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Evento imobiliário londrino anuncia venda de terrenos em assentamentos ilegais na Cisjordânia

Um evento imobiliário israelense realizado no norte de Londres parece ter anunciado a venda de terrenos em assentamentos israelenses em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada. A feira chamada Grande Evento Imobiliário Israelense, tinha como objetivo convidar interessados a manifestar interesse em Gush Etzion, território na Cisjordânia ocupada que o governo do Reino Unido considera ilegal.

Realizado na Sinagoga Unida de Edgware apenas para convidados, o encontro ocorreu após mais de 100 parlamentares do Reino Unido e organizações da sociedade civil pedirem seu cancelamento, alegando incompatibilidade com as obrigações do governo britânico perante o direito internacional e com as diretrizes sobre atividades econômicas relacionadas a assentamentos.

“Há, no mínimo, indícios suficientes de que pessoas estavam anunciando terrenos em assentamentos ilegais, o que é contrário à lei, e o governo precisa agir”, afirmou o deputado Andy McDonald, copresidente do grupo parlamentar multipartidário britânico-palestino.

Panfletos distribuídos mostravam projetos imobiliários em Ma’ale Adumim, Givat Ze’ev, Kfar Eldad e Teneh Omarim, na Cisjordânia ocupada, bem como em Ramat Eshkol e Givat Hamatos, em Jerusalém Oriental.

Panfleto anunciando casas em assentamentos israelenses ilegais
Foto: reprodução / Grupo Jewish Anti-Sionist Action / Redes sociais

Na semana passada, McDonald escreveu uma carta ao secretário de Relações Exteriores, assinada por 101 políticos, na qual afirmava que o evento estava “inserido no projeto de expansão colonial de Israel” e pedia ao governo que impedisse sua realização.

O roadshow em Londres foi a última parada, depois de cidades nos Estados Unidos e no Canadá, que pareciam ter como objetivo anunciar a venda de terrenos em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada e convidar pessoas a “explorar os melhores bairros anglo-saxões” e encontrar a “casa dos seus sonhos”.

Segundo o Guardian, os organizadores haviam negado anteriormente as acusações de que o evento apresentaria terrenos à venda na Cisjordânia, classificando as alegações como “ridículas” e “motivadas por apoiadores anti-Israel e terroristas”, e afirmaram que os expositores forneceriam informações sobre propriedades e projetos dentro da Linha Verde.

No entanto, na terça-feira (16/06), os organizadores pediram desculpas pelo “erro” nos folhetos do evento, após as preocupações levantadas no parlamento. “Ninguém no evento promoveu ou mencionou propriedades nos ‘territórios disputados’, como Givat Ze’ev ou Kfar Eldad. A menção a esses locais no folheto do evento foi um erro, pelo qual pedimos desculpas”, disseram os organizadores ao Jewish News.

O site do evento de 2025 que mencionava Gush Etzion foi retirado do ar, e a referência ao assentamento na página do evento de 2026 foi removida após manifestações públicas de preocupação. O site também incluía um mapa do território sem a delimitação de Gaza, da Cisjordânia ocupada e das Colinas de Golã, na Síria.

O evento em Londres ocorreu num momento em que a violência dos colonos na Cisjordânia atingiu níveis sem precedentes e enquanto uma coligação de países ocidentais – incluindo o Reino Unido, a França, o Canadá, a Alemanha e a Itália – apelou ao fim da construção de assentamentos israelenses, que, segundo eles, violam o direito internacional.

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