Por Fernanda Otero, direto de Évian-les-Bains
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira, 16 de junho, do segundo dia da Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, a convite do presidente francês, Emmanuel Macron. A Focus Brasil acompanha a agenda diretamente do local do encontro, que reúne líderes das sete maiores economias industrializadas, representantes da União Europeia e países convidados pela presidência francesa.
A presença de Lula ocorre em meio a uma agenda internacional marcada por guerra na Ucrânia, instabilidade no Oriente Médio, disputas comerciais, regulação da inteligência artificial e pressão por novas formas de cooperação com países em desenvolvimento. Para o Brasil, a participação no G7 abre espaço para defender uma agenda do Sul Global, fortalecer o diálogo com parceiros estratégicos e tratar de temas sensíveis da pauta comercial.
Entre os compromissos previstos está uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Será o primeiro encontro oficial entre os dois líderes desde que Takaichi assumiu o cargo, em outubro de 2025. A expectativa é que a conversa abra tratativas em torno de um possível acordo entre o Mercosul e o Japão, além de outros temas da relação bilateral.
À tarde, Lula participa de uma reunião ampliada e fechada do G7 com o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”. O encontro integra o formato de países parceiros, que permite a participação de nações convidadas em debates de interesse global. Além do Brasil, foram convidados pela presidência francesa líderes de Índia, Coreia do Sul, Egito e Quênia.
Ainda na parte da tarde, está prevista uma reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A expectativa é que a pauta inclua as restrições anunciadas pela União Europeia a produtos brasileiros de origem animal, tema que preocupa o governo brasileiro e setores exportadores. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não teria comprovado o cumprimento de exigências sanitárias relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos em animais.
Brasil leva agenda de desenvolvimento ao G7
A agenda do G7 em Évian-les-Bains, nesta terça-feira, concentra-se em três eixos principais de cooperação internacional: segurança europeia, estabilidade no Oriente Médio e construção de novas parcerias globais. O período da manhã é dedicado à crise ucraniana, com participação do presidente Volodymyr Zelensky em uma sessão sobre paz e segurança.
Na sequência, líderes do G7 participam de almoço de trabalho com representantes do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar, com foco na estabilidade regional. À tarde, o foco se amplia para o formato dos países parceiros, com a recepção oficial de Brasil, Índia, Coreia do Sul e Quênia, além de representantes do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento.
A reunião plenária sobre novas parcerias e solidariedade internacional é o principal espaço de fala de Lula no segundo dia da cúpula. O governo brasileiro deve reforçar a defesa de uma cooperação internacional menos hierárquica, com mais recursos para desenvolvimento, financiamento em condições justas e maior participação do Sul Global nas decisões sobre economia, clima, tecnologia e segurança alimentar.
O que está em jogo na cúpula
O G7 é um fórum político e econômico informal formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, com participação institucional da União Europeia. Criado nos anos 1970, o grupo não possui sede fixa nem estrutura burocrática permanente, mas exerce influência sobre a governança global pelo peso econômico e político de seus membros.
A presidência é rotativa e, neste ano, cabe à França organizar a cúpula. O formato conhecido como G7 Outreach permite que países convidados, como o Brasil, participem de discussões sobre temas de interesse comum e ampliem o alcance político das decisões do grupo.
Para Lula, a presença em Évian-les-Bains reforça uma linha diplomática que tem defendido reforma da governança global, fortalecimento do multilateralismo, combate às desigualdades e maior peso dos países em desenvolvimento nas negociações internacionais. A agenda brasileira no segundo dia do G7 passa por esses temas, mas também por interesses concretos de comércio exterior, como o diálogo com o Japão e a discussão com a União Europeia sobre produtos brasileiros.