Branca.
Mas trata-se, na prática, da recuperação de uma situação que existia antes da guerra. Depois de meses de confronto, Washington encerra o conflito buscando restabelecer uma normalidade rompida pela própria escalada militar que ajudou a promover.
A lista de termos divulgada pela agência iraniana Mehr News reforça a posição favorável conquistada por Teerã nas negociações.
Entre os pontos divulgados estão o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano; a suspensão de sanções relacionadas ao petróleo; a liberação de US$ 24 bilhões em recursos iranianos bloqueados; o compromisso norte-americano de respeitar a soberania do Irã; e um período de 60 dias para discutir um acordo definitivo.
O texto divulgado pela mídia iraniana também afirma que o programa de mísseis da República Islâmica e o apoio de Teerã aos movimentos de resistência foram retirados definitivamente da agenda das negociações.
Caso confirmado, o ponto representa mais um revés para Washington, que durante anos tentou transformar esses temas em eixo central de sua política para o Oriente Médio.
Outro aspecto revelador é a posição ocupada pelo Líbano nas conversas. O governo iraniano deixou claro que a interrupção dos ataques israelenses era uma condição indispensável para qualquer entendimento.
A exigência transforma a situação libanesa em parte inseparável do acordo e pode dificulta a estratégia de Israel de manter a ofensiva militar paralelamente às negociações.
Mesmo diante do anúncio do entendimento, Israel voltou a atacar o Líbano. O episódio evidenciou as divergências entre Tel Aviv e Washington e mostrou os limites da capacidade norte-americana de controlar seu principal aliado na região.
O futuro do programa nuclear iraniano será tratado em uma etapa posterior das negociações.
Ainda assim, o simples fato de a questão permanecer aberta representa um resultado distante das metas apresentadas pelos setores mais agressivos do governo norte-americano e da extrema direita israelense, que defendiam a destruição completa da infraestrutura nuclear iraniana.
Ao final de meses de guerra, o quadro que emerge é inverso ao prometido pela Casa Branca quando iniciou a escalada.
O Irã preservou seu governo, manteve sua capacidade de influência regional, transformou o Estreito de Ormuz em instrumento de pressão estratégica e chegou à mesa de negociações em posição suficiente para impor parte relevante de suas exigências.
Os Estados Unidos, por sua vez, encerram o conflito sem atingir seus objetivos centrais e obrigados a negociar condições que, há poucos meses, afirmavam não estar dispostos a aceitar.
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