
Em uma Copa marcada por denúncias de restrições a delegações estrangeiras e pelo silêncio da Fifa diante de medidas adotadas pelo governo Donald Trump, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, escolheu outro caminho.
Antes da estreia do Brasil, realizada no último sábado (13) no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a principal liderança da nova geração da ala esquerda do Partido Democrata recorreu a Sócrates e à Democracia Corintiana para defender o futebol como espaço de solidariedade, participação popular e transformação social.
“Enquanto aguardamos Brasil contra Marrocos, tenho pensado ultimamente em Sócrates, não o filósofo grego antigo, mas o maestro do meio-campo brasileiro”, disse Mamdani em vídeo divulgado pela prefeitura de Nova York.
“Sócrates jogou pelo Brasil nos anos 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde capitaneou a seleção. Estes foram anos difíceis no Brasil. Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força”, afirmou.
“No Corinthians, Sócrates e seus companheiros participaram do que os brasileiros comuns sonhavam: democracia. Eles começaram um experimento em autogoverno chamado Democracia Corintiana. Quer você fosse o centroavante estrela ou trabalhasse na lavanderia, você tinha um voto”, declarou.
A experiência transformou o clube paulista em um símbolo da luta pela redemocratização.
Jogadores, comissão técnica e funcionários passaram a participar das decisões internas, enquanto lideranças como Sócrates, Wladimir e Casagrande associavam a imagem do Corinthians às mobilizações democráticas que ganhavam força no país.
A referência a Sócrates surge num momento em que a política fascista e racista de Donald Trump invade os gramados do Mundial.
Nas últimas semanas, a delegação do Irã foi alvo se uma série de obstáculos impostos pelas autoridades norte-americanas, enquanto a exclusão do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan provocou questionamentos sobre a condução do torneio.
Em ambos os casos, a Fifa evitou confrontar diretamente as decisões adotadas pelo governo dos Estados Unidos.
Ao concluir sua reflexão, o prefeito associou a história de Sócrates ao significado social do futebol.
“Conforme nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas em todo o mundo, tantos pobres e esquecidos, um senso de pertencimento, uma conexão com seu vizinho, um sentimento de solidariedade compartilhada”, afirmou.
“O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos de cada vez, não apenas nos permitiu esquecer nossos problemas, mas encontrar maneiras de superá-los. Que belo jogo”, concluiu.
Filho de imigrantes ugandeses e primeiro muçulmano eleito prefeito de Nova York, Mamdani tornou-se uma das figuras mais conhecidas da ala progressista do Partido Democrata.
Sua eleição foi acompanhada com atenção pela esquerda norte-americana e internacional, que vê no político uma das principais lideranças de uma nova geração crítica ao trumpismo e às desigualdades nos Estados Unidos.
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