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A autonomia comunitária rural é o tema tratado pela doutoranda e mestra em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Eduarda Paz Trindade. Em seu artigo, ela afirma que quando o debate público fala em novo mundo do trabalho, o cenário evocado costuma ser urbano: o entregador na bicicleta, o motorista de aplicativo, a uberização. E quando se fala em transição ecológica e energética, a imagem é a do carro elétrico ou do crédito de carbono. “As periferias rurais brasileiras – assentamentos, quilombos, fundos e fechos de pasto, retomadas indígenas, comunidades extrativistas e ribeirinhas – desaparecem dos dois debates. No entanto, é justamente nelas que se experimenta há décadas uma articulação entre trabalho, território e meio ambiente e onde esses debates apenas começam se destacar”.
No artigo artigo Combater desigualdades com a redução da jornada e o fim da escala 6×1, a equipe do projeto Reconexão Periferias relembra que todas as grandes transformações nas jornadas de trabalho foram acompanhadas de resistência empresarial. “A jornada de oito horas, hoje considerada um direito básico, também foi tratada no passado como ameaça à economia. No entanto, a experiência internacional demonstra que a redução do tempo de trabalho pode impulsionar ganhos de produtividade, estimular inovação tecnológica e melhorar as condições de saúde física e mental dos trabalhadores.”
Em um texto sobre os idosos, um dos polos mais frágeis da sociedade contemporânea quando se fala do mundo do trabalho, o consultor responsável pelo projeto Reconexão Periferias, Artur Henrique Silva Santos, e a integrante do Setorial Nacional da Pessoa Idosa do PT Maria do Carmo Guido afirmam que a luta é por um envelhecimento digno, em uma pátria soberana e democrática, com direitos assegurados para se envelhecer bem, com políticas públicas que atendam brasileiras e brasileiros que alcançaram maior longevidade justamente em razão da proteção social estabelecida no Estado Democrático de Direito.
Onde sonham as crianças? Por uma cidade do bem viver contra o racismo ambiental é o tema abordado pela mineira, pedagoga e multiartista Aline Neli, no texto em que analisa o sistema econômico atual. “Fundado na extração insaciável e na mercantilização da vida, trata a natureza como estoque e os corpos humanos como força de trabalho coisificada, e sob esta lógica, os seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, são reduzidos a fronteiras de commodities.”
Na entrevista, a secretária Nacional de Juventude do governo federal, Vitória Genuino, afirma que o governo Lula vive um momento de reconstrução das políticas públicas para a juventude, depois de anos de desmonte dos espaços de participação social. Para ela, o desafio é combinar políticas concretas, como ID Jovem, Pé-de-Meia, cursinhos populares, novos Institutos Federais e enfrentamento à precarização do trabalho, com novas formas de diálogo com uma geração que nem sempre se organiza pelos caminhos tradicionais da política. “Temos buscado nessa nova gestão pensar novas formas de diálogo com a juventude”, diz.
A seção de arte apresenta a artista plástica, ilustradora, arte-educadora e produtora cultural de Barueri e região metropolitana de São Paulo Bárbara Tristão. A partir de vivências pessoais e territoriais para explorar temas como identidade, sexualidade, autoestima e relações afetivas, ela desenvolve pesquisas visuais que investigam o cotidiano e a cultura periférica e busca construir representações visuais que valorizem corpos dissidentes e aspectos frequentemente invisibilizados.