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CTB define prioridades do 2º semestre: fim da escala 6×1 e reeleição de Lula

A direção nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) aprovou em Salvador (BA), nesta segunda-feira (15), uma resolução política que organiza a atuação da entidade em duas batalhas principais para o segundo semestre: a aprovação do fim da escala 6×1 e o enfrentamento eleitoral à extrema direita nas eleições de outubro. A deliberação costura um diagnóstico que une urgência legislativa e reconfiguração do quadro político nacional.

No centro da primeira frente, a CTB reitera a “luta pela aprovação definitiva da proposta que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial”. Segundo a nota, a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) na Câmara dos Deputados representou uma vitória importante do movimento sindical, mas o Senado apresenta um ambiente mais hostil e concentrado.

A direção cita nominalmente a tramitação da proposta alternativa do senador Rogério Marinho (PL), a “PEC da Escravidão”, apoiada pelo grande capital. O projeto visa “substituir a negociação coletiva por negociações individuais entre patrão e trabalhadores, excluindo os sindicatos, reduzir o valor do salário mínimo, FGTS, férias e 13º”, mantendo ainda a escala 6×1 e as 44 horas semanais.

A argumentação da resolução se apoia em uma leitura estrutural sobre o tempo de trabalho. O documento sustenta que o desenvolvimento tecnológico, a automação e a inteligência artificial ampliam continuamente a capacidade produtiva, e que, em uma sociedade orientada pelo interesse coletivo, esse avanço deveria se traduzir naturalmente em redução da jornada e ampliação do tempo livre.

A avaliação interna, porém, é que “sob o capitalismo, onde o tempo de trabalho é objeto de permanente disputa entre capital e trabalho”, os ganhos de produtividade costumam ser apropriados com exclusividade pelos capitalistas, gerando desemprego e precarização. A saída, segundo a CTB, está na experiência histórica consolidada: “a luta organizada da classe trabalhadora pode subverter a lógica capitalista”.

Para traduzir esse princípio em pressão concreta, a direção orienta suas filiadas a intensificarem mobilizações, ampliarem o diálogo com a sociedade e fortalecerem a unidade de ação com outras centrais, com o objetivo de construir um grande Dia Nacional de Luta. O primeiro marco desse esforço está previsto para 1º de julho, quando ocorrerá uma audiência pública no Plenário do Senado, apontada como momento-chave para o debate.

Eleições 2026

O segundo pilar da resolução é classificado como “decisivo para os rumos da nação”. A CTB define a derrota da extrema direita e a reeleição do presidente Lula como interesses diretos e estratégicos da classe trabalhadora. O texto enquadra o pleito de outubro em um cenário de “ofensiva internacional da extrema direita” e de crescentes ameaças à soberania nacional. Além disso, critica a agenda bolsonarista por sua orientação permanente de retirada de direitos, privatizações e submissão ao grande capital financeiro.

A resolução também enfatiza a necessidade de ampliar a presença de forças progressistas na Câmara e no Senado, avaliando que a atual correlação de forças no Congresso Nacional segue como um dos principais obstáculos à pauta popular. A nota adverte que a extrema direita acena com uma ofensiva renovada que inclui o enfraquecimento da legislação trabalhista, o fim da política de valorização do salário mínimo, o congelamento das aposentadorias e novos cortes em investimentos públicos e programas sociais.

Paralelamente às duas frentes principais, a deliberação inclui uma pauta classificada como reparação histórica: a aprovação do PL 1893/2026, enviado pelo presidente Lula em abril, que regulamenta a negociação coletiva no serviço público e tramita em regime de urgência na Câmara.

O documento descreve a medida como essencial para os servidores, que funcionam como a liga entre Estado e sociedade. O Brasil segue pendente a Organização Internacional do Trabalho (OIT) quanto ao direito de greve e à licença para exercício de mandato sindical no funcionalismo, temas que permanecem no horizonte permanente da central.

Com a votação no Senado ainda sem data definida e a campanha eleitoral em fase de aceleração, a resolução busca condensar o calendário de lutas da CTB em um único diagnóstico: a disputa sobre a jornada de trabalho e a correlação de forças políticas são faces do mesmo combate. A central aposta na mobilização contínua como mecanismo tanto para descomprimir o Legislativo quanto para consolidar uma vitória nas urnas que permita, no próximo governo, avançar sobre o fim do arcabouço fiscal e a redução substancial da taxa de juros.

Ao final, a direção nacional da CTB conclama os trabalhadores a ampliarem a participação política e sindical nos próximos meses. “O que está em jogo no processo eleitoral é a defesa da soberania nacional, da democracia, do patrimônio público, dos direitos trabalhistas, da valorização do salário mínimo, da Previdência Social, das políticas públicas, do bem-estar social”, conclui o documento.

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